"Eu voltei para a Seleção por ele (Petrović). Provavelmente, se fosse outro técnico, eu não teria vindo. Essa confiança é mútua, esse respeito é mútuo e continuará sendo assim até o fim", disse Rafa Luz ao Flashscore.
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O reencontro trouxe o equilíbrio entre a juventude do grupo e a rodagem de um veterano. Bastou um telefonema para acertar a convocação, apesar das mágoas do passado. No triunfo por 94 a 84 contra a Venezuela, Rafa Luz entregou o que se pedia: maestria na armação e a liderança em assistências.

"É um orgulho (poder voltar à Seleção). Sou sempre muito criticado quando venho, mas o Petrović, quando me ligou, disse que precisava de um veterano que controlasse mais o jogo e desse a pausa que é o meu estilo. Então, para mim, é muito gratificante poder vir e ajudar; ver que o Brasil continua essa renovação e que tem muito talento bom vindo por aí", declarou o armador do MoraBanc Andorra.
Essa mágoa de Rafa Luz não nasceu ontem. Ao longo de mais de uma década servindo à Seleção, o armador muitas vezes se viu no papel de "para-raios" de críticas, sendo cobrado por um estilo de jogo mais cerebral e defensivo em um esporte que, aos olhos do grande público, costuma privilegiar apenas os cestinhas.

Como um operário do basquete, Rafa frequentemente carregou o peso de sucessões geracionais e de derrotas em que seu trabalho tático — o chamado "trabalho sujo" de controlar o ritmo e organizar a defesa — acabava subestimado. O desabafo em Belo Horizonte revela um atleta que, apesar de sentir o desgaste do escrutínio público, encontrou no respeito mútuo com Petrović o combustível necessário para provar, com 10 assistências em apenas 17 minutos, que sua batuta ainda é essencial para o equilíbrio do Brasil.
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Retorno com direito a ser capitão
Essa importância de Rafa Luz foi confirmada pelo próprio técnico da Seleção, que elogiou o comprometimento do armador publicamente e o confirmou como capitão do Brasil no jogo contra a Colômbia, na próxima segunda-feira (2), às 19h, também na Arena UniBH, em Belo Horizonte.
"Eu e o Rafa temos uma história muito antiga na Seleção. No Mundial da China, em 2019, e no Pré-Olímpico de 2021, ele foi o armador número um do Brasil entre todos os demais. Agradeço muito ao Rafa porque, quando vi que teríamos problemas com armadores pela primeira vez após a lesão do Alexey, liguei para ele e, cinco segundos e meio depois, ele me respondeu dizendo que viria jogar. Por isso, meu querido Rafa, eu o agradeço. Hoje (contra a Venezuela) o capitão foi o Gui Deodato (do Flamengo), mas, contra a Colômbia, o capitão da Seleção Brasileira será o Rafa Luz", cravou Petrović.
