Mas ele não é o primeiro a fazer esse movimento visando uma chance na Copa do Mundo. O caso do atleta palmeirense reacendeu o debate sobre atletas naturalizados atuando em outras seleções.
Maurício, do Palmeiras, vira paraguaio e pode jogar Copa do Mundo
Recentemente, em entrevista à Flashscore, o atacante brasileiro Pedrinho, do Shakhtar Donetsk, falou sobre a possibilidade de obter a cidadania ucraniana para defender a seleção local no torneio mundial.
Mais seleções, mais oportunidades
Esses dois casos não são isolados. A Copa de 1990 abriu um portal que não se fechou mais: desde aquele ano, todas as edições seguintes contaram com pelo menos um atleta de origem brasileira atuando por outra seleção.
A 20ª edição do torneio vai ser a maior de todas porque, além de ser disputada em três países diferentes, a competição terá um recorde de participantes: 48. Com tantos concorrentes, a chance de vermos brasileiros enfrentando a sua pátria-mãe é ainda maior do que na última Copa.
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Na edição de 2018, na Rússia, 10 atletas brasileiros atuaram por outras seleções. O número diminuiu na edição seguinte, mas a tendência é de um novo crescimento para o próximo Mundial.

Trio campeão europeu de fora
Os mais experientes vestindo a camisa de outro país são Rafael Tolói, Emerson Palmieri e Jorginho, que conquistaram o título da Eurocopa com a seleção italiana em 2021. Os três obtiveram a dupla cidadania devido à ascendência familiar e não foram convocados pelo técnico Gennaro Gattuso na última Data FIFA, em outubro.
Mesmo assim, o trio segue com esperança de confirmar presença na próxima Copa com a camisa da Azzurra, caso a seleção consiga a classificação para o Mundial. A Itália vai enfrentar a Irlanda do Norte no próximo dia 26 de março, em Bérgamo, pela semifinal da repescagem.

Em busca da vaga
O goleiro Carlos Coronel, o lateral Matheus Nunes, o volante Johnny Cardoso e o meia Eliasson já têm certa relação com suas respectivas seleções. Desde 2023, o goleiro do São Paulo conquistou algumas oportunidades com a camisa paraguaia, agora busca uma chance no Mundial – mesmo sendo reserva de Rafael no Tricolor Paulista.
Já Matheus Nunes, do Manchester City, chegou a ser disputado pelas seleções das suas duas nacionalidades, mas preferiu atuar por Portugal. Convocado para jogar a Eurocopa de 2024 na vaga de Otávio – que fora cortado por lesão –, o jogador também defendeu a seleção portuguesa em duas partidas da Copa do Mundo de 2022. O bom desempenho no time inglês indica que o brasileiro, que atua tanto como volante quanto como lateral, deve estar entre os selecionados de Roberto Martínez para a próxima Copa.

O paraibano Otávio é outro atleta que busca retornar à seleção portuguesa aos 31 anos. Desde 2024 ele não sabe o que é defender Portugal em jogos oficiais. Seguindo o mesmo roteiro de diversos atletas de renome, o meia transferiu-se para a Arábia Saudita na temporada 2023/2024. Ao todo, foram 84 partidas com a camisa do Al-Nassr – equipe onde Cristiano atua –, com 12 gols marcados e 15 assistências.
O ex-colorado Johnny começou na base do Internacional em 2016, e defendeu o time do Rio Grande do Sul até 2023, ano em que se transferiu para o Real Betis, da Espanha. Como nasceu em Nova Jersey, o volante possui cidadania norte-americana e já soma algumas convocações para a seleção principal. Johnny esteve presente na última edição da Copa América, nos EUA; por isso, a tendência é de que o meio-campista garanta sua vaga na seleção dos Estados Unidos para o próximo Mundial.
O meia Eliasson nasceu na Suécia, mas tem mãe brasileira, por isso pode atuar por ambas seleções. Defendendo o AEK no campeonato grego, o jogador já demonstrou interesse em atuar no Brasil. Em 2025, o Grêmio chegou a apresentar uma proposta ao time da Grécia para ter o atleta por empréstimo, mas recebeu uma negativa da diretoria do clube.
Em relação à Suécia, Eliasson sabe que disputar uma oportunidade em um meio de campo que tem a presença de Svanberg e Ayari – que atuam no futebol alemão e inglês, respectivamente – não será fácil. No entanto, a convocação em setembro para fazer o seu nono jogo com a seleção sueca, no duelo contra a Eslovênia, renova as esperanças do meia de estar na Copa.
Sonho após naturalização
Além de Maurício, que já idealiza sua ida para a seleção paraguaia, o zagueiro Dória e o atacante Guilherme veem o sonho de atuar na próxima Copa mais próximo depois de obter a dupla cidadania.
Mesmo tendo defendido a Seleção Brasileira Sub-20 no Sul-Americano de 2013 e nos torneios de Toulon de 2013 e 2014, Dória adquiriu a nacionalidade mexicana em 2023 e comemorou a possibilidade de atuar pelos Aztecas. Titular em 17 partidas nesta temporada – 15 pelo Atlas-MEX e duas pelo São Paulo –, o zagueiro tem buscado constância dentro de campo para seguir sonhando com uma convocação do técnico Javier Aguirre.
Já o atacante Guilherme, que é brasileiro e polonês, começou no São Paulo e logo se transferiu para o XV de Piracicaba, tendo atuado no futebol polonês nas últimas temporadas. Apesar de ter jogado no país de sua cidadania, o jovem de 21 anos nunca foi chamado pela seleção. Agora, além de buscar sua primeira convocação, Guilherme espera que a Polônia supere a Albânia na repescagem.
Vale destacar que o primeiro jogador proveniente do Brasil que disputou uma Copa do Mundo defendendo outro país foi Anfilogino Guarisi, popularmente conhecido como Filó. Ele foi campeão do Mundial de 1934 vestindo a camisa da seleção italiana, e tornou-se o primeiro brasileiro a levantar o troféu da competição.
