Brasil tem time inteiro de naturalizados que podem estar na Copa; veja lista

Maurício pode defender o Paraguai
Maurício pode defender o ParaguaiCesar Greco/Palmeiras

Maurício, do Palmeiras, que conseguiu a nacionalização paraguaia, é o exemplo mais atual. Caso esteja na lista de convocados do técnico Gustavo Alfaro, o meia vai se juntar aos seus companheiros de clube – Ramón Sosa e Gustavo Gómez – na Seleção Albirroja.

Mas ele não é o primeiro a fazer esse movimento visando uma chance na Copa do Mundo. O caso do atleta palmeirense reacendeu o debate sobre atletas naturalizados atuando em outras seleções. 

Maurício, do Palmeiras, vira paraguaio e pode jogar Copa do Mundo

Recentemente, em entrevista à Flashscore, o atacante brasileiro Pedrinho, do Shakhtar Donetsk, falou sobre a possibilidade de obter a cidadania ucraniana para defender a seleção local no torneio mundial.

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Mais seleções, mais oportunidades

Esses dois casos não são isolados. A Copa de 1990 abriu um portal que não se fechou mais: desde aquele ano, todas as edições seguintes contaram com pelo menos um atleta de origem brasileira atuando por outra seleção.

A 20ª edição do torneio vai ser a maior de todas porque, além de ser disputada em três países diferentes, a competição terá um recorde de participantes: 48. Com tantos concorrentes, a chance de vermos brasileiros enfrentando a sua pátria-mãe é ainda maior do que na última Copa.

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Na edição de 2018, na Rússia, 10 atletas brasileiros atuaram por outras seleções. O número diminuiu na edição seguinte, mas a tendência é de um novo crescimento para o próximo Mundial. 

Pepe, Matheus Nunes e Otávio jogaram Copa do Mundo por Portugal
Pepe, Matheus Nunes e Otávio jogaram Copa do Mundo por PortugalBenoit Tessier - Reuters

Trio campeão europeu de fora

Os mais experientes vestindo a camisa de outro país são Rafael Tolói, Emerson Palmieri e Jorginho, que conquistaram o título da Eurocopa com a seleção italiana em 2021. Os três obtiveram a dupla cidadania devido à ascendência familiar e não foram convocados pelo técnico Gennaro Gattuso na última Data FIFA, em outubro. 

Mesmo assim, o trio segue com esperança de confirmar presença na próxima Copa com a camisa da Azzurra, caso a seleção consiga a classificação para o Mundial. A Itália vai enfrentar a Irlanda do Norte no próximo dia 26 de março, em Bérgamo, pela semifinal da repescagem. 

Qualidade do Brasil beneficiou outras seleções
Qualidade do Brasil beneficiou outras seleçõesFlashscore

Em busca da vaga

O goleiro Carlos Coronel, o lateral Matheus Nunes, o volante Johnny Cardoso e o meia Eliasson já têm certa relação com suas respectivas seleções. Desde 2023, o goleiro do São Paulo conquistou algumas oportunidades com a camisa paraguaia, agora busca uma chance no Mundial – mesmo sendo reserva de Rafael no Tricolor Paulista. 

Já Matheus Nunes, do Manchester City, chegou a ser disputado pelas seleções das suas duas nacionalidades, mas preferiu atuar por Portugal. Convocado para jogar a Eurocopa de 2024 na vaga de Otávio – que fora cortado por lesão –, o jogador também defendeu a seleção portuguesa em duas partidas da Copa do Mundo de 2022. O bom desempenho no time inglês indica que o brasileiro, que atua tanto como volante quanto como lateral, deve estar entre os selecionados de Roberto Martínez para a próxima Copa. 

Números de Matheus Nunes
Números de Matheus NunesFlashscore

O paraibano Otávio é outro atleta que busca retornar à seleção portuguesa aos 31 anos. Desde 2024 ele não sabe o que é defender Portugal em jogos oficiais. Seguindo o mesmo roteiro de diversos atletas de renome, o meia transferiu-se para a Arábia Saudita na temporada 2023/2024. Ao todo, foram 84 partidas com a camisa do Al-Nassr – equipe onde Cristiano atua –, com 12 gols marcados e 15 assistências.

O ex-colorado Johnny começou na base do Internacional em 2016, e defendeu o time do Rio Grande do Sul até 2023, ano em que se transferiu para o Real Betis, da Espanha. Como nasceu em Nova Jersey, o volante possui cidadania norte-americana e já soma algumas convocações para a seleção principal. Johnny esteve presente na última edição da Copa América, nos EUA; por isso, a tendência é de que o meio-campista garanta sua vaga na seleção dos Estados Unidos para o próximo Mundial.

O meia Eliasson nasceu na Suécia, mas tem mãe brasileira, por isso pode atuar por ambas seleções. Defendendo o AEK no campeonato grego, o jogador já demonstrou interesse em atuar no Brasil. Em 2025, o Grêmio chegou a apresentar uma proposta ao time da Grécia para ter o atleta por empréstimo, mas recebeu uma negativa da diretoria do clube. 

Em relação à Suécia, Eliasson sabe que disputar uma oportunidade em um meio de campo que tem a presença de Svanberg e Ayari – que atuam no futebol alemão e inglês, respectivamente – não será fácil. No entanto, a convocação em setembro para fazer o seu nono jogo com a seleção sueca, no duelo contra a Eslovênia, renova as esperanças do meia de estar na Copa.

Sonho após naturalização

Além de Maurício, que já idealiza sua ida para a seleção paraguaia, o zagueiro Dória e o atacante Guilherme veem o sonho de atuar na próxima Copa mais próximo depois de obter a dupla cidadania. 

Mesmo tendo defendido a Seleção Brasileira Sub-20 no Sul-Americano de 2013 e nos torneios de Toulon de 2013 e 2014, Dória adquiriu a nacionalidade mexicana em 2023 e comemorou a possibilidade de atuar pelos Aztecas. Titular em 17 partidas nesta temporada – 15 pelo Atlas-MEX e duas pelo São Paulo –, o zagueiro tem buscado constância dentro de campo para seguir sonhando com uma convocação do técnico Javier Aguirre.

Já o atacante Guilherme, que é brasileiro e polonês, começou no São Paulo e logo se transferiu para o XV de Piracicaba, tendo atuado no futebol polonês nas últimas temporadas. Apesar de ter jogado no país de sua cidadania, o jovem de 21 anos nunca foi chamado pela seleção. Agora, além de buscar sua primeira convocação, Guilherme espera que a Polônia supere a Albânia na repescagem

Vale destacar que o primeiro jogador proveniente do Brasil que disputou uma Copa do Mundo defendendo outro país foi Anfilogino Guarisi, popularmente conhecido como Filó. Ele foi campeão do Mundial de 1934 vestindo a camisa da seleção italiana, e tornou-se o primeiro brasileiro a levantar o troféu da competição.