O atleta de 23 anos, que liderou a prova até a reta final, terminou com o tempo de 2min29s6, sendo superado apenas pelo chinês Liu Zixu (2min28s9). O bronze ficou com o cazaque Yerbol Khamitov.
"Só quero agradecer ao meu time e à minha família. Queria o ouro, mas foi por muito pouco. É um sonho realizado e agora a próxima meta é o lugar mais alto do pódio", comemorou o medalhista após a cerimônia.

Ribera chegou aos Jogos de Milão-Cortina 2026 como a principal esperança da delegação, ostentando o título de campeão mundial e o Globo de Cristal da última temporada. O resultado coroa uma trajetória de superação do rondoniense, que nasceu com artrogripose, uma doença congênita das articulações das extremidades e já passou por 21 cirurgias desde que iniciou tratamento aos três meses de vida.
Marca inédita entre as mulheres
Aline Rocha, de 35 anos, também fez história ao terminar na 5ª colocação na final do sprint sentado feminino. Com o resultado, ela superou a própria marca anterior (7º lugar em Pequim 2022) e estabeleceu o novo recorde de melhor desempenho de uma brasileira em Jogos de Inverno.

Aline chegou a lutar pelo bronze durante a descida, mas foi ultrapassada nos metros finais pela chinesa Shiyu Wang e pela alemã Andrea Eskau. A paratleta, que iniciou a carreira esportiva no atletismo ao lado de Ribera, não escondeu a emoção pelo feito duplo do país.
"É uma honra ver essa conquista do Cristian, ele é meu herói. Espero que esse resultado incentive mais mulheres a conhecerem o esporte e entenderem que podem fazer o que quiserem", destacou a atleta.
O ouro da prova feminina ficou com a lenda americana Oksana Masters, seguida pela sul-coreana Yunji Kim.

Domínio brasileiro nas classificatórias
A caminhada até o pódio começou cedo, com Cristian Ribera dominando as qualificatórias. Ele avançou com o melhor tempo do dia (2min08s2) e venceu sua bateria semifinal. Outros brasileiros também estiveram em ação: Guilherme Rocha e Robelson Lula terminaram em 18º e 20º no masculino, respectivamente, enquanto Elena Sena ficou na 16ª posição entre as mulheres. Wellington da Silva competiu no sprint em pé, finalizando em 19º lugar.
A delegação brasileira no esqui cross-country demonstra evolução constante no cenário internacional. A modalidade, que divide os atletas entre as categorias sitting (sentado), standing (em pé) e vision impaired (deficiência visual), é o carro-chefe do país na neve.
Próximos desafios em Milão-Cortina
Cristian Ribera volta à pista já nesta quarta-feira (11), às 6h10 (horário de Brasília), para a disputa dos 10km sentado. O medalhista de prata ainda terá pela frente o revezamento misto no sábado (14) e a prova de fôlego dos 20km sentado no domingo (15), data do encerramento dos Jogos. Aline Rocha também cumprirá a mesma agenda de competições.
A expectativa da CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve) é que o embalo da medalha inédita impulsione os atletas nas provas de longa distância. Com o "peso" do primeiro pódio finalmente superado, Cristian e Aline entram como candidatos reais a novas finais.
