Nesta edição histórica, diversos protagonistas anunciados falharam em seu compromisso com a história, traídos pelo desgaste físico, por escolhas táticas questionáveis ou, simplesmente, por desempenhos muito aquém do esperado.
Confira a tabela da Copa do Mundo
Enquanto o torneio define os candidatos ao título, a lista de vítimas precoces inclui nomes que eram apontados como os pilares de suas seleções. De líderes natos a figuras apáticas em campo: confira as maiores decepções desta Copa.
Fede Valverde
A Copa surgiu como a tábua de salvação para encerrar um ano de pesadelo, mas acabou se tornando o melancólico desfecho de uma temporada para esquecer. Para o meio-campista do Real Madrid, o ano foi marcado por um jejum de títulos e pelo surreal desentendimento com o companheiro Tchouaméni.
A serviço da Celeste, o rendimento de Valverde foi decepcionante: apagado nos empates contra Arábia Saudita (1 a 1) e Cabo Verde (2 a 2), acabou tirado de campo por Marcelo Bielsa com mais de meia hora para o fim do duelo decisivo contra a Espanha, justamente quando o Uruguai precisava reverter o placar.
O saldo final? Zero gols, zero assistências, rusgas evidentes com o técnico e uma dolorosa eliminação ainda na fase de grupos.
Arda Güler e Kenan Yildiz: a ilusão da "Geração de Ouro"
Os dois maiores expoentes da nova safra de talentos turcos não foram capazes de evitar o naufrágio da Turquia comandada por Vincenzo Montella, que se despediu da competição ainda na primeira fase.
Consolidado como peça fundamental no Real Madrid, Güler atuou em todos os minutos da fase de grupos, mas despertou tardiamente. Seu único lampejo de brilho ocorreu na inútil vitória por 3 a 2 sobre os EUA (partida em que foi eleito Melhor Jogador), quando a seleção da lua crescente já estava matematicamente eliminada.
Se Güler ainda teve momentos discretos, o desempenho do jovem da Juventus foi puramente negativo. Em sua estreia em Mundiais, Yildiz ratificou a queda de rendimento vista em sua última temporada, em Turim, comportando-se como um estranho na equipe, justamente no momento de maior exigência.
Heung-Min Son
Apontado como o maior jogador sul-coreano da história, Son chegou à sua quarta Copa, após encerrar seu ciclo no futebol europeu, trocando o status de lenda no Tottenham pelo desafio no Los Angeles FC.
Contudo, aos 33 anos, sua influência em campo foi praticamente nula. Substituído aos 24 minutos do segundo tempo na derrota perante a República Tcheca e aos 12 da etapa final contra o México, chegou a ficar no banco diante da África do Sul, entrando apenas no fim de outra derrota por 1 a 0. Uma passagem irrelevante para a última dança de um craque incontestável.
Jamal Musiala
Talvez a maior decepção coletiva desta Copa atenda pelo nome de Mannschaft. Cotada como uma das favoritas e vindo de um forte 7 a 1 sobre Curaçao, a Alemanha sucumbiu de forma surpreendente no mata-mata, diante do Paraguai. Para Musiala, a jornada na América do Norte foi o reflexo de uma temporada conturbada: após seis meses parado no Bayern por lesão, ele correu contra o tempo para estar à disposição.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho na América do Norte. Veja tudo o que você precisa saber sobre o torneio:
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Titular e autor de um gol na estreia contra Curaçao, Musiala seguiu no time contra Costa do Marfim e Equador. Porém, no jogo que selou o destino alemão, no mata-mata contra o Paraguai, foi boicotado e deixado no banco, entrando apenas nos 30 minutos finais. Tarde demais para mudar o rumo da história: sem conseguir alterar a inércia do confronto, assistiu passivamente à eliminação nos pênaltis. Para um talento do seu calibre, o balanço é profundamente frustrante.
Scott McTominay
Ídolo em Nápoles, figurante na América do Norte. Líder absoluto do meio-campo napolitano há duas temporadas, McTominay não conseguiu exercer a mesma liderança com a camisa da Escócia. Após uma vitória magra na estreia contra o Haiti, a "Tartan Army" desmoronou diante de Marrocos e Brasil, dando adeus ao torneio precocemente. Para o escocês, as estatísticas são cruéis: nenhum gol, nenhuma assistência e o retorno antecipado para casa.
Memphis
Contratado pelo Corinthians em 2024, após passagens por gigantes como PSV, United, Lyon, Barcelona e Atlético de Madrid, Memphis foi um mero coadjuvante neste Mundial. O maior artilheiro da história da Holanda (tendo superado a lenda Van Persie) passou em branco na pífia campanha da Laranja Mecânica, eliminada nos pênaltis pelo Marrocos.
O atacante iniciou todos os confrontos entre os reservas, somando 51 minutos totais nas três primeiras partidas e sequer saindo do banco no jogo decisivo. Um desfecho amargo que parece colocar um ponto final em sua longa trajetória com a seleção holandesa.
Neymar
A última dança de Ney se transformou em mais um dramático capítulo para o futebol brasileiro. Convocado por Carlo Ancelotti sob uma pressão midiática sufocante, o camisa 10 buscava a glória eterna, mas encontrou a melancolia. Traído novamente pela fragilidade física, desfalcou a equipe nos dois primeiros jogos por lesão, atuando apenas nos instantes finais contra a Escócia, antes de ser reserva durante todo o jogo contra o Japão.
A esperança ruiu de vez nas oitavas de final contra a Noruega: ao entrar no decorrer do jogo, converteu um pênalti que serviu apenas como gol de honra antes da eliminação.
"Tentei de todas as formas. Agora acabou. Aqui fecho o ciclo", declarou, em lágrimas. As cortinas se fecham para sua trajetória na Seleção da forma mais dolorosa: o choro solitário de um rei que se despede sem a sua coroa.
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