Martinelli foi chamado depois do corte de João Pedro, que sofreu um edema no joelho. A estreia diante da Austrália, aos 37 minutos do segundo tempo, marcou o capítulo mais recente de uma geração que, desde Xerém, já dava sinais de que poderia alcançar o futebol de alto nível.
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A presença de quatro jogadores daquela safra na Seleção reforça uma tradição de Xerém como celeiro do futebol brasileiro. Marcelo e Thiago Silva são alguns dos exemplos mais conhecidos de jogadores formados pelo Fluminense que chegaram à Amarelinha. Na Copa do Mundo de 2026, Luiz Henrique foi o representante da geração de 2001, ao lado de duas crias de Xerém: Ibañez e Fabinho.
História com a Seleção
O primeiro dos quatro a receber uma convocação foi André. Ramon Menezes chamou o volante em 2023 para o amistoso contra Marrocos, mas sua estreia aconteceu na Data Fifa seguinte, diante de Senegal. André ainda voltou a defender o Brasil em outras oportunidades e seu último jogo pela Seleção foi em outubro de 2025, contra a Coreia do Sul, já com Ancelotti.

João Pedro foi o segundo. Convocado por Fernando Diniz em novembro de 2023, o atacante estreou nas Eliminatórias, contra a Colômbia, no mesmo mês. Foi Diniz, inclusive, quem o lançou no profissional do Fluminense, em 2019. O atacante chegou a ser chamado novamente por Ancelotti para a atual Data Fifa, mas uma lesão no joelho provocou seu corte e abriu espaço para Martinelli.

O terceiro foi Luiz Henrique, convocado pela primeira vez em 2024, quando defendia o Botafogo. Dorival Júnior foi quem lhe deu a oportunidade e a estreia aconteceu em setembro daquele ano, contra o Equador. Luiz Henrique é, entre os quatro, quem mais vezes vestiu a camisa da Seleção: são 16 partidas, com dois gols e três assistências. Ele também foi o único da geração presente na Copa do Mundo de 2026.
Martinelli completou a sequência justamente em um momento em que é o único dos quatro ainda atuando pelo Fluminense. O volante se tornou peça importante do clube desde que subiu ao profissional, em 2020. Ele acumula 334 partidas pelo time principal e se tornou o jogador formado em Xerém com mais jogos pelo profissional.

A venda e onde estão
A história deles também ajuda a entender o impacto esportivo e financeiro daquela geração. João Pedro foi o primeiro a sair, vendido ao Watford por 11,5 milhões de euros ainda em outubro de 2018, antes de fazer sua estreia profissional. Luiz Henrique deixou o clube em 2022, negociado com o Betis por 13 milhões de euros, enquanto André foi vendido ao Wolverhampton em 2024 por 25 milhões de euros, entre valores fixos e bônus.
João Pedro atualmente está em sua segunda temporada pelo Chelsea, que pagou 55 milhões de libras por sua contratação em junho de 2025. Luiz Henrique, depois de uma passagem pelo Betis e de retornar ao futebol brasileiro pelo Botafogo, foi negociado com o Zenit por 33 milhões de euros. André está em sua terceira temporada pelo Wolverhampton e permaneceu no clube mesmo após o rebaixamento para a segunda divisão inglesa.

Promessas que não chegaram à Seleção
Mas a história da Geração de Ouro não termina nos quatro que chegaram à Seleção principal. Alguns dos nomes que despontavam ao lado dos quatro seguiram caminhos bem diferentes.
Marcos Paulo era uma das grandes promessas da geração e deixou o Fluminense de graça em 2021, após não renovar o vínculo e assinar um pré-contrato com o Atlético de Madrid. Sem atuar pelo clube espanhol, foi emprestado a Famalicão, Mirandés e São Paulo, antes de passar pelo Boavista-RJ e chegar ao Juventude, onde disputa a Série B.

Lucas Calegari ganhou espaço no Fluminense entre 2020 e 2022, mas perdeu espaço no elenco a partir de 2023 e passou por uma sequência de empréstimos antes de rescindir o contrato em 2025; após uma passagem pelo Eyüpspor, da Turquia, retornou aos Estados Unidos em 2026 para defender o Los Angeles Galaxy.
Wallace, camisa 10 e capitão nas categorias de base do Fluminense, era outra grande promessa, chegou a ter multa rescisória de € 40 milhões e foi chamado para treinar com a Seleção Olímpica em 2021. Após poucas oportunidades no profissional, passou por empréstimos no Brasil e no exterior antes de chegar ao Piauí EC em 2026.
Luan Freitas sofreu com graves lesões no joelho, o que dificultou sua trajetória no Tricolor. Passou por Londrina, Paysandu e Juventude e, em 2026, foi contratado pelo Fortaleza, onde também disputa a Série B.
Gabriel Teixeira, o Biel, ganhou espaço no Fluminense em 2021, mas ficou marcado pelo gol perdido e pênalti desperdiçado contra o Olímpia, na Libertadores de 2022; depois, passou por Grêmio, Bahia, onde se destacou, e Sporting, além de empréstimos a Atlético-MG, Al-Taawoun e Pafos.

E ainda há John Kennedy, nascido em 2002, mas integrante daquele grupo em boa parte da formação. Foi protagonista do título carioca Sub-20 de 2021 com três gols na final. Escreveu seu nome na história do clube com o gol do título da Libertadores de 2023. Em 2026, recuperou a importância e a confiança do torcedor, antes de sofrer uma lesão ligamentar no joelho em agosto.
A geração de 2001 deixou um legado. Alguns chegaram à Seleção, outros construíram carreira no exterior e outros ainda buscam seu espaço. Martinelli agora escreve mais um capítulo dessa história. Sua estreia pela Amarelinha é a confirmação de que, quase uma década depois, aquela safra continua produzindo histórias para contar.
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