Os clubes russos e a seleção estão suspensos das competições da FIFA e da UEFA desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022. No entanto, Infantino afirmou esta terça-feira à Sky Sports que essa "suspensão não alcançou nada, apenas gerou mais frustração e ódio."
"Permitir que meninas e meninos da Rússia possam jogar futebol em outras partes da Europa seria benéfico", acrescentou o dirigente da Federação.
O diretor-geral do Shakhtar Donetsk, Palkin, respondeu com um comunicado enviado à imprensa, no qual apelou ao presidente da FIFA para que reconsidere a sua posição.
"A posição do presidente da FIFA, Gianni Infantino, sobre o possível retorno das equipes russas às competições internacionais representa uma total desconexão da realidade e me deixa profundamente decepcionado. A realidade é esta: estamos sobrevivendo a uma guerra em larga escala há quatro anos", declarou.
Palkin ainda ressaltou a devastação provocada pela guerra e afirmou que, se Infantino aceitasse o convite para visitar a Ucrânia, perceberia o sofrimento que o país já enfrenta.
"Centenas de milhares de pessoas foram mortas. Cidades foram destruídas. Infraestruturas civis, esportivas, energéticas e de aquecimento foram devastadas. As vidas de milhões de pessoas foram arruinadas. Quero perguntar publicamente ao senhor Infantino: o que o levou a fazer tal declaração neste momento?", questionou.
"E por que razão, após quatro anos de guerra, nunca veio à Ucrânia para ver com os seus próprios olhos o que se passa aqui? Que venha e veja como as pessoas vivem. Como as crianças jogam futebol em Carcóvia, Zaporíjia, Dnipro, Kiev e Lviv – sob o som das sirenes de ataque aéreo, junto a abrigos antibomba, sob a ameaça constante de mísseis e drones", escreveu.
O dirigente completou convidando o presidente da FIFA para assistir ao primeiro jogo do Shakhtar na temporada, em fevereiro. Mas sem deixar de lembrar os que sofreram com a guerra.
"Que fale com os nossos jogadores – com Dmytro Riznyk, que perdeu o irmão na guerra, e com Denys Tvardovskyi, cujo pai também foi morto defendendo a Ucrânia", finalizou.
A posição de Infantino, expressa nesta terça-feira (3), pareceu inequívoca. O seu desejo é que os atletas e equipes de futebol russas possam voltar a competir e deixem de ser penalizados pelo local onde nasceram. No entanto, a resposta emotiva de Palkin certamente dará ao presidente da FIFA motivos para refletir.
Leia a entrevista exclusiva com o brasileiro Pedrinho, estrela do Shakhtar Donetsk
