Se, de um lado, o Brasil terá à disposição os jovens Endrick e Rayan, que estão entre os 20 jogadores mais novos da Copa de 2026 com 19,9 anos — são 1.248 atletas no total —, de outro a Seleção comandada por Carlo Ancelotti é a mais velha que o país já levou para um Mundial desde 1930. Com média de 29,2 anos, o grupo atual é quase cinco anos mais velho do que o dos tricampeões do mundo.
No recorte da Copa que começa em 11 de junho, no estádio Azteca, na Cidade do México, a primeira da história com 48 seleções, o Brasil também aparece entre os times mais experientes do torneio. Entre os campeões mundiais, só tem média de idade inferior à da Argentina. No ranking geral, ocupa a sexta colocação. O Panamá, com média de 30,4 anos, lidera a lista das equipes mais velhas.

O Brasil mais experiente de todos os tempos
A longevidade dos atletas de alto nível é uma realidade consolidada. Se durante boa parte do século 20 um jogador com mais de 35 anos em uma Copa do Mundo era visto como uma exceção, hoje isso se tornou relativamente comum. Os números da FIFA mostram que a presença de veteranos no principal torneio do futebol mundial cresceu de forma consistente nas últimas décadas, refletindo avanços na preparação física, na medicina esportiva e até mesmo na gestão de carreira dos atletas.
A transformação aparece de forma clara na lista dos jogadores mais velhos a marcar gols em Copas. Dos 10 atletas mais velhos a balançar as redes em Mundiais, sete disputaram torneios a partir de 1994. O recordista absoluto é o camaronês Roger Milla, que marcou contra a Rússia na Copa de 1994 aos 42 anos e 39 dias — uma marca que permanece intacta há mais de três décadas e ajuda a dimensionar o caráter excepcional de sua longevidade esportiva.

Mas o que antes parecia um feito isolado tornou-se cada vez mais comum. Em 2014, o marfinense Didier Drogba entrou para o grupo dos veteranos goleadores ao marcar aos 36 anos. Em 2018, o australiano Tim Cahill balançou as redes aos 38. Já na Copa de 2022, dois novos nomes passaram a integrar a lista histórica: o canadense Atiba Hutchinson, aos 39 anos, e o português Cristiano Ronaldo, que marcou contra Gana aos 37 e se tornou o primeiro jogador a fazer gols em cinco Copas diferentes.
O craque português pode ampliar sua própria marca em 2026. Com 41 anos e 35 dias na abertura do torneio, ele será o segundo jogador mais velho da competição. Ainda assim, não conseguirá alcançar Roger Milla na lista dos artilheiros mais veteranos da história dos Mundiais.

A tendência não aparece apenas entre os goleadores. Entre os dez jogadores mais velhos a entrar em campo em Copas do Mundo, sete participaram de edições realizadas a partir de 2010. O recorde pertence ao goleiro egípcio, que atuou na Copa da Rússia, em 2018, com 45 anos e 161 dias. Na ocasião, ele ainda defendeu um pênalti diante da Arábia Saudita. Antes dele, o colombiano Faryd Mondragón havia se tornado o primeiro atleta da história a disputar um Mundial depois dos 43 anos.
Se Roger Milla parecia uma raridade em 1994, o futebol moderno mostra que envelhecer deixou de ser, necessariamente, um obstáculo para permanecer no maior palco do esporte. Na Copa da América do Norte, além dos goleiros veteranos, nomes como Lionel Messi, Luka Modric e Cristiano Ronaldo liderarão suas seleções já próximos ou acima dos 40 anos.
Os jovens pedem passagem
Os dados etários dos jogadores convocados para a Copa também mostram que a distância entre os mais novos e os mais experientes vem aumentando de forma consistente. Os adolescentes estão ganhando a confiança dos treinadores cada vez mais cedo.
Na Copa de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão e vencida pelo Brasil, havia apenas três jogadores com menos de 19 anos: os nigerianos Femi Opabunmi e Bartholomew Ogbeche, além do russo Dmitriy Sychev. O atacante russo, inclusive, entrou para a lista dos jogadores mais jovens a marcar um gol em Mundiais.
Oito anos antes, no tetra conquistado pelo Brasil nos Estados Unidos, havia apenas um atleta com menos de 19 anos entre os convocados das 24 seleções participantes: o zagueiro camaronês Rigobert Song.

Agora, novamente em solo norte-americano, o cenário é outro. Em relação a 2002, o número de jogadores com menos de 19 anos cresceu 333%. A lista passou de 3 para 13 atletas.
O mais jovem de todos é o meio-campista mexicano Gilberto Mora, que iniciará a competição com 17 anos e 240 dias. Ele simboliza uma geração que chega ao futebol profissional cada vez mais cedo e que encontra menos barreiras para alcançar o principal palco do esporte.
A ampliação da Copa para 48 seleções ajuda a explicar parte desse fenômeno, mas não é a única razão. O futebol moderno produz talentos em velocidade cada vez maior, enquanto os avanços físicos e tecnológicos permitem que jogadores experientes prolonguem suas carreiras por mais tempo.
O resultado é uma Copa de extremos. De um lado, adolescentes que ainda não completaram 18 anos. Do outro, veteranos que ultrapassaram os 40. Entre o mexicano Gilberto Mora e o goleiro escocês Craig Gordon, o jogador mais velho do torneio, há mais de 25 anos de diferença. Em um Mundial que terá o Brasil mais experiente de sua história, a principal marca da edição de 2026 talvez seja justamente essa: nunca houve tanto espaço para jogadores de gerações tão distantes compartilharem o mesmo palco.
------------------------
Patrocinado
Não fique de fora!
Assista a todos os jogos da Copa do Mundo ao vivo pela CazéTV no plano Premium do Disney+ a R$ 19,90/mês.
Oferta por tempo limitado. Assine já!
-------------------------

