Exclusivo: Kauã Elias abre o jogo sobre Flu, Fla e futuro na Europa; veja entrevista

Kauã Elias, do Shakhtar, concedeu entrevista exclusiva ao Flashscore
Kauã Elias, do Shakhtar, concedeu entrevista exclusiva ao FlashscoreFlashscore / Shakhtar Donetsk

Kauã Elias deixou o Fluminense no início de 2024 e escolheu um destino comum para jovens brasileiros: o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. O atacante se firmou nesta temporada e ganhou destaque, mas seu nome também virou protagonista de especulações sobre um possível retorno ao Brasil.

Em entrevista exclusiva ao Flashscore, Kauã Elias falou sobre passado, presente e futuro. O jovem de 19 anos recordou histórias no Fluminense, desde os gols até as polêmicas, e não se privou de responder se atuaria no Flamengo.

Com 11 gols em 26 jogos pelo Shakhtar nesta temporada, Kauã começa a chamar a atenção das grandes ligas europeias. E o atacante também revelou ao Flashscore quais são os clubes em que sonha atuar desde criança.

A conversa ocorreu enquanto Kauã Elias estava no Brasil para o recesso de inverno do futebol ucraniano. O elenco do Shakhtar se reapresenta nesta terça (13) em Antalya, na Turquia, para a intertemporada. 

Confira os principais trechos da entrevista.

Chegada ao Shakhtar e sonho de criança

Como foi a adaptação no Shakhtar? Foi difícil chegar a um país em guerra?

O começo foi um pouco difícil, confesso, por estar longe da família, muito frio, muita diferença de estilo de jogo. Mas depois que minha família chegou eu consegui me sentir melhor, me entrosar no time e pegar mais o estilo de jogo. Como consequência disso, pude desempenhar bem nos jogos, fazendo gols, dando assistências e ajudando o time.

O Shakhtar tem essa tradição de vários jogadores brasileiros no elenco. Isso facilitou muito a adaptação?

Claro, isso ajuda muito. Chegar em um país com língua e costumes bem diferentes, e ter pessoas que já estão há mais tempo, ou que estão ali para te ajudar, que entendem a sua língua… Fica muito mais fácil. Isso ajuda não só a mim, como a todos os brasileiros que estão lá.

De quem você está mais próximo no dia a dia?

Do Isaque. A gente jogou junto na base do Fluminense e no profissional também. A gente se conhece desde os 11 anos de idade, foi subindo e jogando junto, então ele é a pessoa de quem fico mais próximo.

O Shakhtar tem essa tradição de potencializar os brasileiros e depois vender para clubes maiores da Europa. Você já sonha com isso? Existe um clube ou uma liga especial que você tenha o sonho de jogar?

Sonhar a gente sempre sonha. Desde criança, sempre falei que um dos meus sonhos era jogar no Chelsea ou no Milan. Mas eu não tenho escolha. Claro que vou querer também se tiver interesse de outro time de primeira da Europa, mas meus sonhos de infância são Chelsea ou Milan.

Kauã Elias e Isaque
Kauã Elias e IsaqueReprodução/Instagram

Crescimento no Flu

No Fluminense, você ganhou espaço quando o time brigava contra o rebaixamento. Para um jogador jovem, é mais fácil ou mais difícil receber oportunidades nesse momento?

Isso é questão de preparo, porque uma hora a sorte chega. Você vai jogar e tem que estar pronto, preparado. Eu sempre estive preparado para todos os momentos. Treinava muito, estava sempre me preparando fora de campo, com academia, personal. Então eu sentia que estava preparado para quando esse momento chegasse. Quando chegou, pude ser feliz de começar a fazer os gols e desempenhar meu futebol.

Mas confesso que é um pouco difícil para um moleque que sai da base, onde não tem torcida, e vai para o Maracanã com 50 mil pessoas. É complicado, mas não levo isso como pressão, e sim como motivação. Querendo ou não, estou realizando o sonho de jogar no Maracanã e as pessoas gritarem meu nome depois de um gol.

Logo depois de seu primeiro gol, contra o Criciúma, você disse: ‘Coloca a rapaziada para jogar’. Depois falaram que essa entrevista pegou mal entre os jogadores experientes. Teve isso mesmo? Rolou uma bronca no vestiário?

Não, não. Foi mais tranquilo. É muita coisa da mídia. Eles (veteranos) entenderam quando eu falei, foi um momento de felicidade, que eu estava extravasando, e jamais ia querer tirar o mérito deles. Entenderam e levaram numa boa, mas a mídia tem muito disso, muita fofoca, então passaram como se tivesse algo de errado ali. Era um momento ruim em que a gente estava também, então qualquer fiascozinho já era um motivo para gerar outras coisas.

Logo depois que você se firmou, veio uma sequência de várias vitórias por 1 a 0 com gols seus. Como o jogador se sente nesse momento? Tudo dá certo?

Você se sente num momento muito feliz, muito leve para fazer as coisas, e elas vão acontecendo naturalmente. Nesse momento eu fui muito feliz tanto dentro de campo quanto fora, minha família toda. Era uma felicidade sem tamanho porque eu estava realizando não só meu sonho, mas de toda a minha família, dos meus amigos, dos meus primos. Era todo mundo muito, muito feliz.

Você surgiu numa época que o Cano estava passando por problemas físicos, e isso acabou abrindo espaço. Mas como foi esse contato com ele no dia a dia, desde o seu começo no profissional? Teve algum papo de igual para igual? Rolaram algumas dicas?

A relação com o Germán sempre foi boa. Ele sempre ajudou desde que eu cheguei, por conta de ouvir da base. Essas pessoas mais experientes, que têm uma carreira no futebol, sempre tentam nos ajudar. E com ele não foi diferente, sempre me deu muitas dicas de finalização, posicionamento. De humildade também, de deixar a cabeça no lugar. 

É um ser humano incrível e que, além de tudo, é um jogador espetacular. É um ídolo do Fluminense. Levo ele como inspiração, porque é uma pessoa muito boa, de muito bom coração, e além de tudo, dentro de campo, faz o trabalho excepcionalmente. É um cara nota 10.

E em quem mais você se inspira, principalmente na função de centroavante?

A minha maior inspiração é o Ronaldo Fenômeno. Para mim, foi o melhor centroavante que já teve. E agora, um pouco do Mbappé também. Gosto muito do estilo de jogo dele.

Kauã Elias fez 7 gols pelo Fluminense
Kauã Elias fez 7 gols pelo FluminenseLucas Merçon/Fluminense FC

"Não aconselho ninguém a passar"

Na arrancada do Fluminense, foi tudo definido na última rodada. Nesse meio tempo teve a confusão da saída do Marcelo, os bastidores tumultuados. Como foi essa trajetória para escapar do rebaixamento? Como estava o clima?

Foi muito difícil. A gente ficou um bom tempo nessa briga para não cair. Só quem estava lá sabe o que a gente passou de pressão. A torcida indo ao CT fazer protesto, sair na rua e ser xingado, ser vaiado no estádio… É uma coisa muito, muito ruim, que eu não aconselho ninguém a passar se não tiver cabeça. Era muito difícil porque qualquer coisa era motivo de uma briga no time, de uma discussão.

Por conta de pressão externa, o interno acabava se prejudicando. Era bem complicado, mas graças a Deus a gente conseguiu sair dessa zona de rebaixamento, não caiu. Fico muito feliz por poder ter ajudado pelo menos um pouco, da torcida me lembrar como alguém que ajudou bastante o Fluminense. Eu fico muito, muito grato por isso.

Passado esse sufoco do rebaixamento, você ganhou a camisa 9 do Fluminense e começou o ano já fazendo gol. Logo depois, foi vendido. Para a torcida, ficou uma sensação de que essa união foi interrompida antes da hora. Você também sentiu isso? Teve o Mundial no ano passado... Ficou uma pontinha de querer ter participado?

Não posso negar que sim. O Shakhtar aconteceu do dia para a noite, eu não estava sabendo de nada. Querendo ou não, era uma proposta muito boa para o time e para mim. O time vinha de uma fase muito ruim, foi um ano muito difícil. Sempre falo com meus amigos e minha família que, se eu ficasse mais, poderia ter desempenhado muito mais ainda. Creio que ia amadurecer muito como jogador, igual estou amadurecendo agora. Já fiz 11 gols na metade da temporada, então acho que eu só iria amadurecer e poder ajudar ainda mais o time. 

Mas as coisas são sempre todas feitas por um propósito, e Deus organizou tudo certinho para que essas coisas pudessem acontecer. Sou muito grato pelo tempo que passei no Fluminense, por como ajudei, pelas coisas que aconteceram… Mas  fiquei com vontade mesmo de ter feito mais gols, de ganhar mais títulos, mas fico feliz pela trajetória também.

Os números de Kauã Elias
Os números de Kauã EliasFlashscore

Jogaria no Flamengo?

Estamos em uma época de muitas especulações, e às vezes é difícil filtrar o que há de concreto. Então queremos saber: algum clube te procurou nesta janela de transferências? E algum clube do Brasil, sendo mais específico?

Não que eu saiba. Sempre deixo essas coisas para os meus empresários, meu avô e meu pai. É claro que acompanho a internet, às vezes as especulações também, mas não chegou nada concreto de nenhum time. Continuo trabalhando firme. Estou focado no Shakhtar, estou feliz também. Deixo as coisas na mão dos meus empresários, do meu pai, do meu avô e de Deus também. Sei que ele vai traçar o caminho certo.

Uma dessas especulações envolve o nome do Flamengo, e existe um histórico recente de Moleques de Xerém indo para lá. Você jogaria no Flamengo?

É uma pergunta muito complicada. Sou muito grato ao Fluminense por tudo que fez por mim, e também sou profissional. Não tenho como falar onde eu jogaria ou onde não jogaria, porque na carreira de jogador você não decide para qual time vai. Se um time quer te comprar e o time em que você está quer te liberar, e é uma boa proposta, você tem que ir.

É questão de ser profissional. São coisas que podem acontecer, como também podem não acontecer. Mas sempre falei que sou muito grato ao Fluminense por tudo, por ter me acolhido, por ser um time que abriu as portas para mim desde pequeno. Deixo essas coisas com papai do céu, porque eu sei que ele está cuidando.

Kauã Elias comenta especulações e não descarta Flamengo
Flashscore

Uma palavra, uma resposta

Fluminense?

Amor.

Shakhtar Donetsk?

Sonho.

Germán Cano?

Ídolo.

Mano Menezes?

Paizão.

Marcelo?

Mágico.

Isaque?

Parceiro.

Paulo Henrique Ganso?

Maestro.

Alisson Santana?

Cupincha.

Fernando Diniz?

Incrível.

Kauã Elias em Flamengo x Fluminense
Kauã Elias em Flamengo x FluminenseLucas Merçon/Fluminense FC