Nesta conversa exclusiva com o Flashscore, sua primeira grande entrevista desde o anúncio da candidatura, Vega apresenta sua visão para o esporte e pede transparência, responsabilização e um diálogo democrático genuíno.
Vega conhece bem as falhas profundamente enraizadas na estrutura política da FIFA, e se diz determinado a reformar um ecossistema que há muito tempo prioriza o lucro em detrimento do bem-estar dos jogadores. A eleição será em 2027.
Confira a entrevista na íntegra:
• Flashscore: Como você tomou a decisão de concorrer à presidência da FIFA depois de ter considerado isso no passado?
Não é algo que surgiu recentemente. É uma ideia que começou há mais de 10 anos. Nunca a abandonei e tentei a cada quatro anos. Mas, como mencionei no anúncio da minha candidatura, na política do futebol as alianças estão sempre mudando. Em um dia você tem apoio; no dia seguinte, eles vão para outro lado.
Esses últimos 10 anos foram um verdadeiro processo de aprendizado para mim sobre o lado político do esporte — entender como as coisas funcionam nos bastidores. Isso me mostrou como o sistema é fechado. Eles querem impedir a entrada de qualquer pessoa porque querem permanecer no poder para sempre. Para mim, é fundamental abrir esse ecossistema e colocá-lo nos padrões do século 21. A FIFA não está estruturada para governar neste século. Precisa de reformas profundas.

• Você acha que terá o apoio de outras federações? Em 2015, não conseguiu reunir apoio suficiente. Já conversou com alguma federação disposta a apoiá-lo?
Conversei com elas, e o apoio existe. Não posso revelar nomes neste momento, mas elas já demonstraram grande interesse e apoio. É claro que ainda há muito trabalho a fazer entre agora e 18 de novembro. Mas o mais importante é que o apoio existe.
• A Suíça decidiu não apoiar Gianni Infantino. Você é suíço. O que essa decisão significa para você?
Quanto à Suíça, fui capitão da seleção; vesti a camisa e joguei por ela. Um pouco de respeito seria bom. Mas, no futebol e na política, sempre existem diferenças. Posso ser suíço, mas a FIFA é uma organização global com 211 associações-membro.
Naturalmente, eu ficaria orgulhoso se minha federação de origem me respeitasse e oferecesse seu apoio. No entanto, também preciso me concentrar em todos os outros, porque, para promover uma mudança e uma reforma reais, é preciso ter todos a bordo. É um processo democrático, e eles precisam saber que agora existe uma alternativa viável.
Até a UEFA tem falado muito sobre reformas ultimamente, mas palavras são uma coisa. Não estou trazendo apenas palavras; estou vindo para agir agora. Não comecei hoje: trabalho nisso há 10 anos. Portanto, eles querem mudar o sistema ou querem deixá-lo como está e apenas assistir de fora.
Quais os pilares do projeto de Vega
• Na sua visão, qual foi a pior decisão tomada pela FIFA nos últimos 10 anos sob o comando de Infantino?
Há várias, mas o período recente é claramente o pior capítulo de todos. As questões fundamentais são a honestidade, a transparência e a integridade do futebol. Esses são pilares essenciais que não podem simplesmente ser deixados de lado. Mas o passado ficou para trás; precisamos olhar para a frente. A realidade é que hoje só falamos de dinheiro, e não do futebol em si, que precisa urgentemente ser reformado.
• Quais são os pilares fundamentais do seu projeto e do seu plano?
O principal ponto é reestruturar e restabelecer o diálogo, juntamente com uma reforma profunda na governança da FIFA, com foco na implementação adequada e na consulta. Nos primeiros 100 dias, precisamos colocar todos os envolvidos à mesa — jogadores, ligas, todos — porque é necessário haver um diálogo democrático. Também precisamos discutir o calendário internacional de partidas para estabelecer uma base sólida para o formato do jogo.
• Qual você considera a reforma mais necessária e urgente?
A questão mais urgente é a forma como o conselho executivo da FIFA governa. Precisamos nos afastar de um modelo autocrático. Deve haver responsabilização do presidente, mas também do secretário-geral. Temos que acabar com a autocracia e substituí-la por um diálogo democrático. Isso é crucial para que qualquer nova iniciativa seja discutida e reformulada democraticamente antes de ser apresentada.
• O que você pensa sobre a Copa do Mundo expandida e os novos formatos de torneio?
O formato em si não é o verdadeiro problema; o problema é o calendário dos jogadores. Você pode criar 40 mil formatos diferentes se quiser; essa é a parte fácil. Mas o calendário internacional já está completamente saturado. Estamos constantemente ditando o que os jogadores devem fazer todos os dias.
Como resultado, a qualidade dos jogadores cai, o valor do entretenimento diminui e os jogadores precisam se preocupar com sua saúde física. Esse é o ponto central. É absolutamente essencial manter um diálogo forte sobre isso, encontrando um equilíbrio justo entre os interesses comerciais e a saúde dos jogadores.

• Uma última coisa: falando com sinceridade, quais você acha que são suas chances de se tornar o próximo presidente da FIFA?
Se eu entrasse nessa disputa achando que não teria chance, não concorreria. Estou entrando 100% comprometido. É como ser um atleta profissional: joguei futebol e conquistei troféus.
Se eu entrar no gramado com a mentalidade de que já perdi, não deveria entrar em campo.
