Estrelas do Super Bowl revelam se preferem gramado natural ou sintético

Patriots e Seahawks se enfrentaram na grama natural no Super Bowl LX
Patriots e Seahawks se enfrentaram na grama natural no Super Bowl LXPATRICK T. FALLON / AFP

A Copa do Mundo de 2026 anda causando certa indignação entre jogadores da NFL, liga cuja metade dos estádios utilizam grama sintética.

Quando o New England Patriots viajou para a Califórnia no último fim de semana para se preparar para o Super Bowl, a franquia começou a remover o gramado artificial do seu estádio. O Gillette Stadium em Foxborough, Massachusetts, sediará sete partidas da Copa de 2026, e a FIFA exige que todos os estádios tenham grama natural.

Essa conversão dos campos da NFL intensificou a indignação entre seus jogadores, que preferem jogar em grama natural e questionam por que seus proprietários estão dispostos a atender às exigências de outros esportes, enquanto os forçam a continuar jogando em superfícies sintéticas.

"A grama natural é muito melhor para os joelhos, quadris e articulações", disse Nick Kallerup, tight end do Seattle Seahawks, que venceu o Super Bowl deste domingo contra o Patriots em Santa Clara, na Califórnia.

O gramado artificial, por outro lado, "é como correr sobre concreto", observou o jogador do Seahawks, cujo estádio, o Lumen Field, passará pela mesma transformação para a Copa do Mundo.

"Eu realmente gosto de jogar na grama", concordou o linebacker do Patriots, Chad Muma. "Quanto mais velho você fica, mais fácil é para o corpo se recuperar depois do jogo".

Essa questão é uma preocupação antiga da Associação de Jogadores da NFL, que a levantou novamente em sua coletiva de imprensa anual antes do Super Bowl deste domingo.

Mais de 90% dos seus membros preferem grama natural, disse o diretor executivo interino David White, citando dados que mostram que o "retorno de energia" das superfícies artificiais é muito maior.

"Isso reforça o que os jogadores estão dizendo com base em sua experiência e bom senso: é mais prejudicial para o corpo", comentou.

Vários jogadores disseram à agência AFP que acreditam haver um risco menor de lesões em gramados naturais.

O Super Bowl foi jogado muitas vezes no sintético
O Super Bowl foi jogado muitas vezes no sintéticoČTK / AP / JOHN GAPS III

"Há menos chances de o pé ficar preso. Tenho a impressão de que não se vê tantas lesões sem contato em gramados naturais", disse o linebacker do New England Patriots, Jack Gibbens.

A NFL, por sua vez, afirma que qualquer diferença no número de lesões entre as superfícies é estatisticamente insignificante, mas o sindicato dos jogadores acusa a liga de usar dados de uma temporada atípica para sustentar sua posição.

Grama nova

O Levi's Stadium em Santa Clara, palco do Super Bowl e casa do San Francisco 49ers, utiliza grama natural, assim como aproximadamente metade dos estádios da NFL.

Para o grande jogo deste domingo, um novo gramado foi instalado no mês passado, proveniente de uma fazenda próxima e cuidadosamente cultivado sob luzes LED cor-de-rosa.

Os responsáveis estão determinados a evitar a repetição dos problemas do último Super Bowl realizado no estádio em 2016, quando até mesmo o time vencedor, o Denver Broncos, reclamou da superfície "terrivelmente" escorregadia.

A qualidade da grama natural é um ponto crucial no debate com a grama artificial, que os jogadores costumam chamar de "turf".

"Para mim, grama de má qualidade é pior do que o turf", disse Gibbens. Em locais com invernos úmidos e rigorosos, os gramados naturais "podem ficar um pouco problemáticos no final da temporada".

Problemas na Copa América não devem se repetir

No passado, quando estádios da NFL recebiam partidas de futebol, muitas vezes simplesmente colocavam grama temporária sobre o gramado sintético.

As superfícies irregulares resultantes geraram fortes críticas durante a Copa América de 2024, com jogadores frustrados com os campos que pareciam "trampolins".

Para a Copa do Mundo, os padrões foram elevados, e os estádios da NFL estão instalando sistemas caros de irrigação e ventilação que permitirão que a grama se enraíze por várias semanas antes do torneio, que será realizado de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá.

De qualquer forma, estádios como o de Seattle voltarão a usar gramado artificial após a Copa do Mundo, pois é mais prático para a realização de eventos não esportivos, desde shows musicais até apresentações de "Monster Truck".