Desde então, a seleção pentacampeã mundial vive um ciclo que não condiz com as cinco estrelas que carrega no peito. Foram quatro treinadores diferentes, falta de comando e muita incerteza. A queda nas quartas da Copa América e a derrota por 4 a 1 para a Argentina são episódios emblemáticos desse período.
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Os algozes do Brasil, por outro lado, viveram um ciclo de estabilidade. Não tiveram o brilho que muitos poderiam esperar após um vice e um terceiro lugar em Copas do Mundo, é verdade, mas houve consistência.

Para o confronto desta terça (31) contra o Brasil, os croatas chegam embalados por uma sequência de nove jogos de invencibilidade, com oito vitórias no período.
A Euro 2024 foi decepcionante. Em uma chave com Itália e Espanha, os croatas não passaram da fase. Mas a equipe, comandada desde 2017 por Zlatko Dalic, reagiu e venceu o seu grupo das eliminatórias para a Copa com extrema facilidade. Foram seis pontos a mais em relação à segunda colocada, a República Tcheca.
Na última quinta (26), pouco depois da derrota do Brasil para a França no Gillette Stadium, em Foxborough, a Croácia venceu, de virada, a seleção colombiana por 2 a 1, em Orlando.
Uma das principais forças dessa seleção é a manutenção da base que alcançou tanto sucesso nos dois últimos Mundiais. Em relação ao elenco semifinalista de 2022, há 13 remanescentes entre os atuais convocados.
Por um lado, há um envelhecimento do time. Luka Modrić (40), o rosto dessa geração, vai para sua última Copa. Outros nomes de peso, como o goleiro Livakovic (31), o meia Pašalić (31) e os atacantes Perišić (37), Kramarić (34) e Budimir (34), já passaram da barreira dos 30 anos.
Por outro, há, aos poucos, a introdução de jovens talentos, dando início à renovação da seleção croata.

Os veteranos
Modrić ainda é uma estrela. O vencedor do prêmio The Best da FIFA em 2018 segue atuando em alto nível no Milan, aos 40 anos. É sua primeira temporada longe do Real Madrid após 13 anos. Se entrar em campo contra o Brasil, chegará a incríveis 196 jogos com a seleção, podendo alcançar os 200 no Mundial.
Livaković, grande nome da campanha de 2022 ao defender quatro pênaltis em disputas — incluindo o de Rodrygo contra o Brasil —, segue como homem de confiança de Dalic no gol. Ele chegou a viver um momento de incerteza no início da temporada, quando era reserva no Girona, onde estava emprestado pelo Fenerbahçe.
Quando precisou ser acionado, recusou-se a jogar, pois isso o impediria de se transferir para outro clube e diminuiria suas chances de convocação. Na janela, foi para o Dinamo Zagreb, onde é titular.
Ivan Perišić está no PSV, onde soma 19 participações em gols na temporada, média de uma a cada dois jogos. Mario Pašalić está em sua oitava temporada como titular na Atalanta e, mesmo faltando um mês e meio para o fim dela, já vive seu terceiro ano mais artilheiro pelo clube italiano, com nove gols marcados.

Andrej Kramarić, que possui 113 jogos e 36 gols pela seleção, já marcou 11 vezes na temporada pelo Hoffenheim, além de somar sete assistências. É o oitavo na lista de artilheiros da Bundesliga.
Por fim, Ante Budimir vive grande momento no Osasuna. Ele mantém uma média de 0,52 gol por jogo nas últimas três temporadas e busca repetir o sucesso do clube na seleção, onde possui média de 0,17 gol por partida na carreira.
Os demais jogadores que estiveram no elenco de 2022 e estão presentes na atual convocação são: Vlašić, Luka Sučić, Stanišić, Šutalo, Majer, Jakić e Erlić.
A renovação croata
No quesito renovação, há alguns destaques. O primeiro deles está na zaga. No último amistoso contra a Colômbia, Dalic iniciou a partida com uma linha de três defensores e, fazendo o papel de líbero, estava Luka Vušković, jogador de apenas 19 anos que atua no Hamburgo, da Alemanha, e marcou o gol de empate logo aos seis minutos de jogo.
Aliás, ele tem fama de zagueiro artilheiro. Só nesta temporada, balançou a rede cinco vezes em 24 jogos da Bundesliga. Na temporada passada, foram sete gols em 36 jogos pelo Westerlo, da Bélgica.

Com 1,93m, o zagueiro croata é visto como a nova promessa do país, sendo comparado a Gvardiol. Seu desempenho já desperta o interesse de gigantes como Barcelona, Liverpool e Chelsea.
Falando em jovens artilheiros, Igor Matanović, 23, autor do segundo gol da Croácia contra a Colômbia, é outro exemplo. Ele joga no Freiburg, da Alemanha, país onde nasceu. Vive um momento de ascensão no clube, onde conquistou a titularidade ao longo da temporada.
Os pais do atacante são refugiados da guerra da antiga Iugoslávia — croatas que viviam na Bósnia — e chegaram à Alemanha ainda adolescentes. Matanović defendeu a seleção alemã nas categorias de base, mas um convite de Dalic, em 2022, fez com que mudasse de rumo e passasse a defender a Croácia.
Na seleção, teve suas primeiras oportunidades como titular durante a Liga das Nações de 2024, mas só voltou a ser chamado por Dalic na última convocação de 2025. Assim como no clube, vem ganhando espaço e foi titular contra Montenegro, na última partida das Eliminatórias, e contra a Colômbia no amistoso mais recente.

Embora a vaga no time ainda seja dos veteranos Kramarić e Budimir, é um sinal de que Dalic já olha para o futuro, pensando na renovação da equipe e preparando peças que podem ganhar destaque já no Mundial de 2026.
Outra surpresa contra a Colômbia foi ver Modrić no banco — mais um teste de Dalic. Na vaga do veterano, atuaram Nikola Moro e Petar Sučić pelo meio. Sučić tem apenas 22 anos, é titular da Inter de Milão em sua primeira temporada no clube italiano e também na seleção. É um dos grandes símbolos dessa renovação.
Moro, de 28 anos, também joga na Itália: está há quatro temporadas no Bologna e deve disputar sua primeira Copa.
Atletas em recuperação
Para os amistosos contra Brasil e Colômbia, Dalic não pode contar com dois nomes de peso que atuam no Manchester City. O primeiro deles é Mateo Kovačić. O meia jogou apenas 37 minutos na temporada e não atua desde outubro.
Demorou a estrear após uma cirurgia no tendão de Aquiles na última intertemporada e, logo que voltou, sofreu uma lesão no tornozelo que o obrigou a passar por uma nova cirurgia. Ele está próximo do retorno e, se tudo correr bem, deve ter sua vaga garantida na Copa.

O outro desfalque de peso é Joško Gvardiol. O zagueiro sofreu uma fratura na fíbula da perna direita em janeiro e dificilmente voltará a jogar pelos Citizens na atual temporada. Seu status para a Copa, porém, é incerto.
Dalic deixou claro que Gvardiol é indispensável e pretende convocá-lo mesmo que chegue sem ritmo de jogo. A ideia é usar os amistosos pré-Copa para dar condicionamento ao defensor. A previsão é que ele volte aos treinos com o grupo de Guardiola no fim de abril.
O amistoso entre Brasil e Croácia colocará frente a frente uma seleção que vive uma crise de identidade e outra que tem como principais marcas a consistência, a manutenção de base e uma renovação bem planejada.

Apesar da eliminação nos pênaltis em 2022, o Brasil nunca perdeu para os croatas: em cinco jogos foram dois empates e três vitórias. O duelo de terça será um grande teste para esse retrospecto.
O duelo acontece no Camping World Stadium, em Orlando. O Flashscore transmite a partida em áudio, a partir das 20h55, com narração de Daniel Kaiser.
