Além do abismo financeiro que separa as realidades dos dois clubes, os bancos evidenciam o contraste de projetos: de um lado Rogério Ceni, que ostenta o posto de segundo treinador mais longevo do Brasil à frente do Esquadrão.
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Do outro, Jair Ventura, que comanda o Leão da Barra em busca de consolidar o seu trabalho com uma taça sobre o maior rival.

Soberania rubro-negra no século
Desde o início do século, Bahia e Vitória já disputaram 14 finais de Campeonato Baiano, com o Leão da Barra levantando o troféu de campeão em 10 oportunidades. O Esquadrão levou a melhor sobre o rival em 2012, 2014, 2018 e 2025.
Em toda a história, os dois maiores clubes do estado se enfrentaram em 30 finais de estadual; o duelo deste sábado (7) irá desempatar o confronto direto em decisões, além de acirrar ainda mais a rivalidade entre as equipes.
O jogo será disputado na Arena Fonte Nova e contará apenas com torcedores do Bahia, atendendo à recomendação de torcida única do Ministério Público do Estado (MP-BA). Como teve a melhor campanha durante todo o torneio e segue invicto na competição, o Esquadrão garantiu o direito de decidir o título em jogo único dentro de casa.

Histórico em finais únicas é favorável ao Tricolor
Esta vai ser a 6ª vez que o Baianão definirá o campeão com apenas um Ba-Vi na fase decisiva. Nas edições de 1947, 1958, 1974, 1975 e 1981, o Esquadrão levou a melhor sobre o arquirrival e sagrou-se campeão.
Naquelas épocas, o empate no tempo normal forçava um novo duelo entre os finalistas, já que não havia a previsão de disputa por pênaltis. Contudo, em 2020, as adaptações no regulamento devido à pandemia introduziram as penalidades máximas para definir o campeão da temporada.
Após empate no tempo regulamentar, Bahia e Atlético de Alagoinhas decidiram o título na marca da cal, com o Tricolor garantindo seu 49º troféu.
Retrospecto de treinadores: Rogério Ceni leva a melhor sobre Jair Ventura

Rogério Ceni e Jair Ventura já duelaram sete vezes à beira do campo por diferentes equipes, sendo seis confrontos pelo Brasileirão e um pelo Campeonato Baiano. O encontro mais recente marcou o triunfo do Bahia sobre o rival em pleno Barradão, por 1 a 0.
No fim do ano passado, quando os dois já defendiam suas atuais cores, Jair Ventura levou a melhor ao virar o clássico sobre o Tricolor pela 28ª rodada do Brasileirão — vitória por 2 a 1, também no Barradão. Aquela foi a única vez que Jair conseguiu bater a equipe de Ceni no confronto direto entre os treinadores.
Além do retrospecto favorável diante do comandante do Vitória, Rogério carrega consigo números positivos em clássicos desde que desembarcou em Salvador, consolidando sua estratégia em jogos de grande pressão.

Equilíbrio financeiro x mística do clássico
Apesar da chegada do Grupo City em maio de 2023 e do consequente aporte financeiro superior do Bahia em comparação ao rival, os números apontam um equilíbrio no clássico Ba-Vi desde o novo momento do Esquadrão.
O cenário reafirma as velhas teses do futebol de que “clássico é clássico” e de que “nem sempre o favoritismo ganha jogo”.

Bahia sob pressão
A torcida tricolor já declarou que o título estadual virou obrigação para o Bahia, especialmente após a eliminação precoce para o O’Higgins na fase prévia da Libertadores.
Mesmo garantindo a vaga na final com uma goleada sobre a Juazeirense, a equipe não escapou das vaias e dos protestos vindos das arquibancadas da Arena Fonte Nova.

Willian José, um dos principais alvos das críticas da torcida, segue como um dos homens de confiança de Rogério Ceni e deve ser titular mais uma vez no clássico. Do lado rubro-negro, as esperanças estão depositadas em Renato Kayzer, que balançou as redes em dois dos três Ba-Vi’s que disputou com a camisa do Vitória.
Se o Bahia vencer, conquistará seu 52º título estadual. Já se o Vitória levar a melhor na casa do rival, alcançará sua 31ª taça do Campeonato Baiano.
