O atacante brasileiro ainda encontra espaços, conduz a bola, dá o último passe e aparece para finalizar. Os números da temporada ajudam a separar o Neymar de hoje daquele que ainda existe no imaginário do torcedor. Ele não está entre os jogadores que mais produzem chances a partir de jogadas individuais, mas continua sendo um dos que melhor transformam as oportunidades que encontra em gols e assistências.
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Memphis Depay também mudou de perfil. O atacante que chegou ao futebol brasileiro associado à força física, à condução e à capacidade de resolver jogadas por conta própria aparece hoje em outra função. Nos números desta temporada, sua participação no Corinthians é mais marcada pela presença perto da área e pela definição das jogadas do que pelo volume de ações individuais. Ainda pode decidir, mas não está produzindo a partir do drible na frequência que sua imagem sugere.

Os números dos dois prováveis personagens do clássico deste domingo, entre Corinthians e Santos, em Itaquera, embasam um veredito: Neymar é mais importante para o Santos do que Memphis para o Corinthians. A diferença não está tanto no talento ou no nome, mas no peso que cada um tem na produção ofensiva de seu time. Os dados consideram a participação dos dois jogadores na Série A, na Copa do Brasil e nas competições da América do Sul que cada time joga.
Neymar participou diretamente de 15 gols em 1.670 minutos, com oito gols e sete assistências. São 0,81 participações em gol por 90 minutos. Memphis tem duas em 575 minutos — um gol e uma assistência —, ou 0,31 por 90. A diferença fica ainda mais clara quando os dois são comparados aos demais jogadores ofensivos de seus elencos. Neymar é quem mais participa diretamente de gols por minuto no Santos; Memphis não aparece entre os principais produtores ofensivos do Corinthians.

No Santos, Gabigol tem mais gols (já anotou 8) e também chega mais vezes a situações de finalização. Neymar, porém, compensa o menor volume com uma conversão acima do que seu número de gols esperados indicaria. Rollheiser e Barreal, por sua vez, aparecem mais na criação de grandes chances. Neymar ocupa outro espaço nessa engrenagem: participa da construção, conduz, encontra o passe final e, quando a bola chega em condições de conclusão, tem sido eficiente.

O camisa 10 já não precisa vencer o marcador tantas vezes para decidir uma partida. Seu jogo depende mais daquilo que faz antes e depois do duelo individual. E, sobretudo, da capacidade de transformar essas escolhas em gol ou assistência.
No Timão, a estatística de jogadas individuais que terminam em chance criada é reveladora. Memphis não tem nenhuma ocorrência. Sua média de condução também está abaixo da de outros jogadores ofensivos do Corinthians. Com pouco mais de nove metros por condução, fica distante de nomes como Kaio César e Yuri Alberto. O dado não significa que tenha deixado de conduzir a bola ou que não possa superar adversários no um contra um, mas indica que essa não tem sido uma de suas principais formas de participação no ataque.

Seu peso aparece mais quando a jogada se aproxima do gol. Memphis criou duas grandes chances e, mesmo tendo disputado apenas 575 minutos, marcou uma vez e deu uma assistência. A amostra ainda é pequena para conclusões definitivas, mas indica um jogador mais envolvido na definição do que na construção de toda a jogada. Seu xG de 0,86 também mostra que o gol marcado veio de um volume relativamente baixo de oportunidades.
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A comparação com os demais atacantes ajuda a colocar esse desempenho em perspectiva. Yuri Alberto e Kaio César têm números maiores de gols esperados e chegam mais vezes às situações de finalização. Rodrigo Garro, por sua vez, aparece com muito mais participação na construção e na criação. Memphis ocupa um espaço diferente. Não é o jogador que mais movimenta o ataque nem o que mais produz chances a partir do drible, mas pode aparecer na parte final da jogada para concluir ou dar o passe decisivo.
