Chegamos na 3ª rodada do Brasileirão 2026 e o atual artilheiro da competição, Kaio Jorge, já experimentou a sensação que teve 21 vezes na temporada passada.
Confira a classificação completa do Brasileirão
Quebrando um recorde de 55 anos, Kaio Jorge conseguiu igualar o feito de Tostão, que conseguiu ser o líder de gols na Série A com a camisa do Cruzeiro em 1970. Mas os números e a história da última década mostram que o ano pós-artilharia do Brasileirão realmente não é tão simples para os goleadores.

Jejum no início da Série A não é novidade
O camisa 19 somou oito finalizações nas duas primeiras rodadas do Brasileirão deste ano. Nas derrotas contra Botafogo e Coritiba, o atacante só acertou a meta adversária em duas oportunidades, sem marcar.
A seca de gols na abertura do campeonato também aconteceu no ano passado. A artilharia de 21 gols só começou a ser construída a partir da 3ª rodada, noempate contra o São Paulo. Este ano, o craque repetiu o feito e marcou diante do Mirassol no terceiro jogo do ano pelo Brasileiro. Assim como Kaio Jorge no ano passado, Ricardo Oliveira viveu um jejum incômodo no início do Brasileirão de 2015 antes de se tornar artilheiro.
O atacante só conseguiu marcar pela primeira vez na 5ª rodada daquele ano. Na temporada seguinte, o número de gols do Pastor diminuiu em comparação à época da artilharia na Baixada Santista - 11 gols em 20 jogos.
John Kennedy dobra produtividade em 2026 e vira solução caseira para ataque do Fluminense
Olhando para os artilheiros do Brasileirão de 2016 e comparando com o ano seguinte, nota-se que, apesar dos três tomarem caminhos distintos, o resultado foi o mesmo: diminuição do número de gols no campeonato. William Pottker deixou a Ponte Preta para ajudar o Inter a retornar para a elite do futebol.
Na Série B, o atacante anotou 10 gols em 32 jogos com a camisa colorada. Já Diego Souza preferiu seguir sua carreira no Sport, marcando 11 gols em 27 partidas. Fred também permaneceu no seu clube e, com a camisa do Atlético-MG, fez 12 gols em 29 jogos do Brasileirão.
Vale destacar que Fred conseguiu um feito histórico como goleador do Brasileirão: ele é o único jogador artilheiro de três edições na era dos pontos corridos. Ao lado de Fred, apenas Pelé e Túlio Maravilha conseguiram este feito, mas na época em que o campeonato tinha outro formato de disputa.

Goleadores trocam de time
Depois da temporada de glórias no Brasileirão de 2017, os artilheiros daquele ano foram negociados para outros clubes. Enquanto Jô deixou o Timão para defender o Nagoya Grampus, do Japão, Henrique Dourado pulou o muro no Rio e trocou o Fluminense pelo rival, Flamengo, em 2018. A média geral de gols por jogo do Ceifador foi reduzida de 0,5 para 0,3 com a camisa rubro-negra. Jô teve números melhores atuando no país oriental, obtendo uma média de 0,64 gols por partida - superior ao ano em que foi artilheiro pelo time paulista.
Em 2019, o Flamengo repetiu o desejo de ter o artilheiro da temporada anterior no seu elenco e contratou Gabigol, líder de gols do Brasileirão de 2018. O ano de Gabriel com a camisa rubro-negra foi bastante produtivo, afinal, o atacante conseguiu ser, pela segunda vez consecutiva, artilheiro do Brasileirão - nenhum jogador conseguiu este feito na era dos pontos corridos.
Além disso, o centroavante levantou o título de campeão da Libertadores e do Brasileiro. Esses foram fatores cruciais para que o Flamengo adquirisse Gabigol de forma definitiva em 2020.

Artilheiros caem de rendimento no ano seguinte
Diferente do roteiro de Gabigol, quem olha para o 2021 de Luciano e Claudinho não acredita que eles lideraram o ranking de goleadores na temporada anterior. O atacante do São Paulo precisou de 22 jogos no Brasileiro para fazer 4 gols. Já Claudinho precisou de 25 jogos na temporada inteira para conseguir balançar as redes 3 vezes. O mau desempenho daquele ano não impediu o Zenit de seguir interessado no jogador do interior paulista, que passou quatro temporadas no futebol russo.
A queda no número de gols dos artilheiros do Brasileirão no ano seguinte ao do sucesso, se repetiu até o ano passado. Hulk, Germán Cano, Paulinho e Yuri Alberto seguiram nos seus clubes no ano consecutivo ao da artilharia, mas não conseguiram ser tão eficazes quanto nas temporadas em que chegaram à glória máxima dos goleadores.
O atacante atleticano, por exemplo, participou de 25 jogos no Brasileirão de 2022 - ano seguinte ao da artilharia - e marcou apenas 12 vezes. Germán Cano, líder entre os marcadores de 2022, precisou de 30 partidas para ir às redes em 10 oportunidades no Brasileirão de 2023.
O 2024 de Paulinho pelo Atlético MG também marcou uma redução no aproveitamento à frente do setor ofensivo. Em 2023, quando liderou o ranking dos marcadores, a média do atacante no Brasileirão era de um gol a cada 2 jogos. No ano seguinte, a média diminuiu para um tento a cada três partidas como titular pelo Galo - números muito parecidos com os da temporada 2025 de Yuri Alberto, que precisou de 58 jogos para marcar 19 gols no ano seguinte ao da artilharia pelo Corinthians.
O único que trocou de camisa na temporada seguinte foi Alerrandro, que deixou o Vitória para jogar no CSKA Moscou, da Rússia. Hoje o centroavante foi repatriado pelo Internacional.
Queda por cansaço
A redução no número de participações em gols dos artilheiros do Brasileirão nos anos seguintes ao da liderança do ranking pode ser explicada por diversos fatores, dentre eles, o aumento do número de jogos na temporada e o excesso de minutos em campo no ano de sucesso. Um exemplo disso é o de Hulk, em 2021. O camisa 7 esteve presente em 35 jogos do Galo pelo Brasileirão e atuou por 2931 minutos. Somando isso aos outros compromissos daquele ano, foram, ao todo, 68 partidas pelo Atlético MG com 5357 minutos em campo, o que dá uma média de 78 minutos jogados em cada partida.
Carlos Vinícius transforma reencontro com Brasil em série de hat-tricks pelo Grêmio
No Brasileirão atual, o atacante Carlos Vinícius, do Grêmio, e Danilo, do Botafogo, dividem a artilharia do torneio com 4 gols marcados até aqui. O centroavante gremista marcou seu 3º hat-trick com a camisa tricolor no duelo contra o Botafogo (5x3), pela 2ª rodada da competição.
Vale o destaque de que o último artilheiro do campeonato que terminou a competição vestindo a camisa do Grêmio foi Jonas, em 2010, com 23 gols.
