Desde a constituição da SAF em 2022, o Botafogo passou a integrar a Eagle Football, rede multiclubes liderada pelo empresário norte-americano John Textor. De acordo com o comunicado emitido pelo Glorioso, o grupo adotou um modelo colaborativo de gestão financeira e de atletas como estratégia competitiva.
Confira a tabela do Brasileirão no Flashscore
Esse intercâmbio rendeu frutos históricos para ambos os lados. No Botafogo, alavancou as campanhas que culminaram nos títulos da Copa Libertadores e da Série A do Brasileirão de 2024.

No Lyon, o aporte tirou a equipe francesa da zona de rebaixamento e de uma queda iminente no primeiro ano sob a gestão de Textor, garantindo vaga na Liga Europa.

A nota revela que a Eagle Football adquiriu o Lyon em situação de insolvência no fim de 2022, pressionada por bancos e sob ameaça de sanções da DNCG (órgão de controle financeiro do futebol francês). Diante deste cenário crítico, o Botafogo realizou aportes financeiros sucessivos que somam os R$ 745 milhões, sob a condição de que os valores seriam devidamente reembolsados.
Acompanhe Vasco x Botafogo com narração ao vivo no Flashscore
Ruptura e Transferban na FIFA
O cenário mudou drasticamente após conflitos internos entre os sócios da holding. A nova presidente do Olympique Lyonnais rompeu unilateralmente o acordo de colaboração e o clube francês se recusou a pagar a dívida bilionária com o Botafogo, além de um débito de 12 milhões euros com o RWD Molenbeek, da Bélgica (outro clube que integrava a holding).
Essa inadimplência gerou um efeito dominó no Rio de Janeiro. O calote do Lyon comprometeu o planejamento financeiro do Glorioso, afetando a capacidade de renovação e contratação de novos jogadores.
O impacto mais severo ocorreu no final de 2025, quando o Botafogo sofreu um Transferban aplicado pela FIFA (punição que impede o registro de novos atletas) devido aos desajustes no fluxo de caixa.
Próximos passos
O Botafogo tratou a judicialização do caso como um movimento irreversível. A diretoria da SAF afirmou que adotará todas as medidas legais cabíveis para recuperar integralmente o dinheiro e blindar o patrimônio do clube. Até o momento, o Olympique Lyonnais não se pronunciou publicamente sobre a ação protocolada na Justiça brasileira.
Confira a nota oficial do Botafogo na íntegra:
"Botafogo aciona Olympique Lyonnais na Justiça e cobra dívida superior a R$ 745 milhões.
O Botafogo protocolou, na última sexta-feira (3), ações contra o Olympique Lyonnais na Justiça, em razão de dívidas que ultrapassam R$ 745 milhões. O objetivo é assegurar o retorno dos valores devidos, fundamentais para o fortalecimento do projeto esportivo Alvinegro, e resguardar o patrimônio do Clube.
Como é de conhecimento público desde a incorporação da SAF, em 2022, o Botafogo passou a integrar o Grupo Eagle, rede multiclubes liderada por John Textor. Como estratégia competitiva foi adotado por todos os clubes do grupo um modelo colaborativo de gestão financeira e de atletas. Esse modelo contribuiu para conquistas históricas do Botafogo, como a CONMEBOL Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024. Para o Olympique Lyonnais, essa colaboração também teve um impacto histórico no primeiro ano sob o comando de John Textor, tirando o clube da zona de rebaixamento e queda iminente, e o classificando para a Liga Europa em apenas uma janela de transferência.
Eagle Football adquiriu o Olympique Lyonnais em situação de insolvência no final de 2022, com todos os bancos exigindo pagamento da dívida, e sob a ameaça de sanções pesadas do DNCG no primeiro dia de controle da Eagle.
Por esse contexto, o Botafogo realizou aportes financeiros sucessivos, totalizando mais de R$ 745 milhões, a título de empréstimos, com a clara expectativa de reembolso em condições previamente estabelecidas.
Posteriormente, em meio a conflitos internos entre sócios do Grupo Eagle, a nova presidente do Olympique Lyonnais rompeu unilateralmente o acordo de colaboração. Apesar de ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês deixou de cumprir as obrigações assumidas, recusando-se a efetuar o pagamento da dívida aos clubes do Grupo Eagle de R$745 milhões ao Botafogo, e outros €12 milhões ao RWDM Brussels. A inadimplência gerou impactos diretos na operação do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro e afetando a capacidade de renovação e contratação de atletas. Como consequência, o Clube foi, inclusive, alvo da aplicação de um Transferban pela FIFA no final de 2025.
A partir de agora, o Botafogo realiza esse movimento de forma irreversível: A SAF adotará todas as medidas legais cabíveis para recuperar integralmente os valores devidos pelo Olympique Lyonnais e assegurar a continuidade e a solidez de seu projeto esportivo".
