De Filipe Luís a Jardim: Flamengo troca posse por verticalidade e aposta em jogo letal

Estilo de Leonardo Jardim já começa a ser implementado com sucesso no Flamengo
Estilo de Leonardo Jardim já começa a ser implementado com sucesso no FlamengoJORGE RODRIGUES / AGIF / AGIF VIA AFP

Embora a amostragem ainda seja curta, Leonardo Jardim promove uma ruptura evidente com o estilo de retenção de bola implementado por Filipe Luís no Flamengo. O novo mister do Ninho do Urubu já deixou claro ser contra a posse estéril e, nesta quinta-feira (19), contra o Remo, às 20h, terá mais uma oportunidade de mostrar suas credenciais táticas pela 7ª rodada do Brasileirão.

O jogo vertical e objetivo, que rendeu elogios ao português em sua passagem pelo Cruzeiro, faz parte de sua marca registrada e passa agora a ser base da nova identidade rubro-negra. 

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"Acredito que a posse de bola tem um objetivo: de criar espaço ou superioridade sobre o adversário. Quando o adversário pressiona menos, temos mais posse. Quando pressionam mais, deixam espaços que vamos aproveitar", avaliou Jardim

O choque estatístico contra o Cruzeiro

Logo na estreia de Leonardo Jardim à frente do Flamengo no Brasileirão, o torcedor que acompanhou os números no Flashscore notou uma estatística incomum: o Rubro-Negro registrou apenas 44% de posse de bola, contra 56% do Cruzeiro. Esta é a menor marca do time atuando em casa pela competição desde 2024, quando a equipe ainda era comandada por Tite.

Mesmo trocando quase 100 passes certos a menos que o adversário mineiro (339 contra 431), o time de Jardim foi mais objetivo: superou o Cruzeiro em finalizações (15 a 13), sendo sete delas no alvo.

As estatísticas da vitória do Flamengo sobre o Cruzeiro
As estatísticas da vitória do Flamengo sobre o CruzeiroOpta by Stats Perform

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O "case" Cruzeiro: menos bola, mais rede

O Flamengo de Filipe Luís encerrou a última edição do Brasileirão no topo do ranking de construção, liderando a posse de bola com uma média impressionante de 62,1%. No entanto, o sucesso de Leonardo Jardim no comando do Cruzeiro, na mesma temporada, provou que existem outros caminhos para a eficiência.

Mesmo terminando em 14º lugar no ranking de posse de bola (com apenas 47,7%), o time mineiro mostrou-se letal. Ao entregar a bola ao adversário e apostar na verticalidade, Jardim construiu o quinto melhor ataque da competição, balançando as redes 55 vezes (média de 1,4 gols por jogo) e aplicando cinco vitórias por três ou mais gols de diferença.

O Cruzeiro de Leonardo Jardim no Brasileirão 2025
O Cruzeiro de Leonardo Jardim no Brasileirão 2025Opta by Stats Perform / Gustavo Aleixo / Cruzeiro

Apesar da evidente limitação técnica do elenco celeste em comparação aos favoritos, o treinador português manteve o Cruzeiro na briga pelo título até as rodadas finais. Inclusive, Jardim não perdeu para o Flamengo de Filipe Luís em 2025. Na vitória celeste sobre o Rubro-Negro por 2 a 1, no Mineirão, a Raposa teve apenas 41% da posse de bola contra 59% da equipe carioca, mas finalizou 17 vezes contra apenas seis do Rubro-Negro, sendo 11 no alvo. Foi um verdadeiro amasso tático. 

Cruzeiro venceu o Flamengo por 2 a 1, no Mineirão, em 4 de maio do ano passado
Cruzeiro venceu o Flamengo por 2 a 1, no Mineirão, em 4 de maio do ano passadoFlashscore

Identidade Camaleão e o fator Jorge Jesus

No clássico contra o Botafogo, o Flamengo voltou a ter o controle da posse de bola: 58% contra 42% do rival. No entanto, o domínio pode ser explicado pela superioridade numérica em campo, após a expulsão de Alexander Barboza ainda nos acréscimos do primeiro tempo.

Embora seja cedo para cravar que o caminho de Jardim no Rubro-Negro será sempre pautado por ceder a posse e apostar na letalidade, os primeiros sinais são claros. É possível afirmar que este novo Flamengo caminha para assumir uma "identidade camaleão", adaptando-se estrategicamente ao que cada duelo propõe.

Flamengo de Jorge Jesus por nove vezes teve menos posse de bola
Flamengo de Jorge Jesus por nove vezes teve menos posse de bolaBRUNA PRADO / GETTY IMAGES SOUTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

O torcedor rubro-negro, inclusive, já viu algo parecido em um passado vitorioso não tão distante. Sob o comando de Jorge Jesus, em uma trajetória de 57 partidas, houve nove ocasiões em que o adversário teve mais posse — incluindo a estreia do Mister, no empate em 1 a 1 com o Athletico-PR pelas quartas da Copa do Brasil de 2019 (51% a 49%).

Fica a lição: posse de bola não é sinônimo de vitória. Pode ser uma questão de imposição de estilo, mas reter a bola não significa, necessariamente, estar mais próximo do resultado positivo. Com Jardim, o Flamengo sinaliza que prefere a letalidade dos espaços ao conforto das estatísticas estéreis. Os jogadores endossam a nova mentalidade. 

Eficiência do Flamengo em ataques no último terço contra o Cruzeiro
Eficiência do Flamengo em ataques no último terço contra o CruzeiroOpta by Stats Perform

"Estamos buscando o que ele pede, a profundidade, o jogo por dentro. Quando um jogador sai da posição, o outro tem que entrar. Nesse jogo, deu resultado", disse Samuel Lino, autor do primeiro gol sobre o Botafogo. 

Se a "identidade camaleão" de Leonardo Jardim se provar tão letal quanto a verticalidade de Jesus, o torcedor rubro-negro terá motivos de sobra para acreditar que o pragmatismo pode ser o caminho mais curto para o topo do pódio.

Flamengo entra em campo contra o Remo na 6ª posição do Brasileirão
Flamengo entra em campo contra o Remo na 6ª posição do BrasileirãoFlashscore