De acordo com informações reveladas pelo ge, o ex-dirigente devolveu R$ 560.401,74 ao São Paulo, referentes a despesas de caráter pessoal. A devolução, no entanto, só ocorreu em novembro do ano passado. Por causa do episódio, Casares agora pode ser expulso do clube, sob acusação de gestão temerária ou irregular.
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Os documentos revelam também um crescimento expressivo no uso do cartão ao longo da gestão. Em 2021, ano em que assumiu o cargo, Casares gastou cerca de R$ 20 mil. Em 2024, o valor somado chegou a R$ 428.568,52, e em 2025 — seu último ano à frente do clube — as faturas, de janeiro a novembro, totalizaram R$ 342.352,43.
As faturas mostram que o cartão corporativo foi usado 71 vezes na casa de charutos Esch Café e 53 vezes no restaurante Gero, um dos mais concorridos de São Paulo, além de compras em lojas de grife, como a Prada, e gastos durante uma viagem com a seleção brasileira aos Estados Unidos. Há ainda registros de despesas pessoais, como consultas a um endocrinologista e idas a um salão de beleza.
Parte desses valores corresponde a despesas ligadas à função exercida por Casares, como os R$ 70.376,42 gastos no hotel em que o time se hospedou para enfrentar o Cuiabá, em julho de 2023, além de outras ocasiões em que o dirigente estava a serviço do clube, em reuniões e encontros com empresários. Por esse motivo, ele não precisou devolver o valor total gasto no cartão.

Até dezembro do ano passado, o São Paulo não tinha uma política formal de uso do cartão corporativo — regra que só foi criada ainda durante a gestão de Julio Casares. Um documento distribuído aos funcionários no fim de 2025 estabelece que "o cartão corporativo é de uso exclusivamente institucional, sendo vedada qualquer utilização para fins pessoais".
Procurado pelo ge, o ex-dirigente do São Paulo se manifestou através do seu advogado, Bruno Borragine. Segundo ele, o ex-presidente já restituiu o clube nos valores referentes aos gastos pessoais e os outros foram feitos no exercício da função.
"Os valores por ele restituído são aqueles suscetíveis a interpretação do uso do cartão de forma particular, em que pese o cartão corporativo tenha sido utilizado, única e exclusivamente, no exercício inerente à função de Julio Casares, enquanto Presidente do São Paulo Futebol Clube", iniciou.
"Quanto aos demais valores, tratam-se de gastos operacionais, do dia-a-dia, que o setor financeiro tem os registros. Considerando que não existia, no âmbito do São Paulo Futebol Clube, normas referentes ao uso do cartão corporativo, Julio Casares propôs norma ao Compliance, que fora aprovada no Conselho de Administração sobre o uso do cartão corporativo e o eventual reembolso", disse a defesa do ex-presidente.
