Como as partidas não são numeradas, a comparação mais adequada é por rodadas, e não por número absoluto de jogos. O contraste com temporadas recentes é imediato. Em 2025, 2024 e 2021, houve seis empates por 0 a 0 nas seis primeiras rodadas.
Já em 2022 e 2023, foram três jogos sem gols nos primeiros 60 confrontos. Agora, com cerca de 15% do campeonato disputado, a ausência total de placares zerados aponta, à primeira vista, para uma maior eficiência ofensiva. Mas o quadro é mais complexo quando observado em perspectiva.

Confrontos travados
Os números ajudam a dimensionar esse cenário. No ano passado, em um recorte de 6 rodadas — comparável ao início de temporadas anteriores — foram registrados 140 gols, com média de 2,33 por jogo.
Trata-se de um índice razoável de produção ofensiva, mas que convive com um dado relevante: 31,7% dos jogos terminaram empatados, sendo que 10% acabaram em 0 a 0. Ou seja, há equilíbrio, mas também uma parcela significativa de confrontos travados, em que o gol não aparece.
O cenário é muito semelhante ao do ano retrasado. Nas 60 primeiras partidas de 2024 (a maioria das seis primeiras rodadas foram completadas bem à frente no campeonato) os times marcaram 141 gols, o que significa uma média de 2,35 por jogo.
O número de empates, em 18 jogos, é equivalente a 30% das partidas. Dentro desse grupo, os 0 a 0 passam a ser 7, representando 11,7% do total.
Com essa correção, o cenário se aproxima ainda mais de um padrão de equilíbrio com viés defensivo. A média de gols permanece razoável, mas a incidência elevada de empates — especialmente os sem gols — reforça a ideia de um campeonato em que muitos jogos se resolvem com margens mínimas ou sequer encontram o caminho das redes.

O fim do empate travado
É no cenário atual, porém, que a mudança se torna mais evidente. Nos 56 jogos já disputados em 2026, o total de gols chega a 155, elevando a média para 2,77 por partida — um salto significativo em relação aos recortes anteriores.
Ainda assim, o número de empates permanece alto: 32,1% dos jogos terminaram igualados. A diferença crucial está no detalhe que redefine a análise: nenhum desses empates terminou 0 a 0.
O dado sugere uma transformação importante no perfil das partidas. O equilíbrio continua presente — como indica a taxa elevada de empates —, mas ele já não se traduz em jogos fechados ou de baixa produção ofensiva. Pelo contrário, há mais gols, mais trocas de vantagem e maior capacidade de conversão, mesmo em confrontos sem vencedor.
Nesse contexto, a ausência de 0 a 0 deixa de ser apenas uma curiosidade estatística e passa a indicar uma mudança mais profunda: o Brasileirão segue equilibrado, mas menos travado. O empate, cada vez mais, não é sinônimo de falta de ação — e sim de jogos em que ataque e defesa se enfrentam em ritmo mais intenso, com o gol como elemento constante.

E depois da Data FIFA?
Depois da pausa para os amistosos das seleções e a repescagem da Copa do Mundo no final do mês, começam as competições sul-americanas, e a Copa do Brasil passará a contar com os times da Série A, que também estão brigando pelo título do Brasileirão.
Serão dois meses intensos, com dois a três jogos por semana. Até que ponto esse quadro vai interferir no desequilíbrio entre os times, só o tempo vai dizer.
