John Textor vai além de filme queimado na Europa e cai em desgraça no Botafogo

John Textor em julho de 2025
John Textor em julho de 2025THIAGO RIBEIRO/AGIF VIA AFP

Afastado do Lyon no ano passado, o empresário americano John Textor vem acumulando problemas também no Brasil, onde parece perto de sair pela porta dos fundos de um Botafogo cheio de dívidas.

No entanto, em 2024, o magnata americano tinha sido elevado ao status de herói pela torcida: o clube do Rio, que ele havia comprado dois anos antes, acabava de conquistar um feito incrível, faturando na mesma temporada o título de campeão brasileiro e a Copa Libertadores.

Mas a situação financeira piorou, com o clube acumulando uma dívida de 2,7 bilhões de reais, segundo relatórios oficiais.

John Textor, de 60 anos, que liderava um conglomerado que incluía principalmente o Lyon, mas também o Crystal Palace, vendido no ano passado quando começaram os problemas financeiros, pretende se manter até o fim no Botafogo, mesmo tendo sido afastado da direção por um tribunal arbitral no mês passado.

E na quinta-feira (14), mais um golpe: ele foi publicamente desautorizado pela primeira vez pela SAF Botafogo, sociedade anônima que administra o clube.

Em um comunicado duro, a SAF o acusa de não ter se "preocupado absolutamente com a estabilidade financeira e institucional" do clube, mergulhando-o em uma situação "extremamente frágil".

Fernanda Gondim, jornalista esportiva que cobre o Botafogo diariamente, disse à AFP que os problemas de caixa são tão "críticos" que foi preciso "recorrer a um empréstimo para pagar os salários de março".

As manobras de Textor

O afastamento de John Textor da direção do Botafogo teve origem em uma disputa com o conglomerado Eagle Football Holdings Bidco.

Esse grupo, com o qual o americano controlava o clube brasileiro, o Crystal Palace, o Lyon e o time belga Molenbeek, foi colocado sob administração judicial no fim de março, na Inglaterra.

Para tentar manter ao menos o controle do Botafogo, John Textor afirmou ter chegado a um acordo com o fundo de investimentos Ares, principal credor da Eagle Bidco, para um "aporte de capital", sem dar mais detalhes.

Para Fernanda Gondim, parece "muito pouco provável" que ele consiga retomar o controle do clube carioca, já que os sócios "querem vê-lo participando o mínimo possível".

Novos interessados

O Botafogo nomeou nesta semana como novo diretor-geral Eduardo Iglesias, de 31 anos. O economista, que trabalhou com John Textor no clube e na Eagle Bidco, rompeu com o americano nos últimos meses.

O clube recebeu uma proposta do fundo de investimentos americano GDA Luma, que pretende se tornar o acionista majoritário, informou à AFP uma fonte próxima das negociações, sob condição de anonimato.

Esse fundo, especializado em ativos de risco, investiu no Cirque du Soleil quando a companhia estava à beira da falência. O Botafogo também pode ser colocado em recuperação judicial.

É um procedimento "menos traumático do que parece", explica a mesma fonte anônima: "Isso permite uma reestruturação radical da dívida", ao mesmo tempo em que "prioriza" a sobrevivência do clube.

E dentro de campo?

Atualmente proibido de contratar, o clube conseguiu em abril, na Justiça brasileira, a condenação do Lyon ao pagamento de 20,8 milhões de euros (R$ 123 milhões) por dívidas não quitadas.

Longe do desempenho apresentado em 2024, quando chegou ao topo do futebol sul-americano, o Botafogo hoje ocupa o meio da tabela no Campeonato Brasileiro.

"Conseguimos nos manter afastados" dos problemas fora de campo, declarou no mês passado o técnico do time, o português Franclim Carvalho.

Mas as dificuldades financeiras afetaram claramente a qualidade do elenco: o clube não conseguiu segurar seus jogadores mais talentosos da temporada 2024, como Thiago Almada, Luiz Henrique ou mais recentemente Jefferson Savarino.