Agora, o hiato finalmente chegou ao fim. Após um retorno desafiador ao pelotão de elite e dificuldades nas rodadas iniciais, o Fenômeno Azul pôde soltar o grito entalado na garganta. A goleada por 4 a 1 sobre o Bahia, no último fim de semana, não apenas tirou o time da lanterna do campeonato, mas também renovou as esperanças da torcida.
O grande destaque da partida foi Gabriel Taliari, que comandou o setor ofensivo e simboliza este novo momento de reação sob o comando de Léo Condé. Com o resultado, o Remo prova que não voltou à elite apenas para figurar, mas para competir.
Remo x Bahia: reencontro histórico

Quis o destino que a primeira vitória do Remo neste retorno à Série A fosse justamente diante do Bahia — adversário que cruzou o caminho do Leão Azul ainda na fase de grupos do Brasileirão de 1994. Aquela foi a 39ª edição do torneio nacional, que contava com 24 clubes divididos em quatro chaves de seis equipes. Além da dupla, o Grupo C era composto por Guarani, Cruzeiro, Santos e Vasco. Naquele ano, o Palmeiras sagraria-se bicampeão em cima do Corinthians.
Como o regulamento previa confrontos de ida e volta, as equipes mediram forças em dois cenários distintos. No Mangueirão, o placar foi construído pelo alto: Alencar, de cabeça, inaugurou o marcador para os donos da casa, mas Ronald, também em jogada aérea, decretou o empate em 1 a 1. Já no duelo da Fonte Nova, o equilíbrio foi quebrado por Marcelo, que anotou o gol da vitória tricolor por 1 a 0.

Pelo regulamento da época, os dois últimos colocados de cada chave eram destinados à repescagem. Naquela fase, o sistema era de "tudo ou nada": as duas melhores campanhas garantiam vaga nas quartas de final, enquanto as duas piores eram condenadas ao rebaixamento. Como encerrou a fase inicial na 5ª posição de seu grupo, o Remo foi para essa segunda etapa em busca da classificação, mas não obteve êxito e acabou amargando o descenso.
Aquele elenco contava com uma figura conhecida do futebol brasileiro: Cuca. O atual técnico do Santos vestiu a camisa azulina em 13 partidas naquele Brasileirão, balançando as redes em duas oportunidades. Anos mais tarde, em 2001, o ex-meia retornou ao time azul, desta vez em uma de suas primeiras experiências como treinador, mas acabou demitido após um desempenho irregular na Série B daquela temporada.
Remo e Bahia: o Reencontro
Embora um abismo financeiro separe as realidades de Remo e Bahia, o Leão Azul provou que, em 90 minutos, a prática pode se sobrepor à teoria. Com uma pontaria calibrada, o time paraense acertou o alvo dez vezes em 16 tentativas, elevando sua média de finalizações justamente diante do Tricolor de Aço — antes do apito inicial, a marca era de 13,1 chutes por partida.

Além da ousadia ofensiva, os donos da casa foram cirúrgicos no setor defensivo: registraram 18 desarmes contra apenas 9 do Bahia. Com 42 recuperações de bola e uma precisão de 50% nos combates diretos, o Remo controlou bem as ações do adversário que, apesar de deter a posse, pecou na definição das jogadas e não soube traduzir o volume de jogo em perigo real na maioria das vezes.
Esta foi a apenas a segunda vez que o Bahia sofreu quatro gols em uma mesma partida desde a chegada do Grupo City. O último revés com placar elástico havia acontecido no ano passado, em um duro tropeço diante do Mirassol, fora de casa.
Gabriel Taliari: a esperança de um novo momento
Com um investimento superior a R$10 milhões destinados à aquisição de reforços, o Remo ostenta o posto de um dos clubes mais ativos no mercado desta Série A. Ao todo, o elenco recebeu mais de 20 novos nomes para a disputa da elite nacional.
Entre as peças recém-chegadas, destaca-se Gabriel Taliari. Ex-Juventude, o atacante fez contra o Bahia apenas sua segunda partida com a camisa azulina e já mostrou a que veio. Além de balançar as redes duas vezes, Taliari foi fundamental taticamente: recuou para auxiliar o sistema defensivo e registrou dois desarmes, ajudando a conter o ímpeto ofensivo do adversário.

O triunfo no Mangueirão permitiu que o time de Belém respirasse na competição, deixando a lanterna e encostando no primeiro clube fora da zona de rebaixamento. O próximo desafio do Leão será na Vila Belmiro, contra o Santos, em um duelo direto que pode consolidar a reação paraense.
