A dupla de rivais de Curitiba, mais talhada à realidade da Série A, tende a conhecer melhor o caminho — pelo menos na teoria — para permanecer na elite. Do lado do Athletico-PR, o Rubro-Negro tem retrospecto suficiente para sustentar a tese de que a Série B, onde esteve em 2025 (a única vez da história dos pontos corridos), foi exceção à regra.
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Mas os números e as ideias de Juan Pablo Osorio, aposta do Remo na volta à elite após 31 temporadas fora (desde 1994), acendem um sinal amarelo. Ele é totalmente contrário ao pragmatismo e ao futebol de força física que a Chapecoense deve apresentar sob o comando de Gilmar Dal Pozzo.
O treinador remista inicia sua terceira passagem pelo futebol brasileiro. O primeiro contato com o país ocorreu no Morumbi, com o São Paulo, em 2015. Depois, Osorio esteve no Furacão em 2024. Estudioso dos adversários, adepto de jogadores polivalentes e entusiasta do jogo de atletas bem posicionados — normalmente no 4-3-3 ou em suas principais variações —, o colombiano de 64 anos também costuma rodar o time com grande frequência para os padrões nacionais.
Na estreia do Campeonato Brasileiro — derrota para o Vitória por 2 a 0 — a lateral esquerda, com João Lucas, foi a principal via ao campo de ataque, como mostram os números da partida. Nada de retranca ou de entregar a bola ao adversário. O problema é que os 58% de posse resultaram em apenas 1 chute no gol e nenhuma chance clara criada (contra 7 e 6, respectivamente, do rubro-negro baiano).

Na maratona literal que o Remo enfrentará, incluindo os deslocamentos de Belém para as outras capitais, fica a dúvida se o pragmatismo vai entrar cedo no vocabulário do treinador colombiano, que mais uma vez aposta em fazer sucesso no Brasil. Um exemplo de repertório de Osorio pode ser visto em cores vivas no dia 17 de junho de 2018, na ensolarada Moscou, em pleno estádio Lujniki.
Tudo bem que a seleção alemã passou por um fiasco naquela Copa da Rússia, mas Osorio, na área técnica do México, mostrou uma retranca qualificada e, com apenas 39% de posse de bola, venceu o jogo por 1 a 0. Os mexicanos fizeram o gol ainda no primeiro tempo e depois souberam conduzir seu drama latino-americano até o fim. Após a partida, Osorio admitiu que estudou o time alemão por seis meses para decidir mudar o estilo de jogo da seleção tricolor e apostar nos contra-ataques.
46 pontos
A matemática histórica dos pontos corridos com 20 times, iniciada em 2006, é bastante indicativa. Com 46 pontos somados na competição (1,2 por rodada ou 40% de aproveitamento total), nenhum time até hoje caiu. Neste contexto, o pragmatismo se mostra mais importante do que qualquer tentativa de futebol autoral.
Mesmo jogando em casa na estreia, Gilmar Dal Pozzo — nome ligado à história da Chapecoense, que passou sete temporadas na Série A desde 2006, sendo seis delas consecutivas entre 2014 e 2019 — montou um time fechado e foi atrás da virada após sair na frente e sofrer o empate contra o Santos.
Os mandantes ficaram com 34% de posse de bola, mas tiveram aproveitamento certeiro, como mostram os números da partida.

“Nós entendemos que o momento é de continuidade, por tudo o que o Gilmar representa dentro da Chapecoense. Eu diria que Gilmar Dal Pozzo e a Chapecoense são uma grande simbiose. Simbiose que deu certo. Tanto faz se na Série A ou na Série B, nós queremos ter continuidade. O Gilmar é muito importante nesse processo, mas não podemos esquecer que têm o Emerson, o Ortiz, o Maringá e o Rafael Lima.”
A frase do presidente da Chape, Alex Passos, na confirmação da renovação do contrato do ex-goleiro, hoje treinador, dá um recado importante para quem busca estabilidade na elite. Após Abel no Palmeiras e Ceni, no Bahia, Dal Pozzo é o terceiro técnico mais longevo nesse início de Brasileiro.
Seabra tenta fazer bonito no Coxa
Se Fernando Seabra está chegando ao Couto Pereira, a Série A, após passar por Cruzeiro e Bragantino, ele conhece. E a média de pontos por partida somada nas duas equipes (1,3 em Bragança, com 56 jogos, e 1,7 na Toca da Raposa, em 35 partidas) o credencia para permanência, apesar da derrota do Coxa em casa, na estreia, com 29% de posse de bola contra o Bragantino, que venceu por 1 a 0. O Coxa vai para a sua 11ª temporada na elite, desde o início dos pontos corridos com 20 times.
Futebol, além do acaso, também precisa de qualidade técnica e de grupos mentalmente fortes. Seja com muito, ou pouco dinheiro para investir.

