Lino é o segundo maior goleador de um elenco recheado de estrelas (9 gols, atrás só de Pedro, que tem 18) e, com oito assistências, é o principal garçom do Flamengo. Aos 26 anos, vive a melhor fase da carreira. Mas quanto desse desempenho pode ser atribuído ao esquema de Leonardo Jardim? E quanto vem do repertório individual do atacante?
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O Flamengo está mais fluido. Jogadores que atuam pelos corredores laterais, como Lino, ganharam liberdade para atacar a área e se aproximar da zona de definição. Quando Pedro está fixo como referência, com Arrascaeta circulando por trás, o corredor esquerdo também se transforma em um espaço privilegiado para o camisa 16.

O desempenho coletivo ajuda a explicar o momento. No recorte dos 10 jogos mais recentes do Campeonato Brasileiro, o Flamengo é o segundo time que mais pontuou, apenas dois pontos atrás do Athletico-PR. Tem, porém, o melhor ataque, com 22 gols marcados, e a melhor defesa, com apenas oito sofridos. É um time equilibrado — e um ambiente em que jogadores agudos como Lino tendem a aparecer.

Lino começou como titular em 26 partidas nos três campeonatos. É também quem mais criou chances de gol para o Flamengo no ano: 53. Arrascaeta, com 46, e Carrascal, com 45, aparecem na sequência.
O atacante também está entre os mais eficientes do elenco quando se considera o tempo necessário para marcar. O ex-jogador do Atlético de Madrid, contratação mais cara da história do Flamengo antes da chegada de Lucas Paquetá, precisa de 230 minutos para balançar a rede. Só Paquetá, com 197, e Pedro, o artilheiro, com 132, apresentam média melhor.

Os gols de Samuel Lino ajudam a separar o efeito do sistema da qualidade individual. O índice de gols esperados (xG) mostra isso com clareza. No Campeonato Brasileiro, ele tem 4,5 gols esperados, mas já marcou 8. Ou seja, está convertendo as oportunidades em um ritmo muito superior ao que a qualidade das chances criadas indicaria.
É aí que aparece o jogador.

Nas últimas partidas, tanto pelo Brasileiro quanto pela Libertadores, Lino deixou sua assinatura. Contra o Cruzeiro, um drible seco dentro da área antes da finalização. No clássico com o Botafogo, uma cavadinha de quem já enxerga o gol antes mesmo de concluir a jogada.
O mapa de finalizações reforça a impressão. Embora parta do lado esquerdo, Lino está constantemente dentro da área. Jardim pode ter criado um ambiente para que ele apareça mais. Mas, quando a bola chega, a diferença é dele.
