Uma das melhores versões do Palmeiras de Abel põe à prova os limites do São Paulo

Em 2025, no clássico do Morumbi, Palmeiras virou e ficou com os três pontos. Pênalti não marcado em Tápia gerou confusão
Em 2025, no clássico do Morumbi, Palmeiras virou e ficou com os três pontos. Pênalti não marcado em Tápia gerou confusãoEttore Chiereguini/AGIF via AFP

A tabela é uma referência implacável. Os 16 pontos do Palmeiras em sete rodadas do Brasileirão igualam a melhor arrancada da era Abel Ferreira, obtida no ano passado. Se, na memória do torcedor, 2025 acabou marcado como um ano negativo, pela falta de títulos, 2026 tem algo diferente: uma equipe com ataque mais móvel, ainda mais após a chegada de Jhon Arias.

O colombiano vem subindo de produção e, contra o Botafogo, recebeu nota 8 do Flashscore e foi o melhor em campo. Do outro lado, na ponta direita, abrindo bem a defesa adversária como gosta de pedir Abel, Allan tornou-se o artilheiro alviverde na Série A, com três gols.

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É fato que o Botafogo jogou com um a menos durante todo o segundo tempo, mas a produção ofensiva do Palmeiras bateu recordes. Ninguém havia finalizado 19 vezes em uma mesma partida do Brasileiro até então.

Pela esquerda, Arias movimenta o ataque do Palmeiras
Pela esquerda, Arias movimenta o ataque do PalmeirasOpta by Stats Perform / Cesar Greco/Palmeiras

O Palmeiras também marcou em todos os jogos até agora — o Flamengo é outro, mas com um jogo a menos. Ao contrário do ano passado, quando o Verdão tinha os mesmos 16 pontos em sete rodadas, agora são 16 gols marcados, o dobro de 2025. A defesa, porém, sofreu mais gols: 8, contra 5 no ano passado.

Encaixes na frente e no meio

Além da cria da Academia Allan e do repatriado AriasFlaco López ganhou uma mobilidade diferente em 2026 e vem sendo tão decisivo quanto Vitor Roque. Outro encaixe: com Marlon Freitas segurando mais as pontas, Andreas Pereira virou, de fato, o construtor. São sete assistências até agora na Série A — a incrível média de uma por jogo.

No lado direito, o artilheiro Allan é o destaque
No lado direito, o artilheiro Allan é o destaqueOpta by Stats Perform / Cesar Greco/Palmeiras

Entre os donos do palco do Choque-Rei desta 8ª rodada, além de um MorumBis que deverá estar lotado de são-paulinos e da cada vez mais frequente pressão sobre a arbitragem (Anderson Daronco será o árbitro), o jogo é visto como diferente pelo São Paulo.

Isso porque o time não vence o rival há 11 jogos em qualquer cenário. Até comemorou a Supercopa em 2024 sobre o Palmeiras, em Belo Horizonte, mas após empate no tempo normal e vitória nos pênaltis.

Em jogos recentes, supremacia alviverde
Em jogos recentes, supremacia alviverdeFlashscore

Elenco tricolor é curto

Dentro das quatro linhas, os dilemas do recém-chegado Roger Machado estão relacionados aos limites do elenco curto tricolor. Lucas Moura está fora por dois meses, com costelas fraturadas, e a opção imediata é Cauly.

O reforço que veio do Bahia tem números até parecidos com o veterano meia do São Paulo, que deixa de ser unanimidade jogo após jogo. Sem muitas peças de reposição, os meio-campistas Marcos Antônio, Danielzinho e Bobadilla têm atuado quase sempre.

Respectivamente, são 5, 6 e 6 partidas como titulares, das 7 disputadas até agora. O time, mais posicional — como gosta Roger, que utiliza bem as laterais —, terá de se desdobrar para parar o ataque móvel do Palmeiras. 

Cauly e Lucas têm desempenhos semelhantes
Cauly e Lucas têm desempenhos semelhantesStats Perform/Opta

Na frente, a dúvida é se Luciano e Calleri, ambos acima dos 30 anos, terão fôlego contra Gustavo Gómez e Murilo. No jogo mais recente entre eles, na semifinal do Paulistão, a superioridade alviverde, como vem ocorrendo, foi nítida — tanto nos números quanto no placar.

Liderança em jogo

É um clássico que também se ganha na força de vontade, desde que ela não ultrapasse o limite e resulte em expulsões. Mais um detalhe: três pontos farão com que o vencedor passe toda a Data FIFA na liderança da tabela.

Por ter um jogo a menos, o Bahia, ao igualar o número de partidas, terá a chance de assumir a ponta, caso o cenário se mantenha.