O Gigante da Colina é o time com o maior número de finalizações até aqui: são 69 conclusões, 11 a mais que o segundo colocado, o Red Bull Bragantino, com 58. Além disso, o Vasco também lidera o ranking de chutes no alvo, com 22 finalizações na direção do gol — uma a mais que o Palmeiras, que acertou 21 vezes a baliza.
Confira a classificação do Brasileirão
Aqui surge uma diferença importante: o Palmeiras é apenas o 8º time que mais finaliza, com 41 chutes. Isso significa que a equipe treinada por Diniz acerta 31,88% das tentativas, enquanto o time de Abel Ferreira tem aproveitamento de 51,22%. Ao lado do Botafogo, é a única equipe que acerta metade ou mais das finalizações.

Todos esses números ajudam a explicar por que o Palmeiras tem o melhor ataque da competição, com 10 gols após três rodadas, enquanto o Vasco aparece com o pior, com apenas dois (ao lado de Red Bull Bragantino e Internacional).
Quando olhamos os gols esperados, que medem a qualidade das conclusões, a falta de eficiência fica ainda mais evidente. O Vasco tem o maior xG do Brasileirão 2026, com 7,18, e, como já mencionado, marcou o menor número de gols. Para comparar, o xG do Palmeiras é de 4,29 — um número bem inferior para um time que balançou as redes cinco vezes mais que a equipe carioca.
O torcedor já escolheu seu alvo. A cada jogo em São Januário, Fernando Diniz tem sido hostilizado pelos cruz-maltinos. Curiosamente, no Brasileirão do ano passado, ele ficou marcado pela alta eficiência. Durante o segundo turno de 2025, quando o time emplacou uma sequência de 12 jogos, com sete vitórias e apenas uma derrota em todas as competições, o Vasco chegava a marcar um gol a cada 4,5 finalizações. Sob o comando de Diniz, a equipe teve o quinto melhor ataque do campeonato.

Perda gigante para a Premier League
Perder Rayan para o Bournemouth certamente ajuda a explicar essa mudança, mas vale lembrar que, nos últimos 12 jogos da temporada passada, o Vasco não marcou em oito. A dificuldade ofensiva já começava a se desenhar.
Ainda assim, Rayan era o grande nome do ataque. Ele lidera a “era Diniz” em vários quesitos até hoje: gols (13), finalizações (84), chutes no alvo (34) e contra-ataques (11). Também é o segundo no período em minutos (2469), conversão de grandes chances (60%, mín. 5), duelos (277), duelos ganhos (150) e gols esperados (8,33). Vale observar que, em muitos desses indicadores, quem divide o topo com a cria da base é o argentino Pablo Vegetti, artilheiro em múltiplas temporadas que também deixou a equipe.
Em coletiva após o jogo da 2ª rodada contra a Chapecoense — partida em que o Cruz-Maltino desperdiçou inúmeras oportunidades — Diniz reconheceu que a ausência de Rayan impacta negativamente, mas ressaltou que isso não pode servir como desculpa.
"Difícil explicar. A gente perdeu o Rayan, que era um jogador que precisava de poucas oportunidades para chutar e fazer gol de dentro e fora da área, cabeceio. Com o volume que a gente tem criado, é questão de tempo para a bola começar a entrar. Não é normal a gente não converter em gol", afirmou o treinador.
Chegando para (tentar) resolver
O Vasco foi ao mercado em busca de reposição. Aos poucos, Brenner e Spinelli, novas peças do ataque, vão se adaptando. O argentino marcou, no último sábado, seu primeiro gol com a camisa cruz-maltina — um gol importante, que levou a partida das quartas de final do Cariocão 2026 contra o Volta Redonda aos pênaltis e culminou na classificação do Vasco.
Brenner também balançou as redes recentemente no Estadual, no clássico contra o Botafogo. Além deles, a gestão do presidente Pedrinho contratou Hinestroza, atacante de lado que veio do Atlético Nacional-COL. Ele entrou em quatro jogos até aqui, saindo do banco, mas ainda não marcou.
Fato é que o torcedor tem pressa. Pouco importa se o time cria, se a bola não entra — e a responsabilidade acaba recaindo sobre o treinador. Diniz está pressionado. Se os gols não começarem a sair logo, será difícil imaginar a continuidade do trabalho a longo prazo.
Após três rodadas, o Vasco já está na zona de rebaixamento. É cedo, claro, mas a experiência recente de Diniz no Fluminense, quando o Tricolor somou apenas seis pontos em 14 rodadas, mostra que o Z4 pode se transformar em uma verdadeira areia movediça. Naquela ocasião, o rival precisou vencer no Allianz, na última rodada, para escapar. E o torcedor do Gigante da Colina conhece esse filme — e não quer revivê-lo.
ARTES
- Ranking finalizações
- Ranking gols
- Números de Rayan com Diniz
- Números do ataque do Vasco no Brasileirão 2026
