Volume de líder, eficiência de rebaixado: o paradoxo do Vasco em 2026

Vasco cria em excesso, mas peca na hora de finalizar
Vasco cria em excesso, mas peca na hora de finalizarČTK / AP / Jorge Rodrigues

O que é mais frustrante para o torcedor? Um time pobre, com poucas ideias, ou aquele que consegue criar oportunidades, mas as desperdiça em doses industriais? Ou aquele que, tecnicamente, na hora de decidir, falha por falta de qualidade? Para o torcedor do Vasco em 2026, a resposta tem sido até fácil, pelo menos no Brasileirão. Vamos analisar as estatísticas Flashscore e tentar entender o que acontece com a equipe de Fernando Diniz.

O Gigante da Colina é o time com o maior número de finalizações até aqui: são 69 conclusões, 11 a mais que o segundo colocado, o Red Bull Bragantino, com 58. Além disso, o Vasco também lidera o ranking de chutes no alvo, com 22 finalizações na direção do gol — uma a mais que o Palmeiras, que acertou 21 vezes a baliza.

Confira a classificação do Brasileirão

Aqui surge uma diferença importante: o Palmeiras é apenas o 8º time que mais finaliza, com 41 chutes. Isso significa que a equipe treinada por Diniz acerta 31,88% das tentativas, enquanto o time de Abel Ferreira tem aproveitamento de 51,22%. Ao lado do Botafogo, é a única equipe que acerta metade ou mais das finalizações.

Aproveitamento de finalizações do Brasileião
Aproveitamento de finalizações do BrasileiãoFlashscore

Todos esses números ajudam a explicar por que o Palmeiras tem o melhor ataque da competição, com 10 gols após três rodadas, enquanto o Vasco aparece com o pior, com apenas dois (ao lado de Red Bull Bragantino e Internacional).

Quando olhamos os gols esperados, que medem a qualidade das conclusões, a falta de eficiência fica ainda mais evidente. O Vasco tem o maior xG do Brasileirão 2026, com 7,18, e, como já mencionado, marcou o menor número de gols. Para comparar, o xG do Palmeiras é de 4,29 — um número bem inferior para um time que balançou as redes cinco vezes mais que a equipe carioca.

O torcedor já escolheu seu alvo. A cada jogo em São Januário, Fernando Diniz tem sido hostilizado pelos cruz-maltinos. Curiosamente, no Brasileirão do ano passado, ele ficou marcado pela alta eficiência. Durante o segundo turno de 2025, quando o time emplacou uma sequência de 12 jogos, com sete vitórias e apenas uma derrota em todas as competições, o Vasco chegava a marcar um gol a cada 4,5 finalizações. Sob o comando de Diniz, a equipe teve o quinto melhor ataque do campeonato.

Aproveitamento de finalizações do Brasileirão
Aproveitamento de finalizações do BrasileirãoFlashscore

Perda gigante para a Premier League

Perder Rayan para o Bournemouth certamente ajuda a explicar essa mudança, mas vale lembrar que, nos últimos 12 jogos da temporada passada, o Vasco não marcou em oito. A dificuldade ofensiva já começava a se desenhar.

Ainda assim, Rayan era o grande nome do ataque. Ele lidera a “era Diniz” em vários quesitos até hoje: gols (13), finalizações (84), chutes no alvo (34) e contra-ataques (11). Também é o segundo no período em minutos (2469), conversão de grandes chances (60%, mín. 5), duelos (277), duelos ganhos (150) e gols esperados (8,33). Vale observar que, em muitos desses indicadores, quem divide o topo com a cria da base é o argentino Pablo Vegetti, artilheiro em múltiplas temporadas que também deixou a equipe.

Em coletiva após o jogo da 2ª rodada contra a Chapecoense — partida em que o Cruz-Maltino desperdiçou inúmeras oportunidades — Diniz reconheceu que a ausência de Rayan impacta negativamente, mas ressaltou que isso não pode servir como desculpa.

"Difícil explicar. A gente perdeu o Rayan, que era um jogador que precisava de poucas oportunidades para chutar e fazer gol de dentro e fora da área, cabeceio. Com o volume que a gente tem criado, é questão de tempo para a bola começar a entrar. Não é normal a gente não converter em gol", afirmou o treinador.

Chegando para (tentar) resolver

O Vasco foi ao mercado em busca de reposição. Aos poucos, Brenner e Spinelli, novas peças do ataque, vão se adaptando. O argentino marcou, no último sábado, seu primeiro gol com a camisa cruz-maltina — um gol importante, que levou a partida das quartas de final do Cariocão 2026 contra o Volta Redonda aos pênaltis e culminou na classificação do Vasco. 

Brenner também balançou as redes recentemente no Estadual, no clássico contra o Botafogo. Além deles, a gestão do presidente Pedrinho contratou Hinestroza, atacante de lado que veio do Atlético Nacional-COL. Ele entrou em quatro jogos até aqui, saindo do banco, mas ainda não marcou.

Fato é que o torcedor tem pressa. Pouco importa se o time cria, se a bola não entra — e a responsabilidade acaba recaindo sobre o treinador. Diniz está pressionado. Se os gols não começarem a sair logo, será difícil imaginar a continuidade do trabalho a longo prazo.

Após três rodadas, o Vasco já está na zona de rebaixamento. É cedo, claro, mas a experiência recente de Diniz no Fluminense, quando o Tricolor somou apenas seis pontos em 14 rodadas, mostra que o Z4 pode se transformar em uma verdadeira areia movediça. Naquela ocasião, o rival precisou vencer no Allianz, na última rodada, para escapar. E o torcedor do Gigante da Colina conhece esse filme — e não quer revivê-lo.

ARTES

- Ranking finalizações

- Ranking gols

- Números de Rayan com Diniz 

- Números do ataque do Vasco no Brasileirão 2026