"Nunca me considerei um técnico de nível mundial porque ainda tinha tantas dúvidas quando terminei. Eu pensava: 'como posso ser de nível mundial com tantas perguntas ainda sem resposta?'", disse Klopp à AFP e outros veículos em uma entrevista em Leipzig.
Depois de começar no Mainz, onde levou o clube à elite pela primeira vez, Klopp foi para o Borussia Dortmund, conquistando dois títulos da Bundesliga e chegando à final da Champions League em 2013. Ao assinar com o Liverpool em 2015, os Reds de Klopp venceram todos os troféus possíveis, incluindo a Champions League e a Premier League.

No novo cargo como chefe global de futebol da Red Bull, supervisionando uma estrutura com clubes como RB Leipzig, New York Red Bulls e Paris FC, Klopp afirmou que quer ajudar outros treinadores a encontrar respostas para essas dúvidas.
"Meu papel com os treinadores é ser a pessoa que eu nunca tive. Eu ficava no meu escritório muitas e muitas vezes, completamente sozinho. Muita gente me deu conselhos e trouxe ótimas ideias...", contou.
"É ótimo ter ideias, mas tomar a decisão final não é nada fácil. Quero estar presente nos momentos em que sei que eles estão sozinhos, ou se sentem sozinhos. Quero estar lá", completou.
Klopp supervisionou a demissão do então técnico do Leipzig, Marco Rose, seu amigo de longa data, em 2025, e disse que estar do outro lado foi estranho. "Coveiro de treinadores – esse é um título que eu nunca quis ganhar!"
"Eu nunca assisto aos gols novamente"
De levar o Mainz à Bundesliga até quebrar o jejum do Liverpool na Premier League, Klopp elevou clubes e jogadores por onde passou. Frequentemente assumindo times em momentos difíceis, o treinador buscava colocar as coisas em perspectiva.
"Como eu começava um jogo? Eu dizia: 'a pior notícia é que você pode perder', então vamos tentar vencer... Não tente apenas evitar a derrota – tente ganhar. Dar tudo de si não significa que você vai conquistar algo, mas é sua única chance de conseguir alguma coisa. É basicamente assim que se faz. Nós demos tudo e às vezes conseguimos alguma coisa", disse.
Klopp afirmou que a mídia e os torcedores se concentram demais nos resultados. "Eu nunca assisto aos gols novamente, porque quero entender o jogo além do resultado. Quero entender por que aconteceu... Os resultados são consequência do desempenho. Então trabalhamos no desempenho e os resultados vieram depois", detalhou.
O treinador de 58 anos disse que "não sente orgulho" das cerimônias de troféus e desfiles.
"Adoro fazer parte disso, mas não estar no centro. Você pode ver fotos em que alguém me entrega um troféu e eu pego, mas não preciso tocar nele. Para mim, o que eu amo é a jornada. Isso me trouxe muito mais do que o momento da vitória", explicou.
"Você sabe quando Jurgen Klopp está no ambiente"
Klopp mantém um status quase de culto em seus antigos clubes, com torcedores lembrando do alemão tanto pelas reações à beira do campo quanto pelo jeito simples, além das conquistas. O diretor esportivo do RB Leipzig, Marcel Schaefer, disse à AFP que Klopp trouxe essa mesma presença para o novo cargo, mesmo não estando mais à beira do gramado.
"Ele tem algo único. É um talento dado por Deus, que todos conhecem pelo trabalho como treinador. Ele conquista as pessoas em cinco ou 10 minutos."
Schaefer afirmou que Klopp tem papel importante na contratação de jogadores ao "conversar com famílias, falar com os atletas sobre nossa visão, sobre nosso projeto. Você sabe quando Jurgen Klopp está no ambiente", afirmou.
Desde que deixou o comando em Anfield, Klopp foi ligado a vários cargos de destaque, mas disse que é improvável voltar ao banco de reservas.
"Não espero mudar de ideia, mas não sei. Estamos construindo uma casa agora e minha esposa queria uma sala de troféus bem grande. Havia outro cômodo pequeno e eu disse: 'isso já basta, porque sabemos quantos troféus temos, não vamos aumentar esse número'", contou.
"Pode soar arrogante, mas eu sei que posso treinar um time de futebol. Só não preciso fazer isso até o último dia da minha vida", finalizou Klopp.
