Já há uma grande controvérsia em torno da venda oficial de ingressos por parte da entidade máxima do futebol para o maior Mundial da história, que terá início em 11 de junho com um formato expandido, contando com 48 seleções e 104 partidas distribuídas pelos Estados Unidos, México e Canadá.
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À medida que os preços exorbitantes dos ingressos tornam a compra inviável para muitas pessoas, pessoas mal-intencionadas exploram o desespero dos torcedores em busca de bilhetes mais baratos fora dos canais credenciados, empregando técnicas que, segundo especialistas, representam o "novo normal" para grandes eventos.
Na semana passada, o FBI emitiu um alerta a respeito de cerca de três dezenas de sites — com domínios como "fifa-ticket.live" e "fifaworldcup26.sale" — que estão se passando pelo autêntico "fifa.com" com o objetivo de roubar informações pessoais ou vender ingressos e produtos falsificados.
A empresa de segurança cibernética Group-IB, sediada em Singapura, relatou um golpe em uma escala ainda maior, identificando mais de 4,3 mil domínios fraudulentos que se passam por afiliados da FIFA e que foram registrados desde agosto, incluindo mais de 300 operados por um único agente de língua chinesa.
Muitos desses sites estão inativos, observaram pesquisadores, prontos para entrar em atividade à medida que a competição se aproxima.
"Os golpistas exploram a empolgação dos torcedores, a disponibilidade limitada de ingressos e o medo de ficar de fora, sabendo que as pessoas podem baixar a guarda quando uma oportunidade é percebida como exclusiva ou urgente", disse à AFP Justin Miller, professor associado de estudos cibernéticos da Universidade de Tulsa. "Os cibercriminosos seguem a atenção, a urgência e o dinheiro, e a Copa do Mundo se situa na intersecção desses três elementos", acrescentou Miller.
O especialista observou que sites que imitam os oficiais mostram que os cibercriminosos, que estão se tornando cada vez mais sofisticados, acreditam que "é mais fácil simular confiança do que violar a segurança". Os sites são muito semelhantes ao "fifa.com", apresentando a marca oficial da Copa do Mundo e a parceira de pagamentos Visa.
Interfaces complexas permitem que os usuários naveguem pelas opções de jogos, façam suas escolhas e finalizem a compra.
Ofertas de emprego falsas
A AFP analisou dezenas de anúncios do Facebook, agora inativos e em diversos idiomas, que direcionavam os usuários a sites fraudulentos de venda de ingressos, como o "fifa.house".
A Bitdefender, empresa de segurança cibernética sediada na Romênia, também informou ter detectado 55 campanhas publicitárias fraudulentas relacionadas ao futebol nas plataformas da Meta, incluindo promoções de itens colecionáveis e produtos falsificados.
A Meta começou a exibir pop-ups de alerta quando usuários do Facebook pesquisam por ingressos e afirmou ter desmantelado uma rede vinculada a sites falsos da FIFA que promovia "conteúdo de apostas falso".
Alguns sites fraudulentos visam candidatos a emprego, prometendo reuniões com funcionários da Copa do Mundo cujos nomes e fotos foram extraídos do LinkedIn.
"Alguém está usando meu nome e minha foto de forma fraudulenta", escreveu um dos funcionários no LinkedIn em abril.
As fraudes fora do ambiente online também parecem estar em ascensão. A polícia de Toronto informou, na segunda-feira, ter apreendido mais de 16 mil camisas de futebol e bandeiras falsificadas, além de dois troféus falsos. As autoridades dos três países anfitriões instruíram os torcedores a comprar de fontes verificadas, conferir os endereços da web e desconfiar de ofertas chamativas nas redes sociais.
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