Seja para mudar o rumo de uma partida, seja para alterar a formação de um jogo para outro, França, Espanha, Argentina e Inglaterra chegaram às semifinais apoiadas em jogadores que não começaram o torneio como titulares absolutos.
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Em comum, todos entregaram aos treinadores aquilo que o adversário já tinha dificuldade para conter: intensidade, velocidade e poder de decisão.
O caso mais emblemático é o do espanhol Mikel Merino. Nas oitavas de final, contra Portugal, entrou aos 40 minutos do segundo tempo e marcou, aos 46, o gol da classificação. Nas quartas, repetiu o roteiro diante da Bélgica. Mais uma vez saiu do banco e, aos 43 do segundo tempo, definiu a vitória por 2 a 1.
Em apenas duas partidas eliminatórias, marcou dois gols decisivos e entrou para a história como o primeiro jogador a decidir dois confrontos de mata-mata saindo da reserva.

Merino não é o único exemplo espanhol. Fabián Ruiz ganhou espaço ao longo da fase eliminatória. Pouco utilizado diante de Áustria e Portugal, foi titular contra a Bélgica e agora disputa com Pedri uma vaga ao lado de Rodri no meio-campo para a semifinal.
A França também viu o banco mudar a configuração da equipe. Désiré Doué começou a Copa como alternativa, entrou bem contra Suécia e Paraguai, e conquistou uma vaga entre os titulares nas quartas de final, diante de Marrocos.

Doué deu uma assistência e permaneceu em campo até os minutos finais. Agora, Didier Deschamps terá de decidir entre ele e Bradley Barcola para completar o quarteto ofensivo ao lado de Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise.
As mudanças francesas não ficam só no ataque. Manu Koné ganhou espaço no meio-campo durante a competição e disputa posição com Aurélien Tchouaméni, enquanto Lucas Digne assumiu a lateral esquerda depois de iniciar o Mundial como reserva.
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Inglaterra e Argentina também ganharam novas peças
A Inglaterra foi outra a encontrar soluções além do time inicial. Bukayo Saka virou uma peça estratégica na campanha. Entrou diante da República Democrática do Congo, iniciou o duelo contra o México como titular e foi acionado no intervalo da vitória sobre a Noruega.
No meio-campo, outra novidade foi Morgan Rogers. O jogador do Aston Villa entrou na segunda etapa contra os noruegueses para dar sustentação ao setor ao lado de Elliot Anderson. Se Declan Rice não reunir condições físicas ideais após a virose, Rogers desponta como o substituto mais provável.

Na Argentina, o banco também alterou a hierarquia da equipe. Leandro Paredes começou a Copa entre os reservas, mas agora é um dos pilares do meio-campo de Lionel Scaloni.
No ataque, a disputa permanece aberta. Lautaro Martínez tem sido a primeira opção, mas Julián Álvarez ganhou a vaga diante da Suíça e correspondeu com uma das melhores atuações da equipe ao lado de Lionel Messi — além de ter feito um golaço.
O protagonismo dos reservas ajuda a explicar uma tendência deste Mundial. Em um calendário apertado, disputado sob calor intenso e com paralisações para hidratação, manter o nível físico durante os 90 minutos tornou-se um diferencial estratégico.

Não por acaso, boa parte das classificações foi construída na reta final, justamente quando as substituições ampliam a diferença entre quem ainda consegue acelerar e quem já joga no limite.
Mais do que recompor o time, o banco passou a decidir partidas e até redefinir escalações. Às vésperas das semifinais, uma conclusão parece inevitável: no futebol de alto rendimento, ninguém mais vence uma Copa apenas com 11 jogadores.
Hoje, as seleções precisam de pelo menos 16. Ainda mais quando a prorrogação pode estar logo ali.
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