O jogo desta terça-feira (24) contra a Escócia — o quinto entre as seleções em Copas do Mundo, todos na fase de grupos e sem nenhuma derrota brasileira — é chave para tentar ficar em primeiro lugar e viajar menos pela América do Norte, mas, principalmente, para dar pistas sobre se a campanha será longa.
A partida anterior contra o Haiti, fora a lesão de Raphinha, mostrou uma equipe bastante diferente da primeira, ao menos em termos de disposição em campo. Ainda assim, a maturidade segue como uma construção voltada para o futuro.

Na campanha da quinta conquista, em 2002, a rapidez com que Felipão se adaptou aos problemas apresentados foi decisiva. A linha de três zagueiros, por exemplo, virou solução recorrente.
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No mata-mata, Edmílson entrou para não sair mais e passou a atuar como terceiro homem da defesa ou volante, dependendo do adversário. Cafu, pela direita, precisou conter mais os avanços ofensivos. Na frente, os “três R’s” — Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo — marcaram 15 dos 18 gols da Seleção (um a menos do que em 1970). Antes do Mundial, naquele ano, Ronaldinho Gaúcho e Kleberson não estavam entre os nomes mais cotados para brilhar. O Brasil venceu todos os sete jogos.
De volta para o futuro
A questão agora é mostrar evolução a partir do losango no meio-campo que funcionou contra o Haiti, uma seleção de nível técnico inferior. Casemiro na base, à frente da defesa; Paquetá pela esquerda; e Bruno Guimarães pela direita. Matheus Cunha como falso nove. Vini Jr. pela esquerda e uma incógnita pela direita. Se Luiz Henrique abre espaços, Rayan é um atacante de correr no vazio.

A comparação com 2002 é apenas retórica, no sentido de que Ancelotti precisa ser rápido — principalmente para escolher peças que estejam pedindo passagem. Hoje, ao contrário do passado, os treinos são fechados e a informação circula menos. O próprio Felipão é bom exemplo. Astuto em 2002, não teve uma leitura clara do jogo quando o 7 a 1 para a Alemanha se desenhou.

Se os campos norte-americanos mostraram até agora “dois Brasis”, o primeiro deles, contra Marrocos, não deve voltar a aparecer, sob risco de a Seleção ter vida curta no primeiro Mundial com 48 seleções e uma fase adicional mais perigosa. Japão, Países Baixos ou Suécia podem aparecer já no início da semana que vem.
Em busca da solidez
O desenho tático das duas apresentações do Brasil mostra que, mesmo com poucas mudanças de peças, o coletivo se comportou de forma diferente. A questão é se o comportamento da equipe, as diretrizes do treinador e o ímpeto de evolução vão fazer o Brasil subir alguns degraus na escada das favoritas e se aproximar de França e Argentina — além de outras seleções que oscilaram, mas apresentam maior organização ou maturidade, como disse o lateral Danilo nesta Copa, casos de Espanha, Inglaterra, Portugal e até Noruega.

O Brasil, que escapou de perder para Marrocos na estreia (os africanos criaram duas chances claras contra uma da Seleção), não depende exclusivamente de si para terminar em primeiro no grupo. A segunda colocação transformaria o time em praticamente itinerante. E, nas fases mais agudas, obrigaria confrontos mais pesados contra equipes que já acumularam mais jogos até aqui antes da decisão. Uma derrota para a Escócia coloca o time de Ancelotti na trilha desconhecida dos terceiros colocados, que pode levar à Alemanha – pelas simulações da Opta, um terceiro colocado com 4 pontos tem 0,2% de chances de não seguir no Mundial.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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