Diário da Copa: Deu ruim na rede? FIFA ajusta internet com Mundial em andamento após críticas

Internet foi um dos grandes problemas dos primeiros dias de Copa do Mundo
Internet foi um dos grandes problemas dos primeiros dias de Copa do MundoJosias Pereira / Flashscore

Depois de um incômodo e arrastado "delay" de quase duas semanas, a internet nos estádios da Copa do Mundo finalmente começou a funcionar como o esperado.

Se a rodada decisiva da fase de grupos agora entrega conexões de alta velocidade e estabilidade desde as imediações das arenas, o cenário é o oposto do caos vivido na primeira semana do torneio.

Confira a tabela da Copa do Mundo no Flashscore

O início da competição na América do Norte foi marcado por um verdadeiro caos de conectividade que transformou o trabalho da imprensa e a experiência dos torcedores em um teste de sobrevivência digital.

Jornalistas encontraram dificuldades com a conexão da FIFA nas primeiras semanas de Copa
Jornalistas encontraram dificuldades com a conexão da FIFA nas primeiras semanas de CopaAMEEN AHMED / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

O colapso inicial no templo do futebol

O sinal de alerta acendeu logo na abertura, no México. No lendário Estádio Azteca, o centro de mídia transformou-se em um caldeirão de frustração. Uma rede severamente instável e incapaz de processar o volume de acessos dificultou o trabalho da imprensa.

Azteca sofreu para entregar conectividade na abertura da Copa
Azteca sofreu para entregar conectividade na abertura da CopaLARS BARON / GETTY IMAGES SOUTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

A tentativa de contornar o problema criando uma rede secundária específica para o torneio também naufragou. O Wi-Fi simplesmente não funcionava. Com o estádio lotado por mais de 80 mil pessoas tentando usar a mesma infraestrutura, o desespero tomou conta.

Para conseguir publicar um texto, enviar um vídeo ou atualizar as redes sociais, a única salvação foi o 5G dos planos de dados móveis dos próprios celulares — e claro, quem não tinha um bom chip local ficou completamente isolado.

Sala de imprensa do estádio Azteca lotada para a abertura da Copa
Sala de imprensa do estádio Azteca lotada para a abertura da CopaJosias Pereira / Flashscore

Paradoxo americano e o sufoco do rádio

Quem achava que o problema era exclusividade mexicana quebrou a cara ao cruzar a fronteira. No MetLife Stadium, na região de Nova York/Nova Jersey, a promessa de uma rede física de alta capacidade — semelhante à que os torcedores encontram semanalmente nos jogos da NFL — ruiu. O sistema falhou da mesma forma, prejudicando o público e também os profissionais de imprensa.

Problemas também se estenderam ao MetLife Stadium, o palco da final da Copa
Problemas também se estenderam ao MetLife Stadium, o palco da final da CopaROB CARR / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

A ironia desse apagão é monumental quando olhamos para os números. Historicamente, os Estados Unidos figuram no Top 10 do ranking global de velocidade de internet (segundo dados do Speedtest Global Index da Ookla), disputando o topo com potências tecnológicas e do Oriente Médio. O país é o berço das arenas ultra-conectadas. O mundo esperava a eficiência do Vale do Silício, mas recebeu uma conexão instável que travava até para abrir páginas básicas e, para piorar, bloqueava o acesso a diversos sites de trabalho sem qualquer justificativa clara.

As equipes de rádio tiveram um prejuízo evidente. Dependendo de conexões estáveis e limpas para transmitir o som ao vivo para seus países de origem, muitos narradores e técnicos precisaram fazer milagres com roteadores portáteis e pacotes de dados comerciais para não deixar o ouvinte no escuro durante a primeira rodada da fase de grupos.

Equipes de rádio no Gillette Stadium, em Foxborough
Equipes de rádio no Gillette Stadium, em FoxboroughJosias Pereira / Flashscore

Ajustando as turbinas em pleno voo

Diante de uma enxurrada de reclamações formais que certamente inundaram os escritórios da FIFA — partindo de jornalistas independentes até as grandes emissoras detentoras dos direitos de transmissão —, a entidade máxima do futebol precisou agir. Houve um claro "delay" na resposta organizacional, mas as melhorias começaram a aparecer no Canadá, a partir da segunda rodada, onde o acesso ficou visivelmente mais fácil.

Tribuna de imprensa do BMO Field, em Toronto, no Canadá
Tribuna de imprensa do BMO Field, em Toronto, no CanadáJosias Pereira / Flashscore

Mas o padrão de excelência real só veio mesmo agora, na última rodada da fase de grupos. Hoje, o fluxo de dados roda limpo, sem travamentos e sem bloqueios absurdos, aguentando o tranco de públicos superiores a 70 ou 80 mil pessoas que quebram recordes a cada jogo.

Esse filme de terror técnico já havia dado as caras de forma parecida no Mundial de Clubes passado, onde o início foi bem atrapalhado, mas a FIFA conseguiu corrigir a tempo. Agora, a operação de dados finalmente foi resolvida com o campeonato em andamento.

Os três países sedes evitaram um vexame histórico de conectividade, mas fica a lição: em uma Copa 100% digital, a internet não é um luxo ou um bônus. É tão vital para o espetáculo quanto a própria bola rolando no gramado.

Trabalho dos cinegrafistas durante coletiva de imprensa da seleção espanhola
Trabalho dos cinegrafistas durante coletiva de imprensa da seleção espanholaFLORENCIA TAN JUN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.

 

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