Mesmo com um time reserva e poupando estrelas como Erling Haaland e Martin Ødegaard, os noruegueses seguiram protagonistas do evento, como têm sido durante toda a competição.
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Seja com bola rolando, pênalti perdido ou chances desperdiçadas na cara do gol, a seleção escandinava foi para cima dos franceses empurrado por uma torcida que decidiu pelo surpreendente: curtir o momento e celebrar.

A última vez que a Noruega havia pisado em um gramado de Copa do Mundo foi na França, em 1998 — quando chegou a vencer o próprio Brasil na fase de grupos. De lá para cá, foram quase 30 anos de frustrações.
“Esperamos isso por 28 anos. Isso aqui é um jogo de exibição para nós", disse um animado Magnus Furunes, segurando sua cerveja e rodeado por compatriotas no último anel de arquibancadas do gigantesco Gillette Stadium. "Não colocamos o time principal, mas isso não importa. Isso realmente não importa. Esse não é o nosso time A", reforçou o amigo Jakob Berntzen.

O sentimento é geracional. Muitos dos milhares de escandinavos que cruzaram o Atlântico para invadir Massachusetts estavam no kindergarten — o jardim de infância — ou sequer eram nascidos em 1998. Não havia memória viva, em alta definição, do que era torcer pela pátria no maior palco da terra. Estar em Foxborough nesta sexta (26), portanto, transformou o estádio do New England Patriots em um parque de diversões. Qualquer linha de passe, desarme ou escanteio já era motivo para uma catarse coletiva.
E o técnico Ståle Solbakken, pelo visto, também estava no embalo. No aguardado duelo entre Haaland e Mbappé, o francês compareceu, mas o norueguês assistiu ao jogo de camarote — mais precisamente, do banco de reservas. E olha que a ausência do artilheiro não impediu a equipe escandinava de colocar a França em apuros, mas os gols noruegueses pararam mesmo no acerto de Aasgard, ainda no primeiro tempo.

Quando o relógio apontava 86 minutos, os noruegueses começaram a pular e cantar de forma efusiva. Minutos depois, os franceses resolveram entrar na onda da festa nórdica: a torcida do país bicampeão mundial começou a reproduzir a remada viking, tornando-se a primeira torcida estrangeira a adotar o gesto neste Mundial, sob os aplausos orgulhosos dos próprios noruegueses.
Ao apito final, mesmo com a goleada consumada no placar, o que se ouvia no Gillette Stadium era um coro monumental ao som de "Freed from Desire", com os noruegueses comemorando a vida e o torneio como se tivessem vencido o jogo.

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Nada vai estragar o verão dos noruegueses
A atual geração norueguesa já quebrou recordes ao alcançar a melhor pontuação da história do país em uma fase de grupos de Copa do Mundo. O grande objetivo agora é a etapa final, mantendo vivo o sonho de avançar ainda mais no chaveamento rumo às oitavas de final. A confiança no elenco segue intacta para o início do mata-mata, independentemente de quem estiver do outro lado do campo.

Ao apito final, a superioridade francesa e o placar elástico podem até ter ficado registrados na súmula, mas a narrativa legítima das arquibancadas de Foxborough foi escrita em azul, branco e vermelho nórdicos.
Para uma nação que passou 28 anos assistindo ao maior espetáculo da terra pela televisão, nenhuma derrota no mundo é capaz de estragar a festa de quem, embalado por clássicos das pistas e remadas improvisadas, vem fazendo o verão na América do Norte valer a pena.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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