Jogadores do Equador quebram protocolo a fazem a festa na zona mista após derrubarem Alemanha

Preciado era um dos mais animados após a vitória equatoriana sobre a Alemanha
Preciado era um dos mais animados após a vitória equatoriana sobre a Alemanha Josias Pereira / Flashscore

A festa incrível que a torcida equatoriana fez nas cadeiras do MetLife Stadium estendeu-se para além do apito final e contagiou os jogadores. Após a vitória maiúscula por 2 a 1 sobre a poderosa Alemanha, a seleção do Equador não escondeu a catarse pela vaga garantida na segunda fase da Copa do Mundo. A comemoração dos atletas quebrou o protocolo e expôs a autêntica alegria do futebol sul-americano.

Quem aguardava na área de entrevistas pôde ouvir o tamanho da festa muito antes de ver os atletas apontarem no corredor. O meia Kendry Páez despontou na zona mista carregando uma enorme caixa de som no último volume, tocando as músicas típicas que embalam o orgulho do país.

Veja como foi Equador 2 x 1 Alemanha

O elenco passou diante dos jornalistas celebrando desde o primeiro instante, provocando um barulho tremendo que evidenciava o alívio e o tamanho do feito histórico em Nova Jersey.

Jogadores do Equador fazem festa na zona mista após classificação
Josias Pereira

Entre os mais radiantes estava Gonzalo Plata. O atacante do Flamengo, autor do gol decisivo da virada aos 31 minutos do segundo tempo, preferiu não falar com a imprensa, mas sua fisionomia entregava a felicidade plena.

Um pouco antes passou o jovem Nilson Angulo, que anotou o primeiro gol equatoriano na tarde. Extremamente feliz, Angulo parou para celebrar o momento e mandou um abraço especial para todo o povo equatoriano.

Outro destaque na festa foi o lateral Ángelo Preciado, jogador do Atlético-MG, que fez questão de agradecer publicamente pela vitória e pelo apoio massivo da torcida e também dos torcedores do clube alvinegro em Belo Horizonte. 

Um dos nomes mais badalados na área de entrevistas, o experiente atacante Enner Valencia detalhou a atmosfera que vinha dos vestiários. Perguntado sobre a caixa de som alta e a festa que surpreendeu quem estava na zona mista, o capitão destacou a identidade da equipe. 

"A celebração está sempre presente. Na primeira partida, que perdemos, e na segunda, que empatamos, foi igual. A música está sempre presente. Nossa alegria é constante; dói quando não ganhamos, mas hoje vamos sair daqui muito mais felizes", disse Valencia, que também falou sobre o orgulho da classificação para o povo equatoriano.

"O Equador está pronto para grandes coisas, já demonstramos isso nas Eliminatórias. Nas duas primeiras partidas do Mundial não tínhamos feito as coisas como queríamos, então, hoje, sabíamos do que precisávamos. Ganhamos de um dos favoritos, de um rival que sempre é protagonista no Mundial, e estamos muito felizes por isso", concluiu. 

Confira a tabela da Copa do Mundo no Flashscore

Uma tarde de Quito em Nova Jersey

A alma do futebol sul-americano pulsou mais forte em Nova Jersey nesta tarde. Em um confronto que já nasce histórico, a seleção do Equador superou o ceticismo geral, derrotou a poderosa Alemanha por 2 a 1 e carimbou seu passaporte para a segunda fase da Copa do Mundo.

Mais do que o resultado em campo, o que se viu nas arquibancadas do MetLife Stadium foi uma demonstração de paixão e uma presença massiva de torcedores que transformaram o estádio em uma sucursal de Quito ou Guayaquil.

Caldeirão multicultural nos Estados Unidos

A forte presença tricolor reflete a demografia local. O estado de Nova Jersey, vizinho à efervescente Nova York, abriga uma das maiores e mais vibrantes comunidades equatorianas dos Estados Unidos. Esse apoio fervoroso já vinha se desenhando desde os primeiros jogos — como na Filadélfia —, mas atingiu o seu ápice nesta tarde, colorindo o estádio de amarelo, azul e vermelho.

Para quem está acostumado com a postura mais contida dos públicos locais, os equatorianos trouxeram a autêntica catarse do futebol sul-americano. Assistir ao jogo sentado? Impossível. A cada lance de perigo, a torcida não se intimidava: levantava-se das cadeiras, gesticulava e empurrava o time com um repertório que dita o ritmo do jogo. O clássico "Esta tarde temos que ganhar" ecoava como um trovão, mas foi o icônico "Sí, se puede!" ("Sim, é possível!") que mudou o destino da partida.

"Ver uma Copa do Mundo aqui é uma sensação indescritível. Os Estados Unidos abriram as portas para nós, e hoje conseguimos devolver essa energia transformando isso aqui na nossa casa", celebrou emocionado o torcedor equatoriano Júlio Narvaez, que saiu de Guayaquil para presenciar a história. Com certeza, ele não se arrependeu de todo sacrifício feito. 

Narvaez acompanhou vitória histórica do Equador
Narvaez acompanhou vitória histórica do EquadorJosias Pereira

Superação e o fim dos 100% da Alemanha

O feito equatoriano ganha contornos heroicos pelo tamanho do desafio. O Equador não começou bem o Mundial, enfrentou desconfiança após tropeços e a perda de pontos contra a Costa do Marfim e Curaçao. Diante deles estava a fortíssima Alemanha, que buscava fechar a fase de grupos com 100% de aproveitamento e era amplamente favorita.

Quando os alemães abriram o placar, o cenário parecia desolador para quem via de fora, mas a torcida equatoriana seguiu confiante em uma classificação que muitos consideravam improvável. O "Sí, se puede" subiu de tom e embalou a reação. A virada por 2 a 1 foi selada com um gol de Gonzalo Plata, atacante do Flamengo, incendiando definitivamente o estádio. Em campo, a equipe se superou na raça, deixando para trás os problemas de finalização que vinham preocupando desde os amistosos preparatórios.

Tradição de assistir ao jogo em pé foi mantida
Tradição de assistir ao jogo em pé foi mantidaFlashscore

Sem medo do futuro: "Venha quem vier"

O apito final desandou um nó na garganta de milhares de torcedores. Nas arquibancadas, o choro de alívio e felicidade tomou conta do público, que celebrou entoando em uníssono uma tradicional canção folclórica do país (famosa na voz de grandes cantores nacionais).

A euforia era tão massiva que invadiu as estruturas internas do MetLife Stadium. Enquanto os jovens Kenny Arroyo (Patio) e Nilson Angulo, dois dos grandes destaques do jogo, se dirigiam para a coletiva de imprensa, o som do lado de fora era ensurdecedor. Na zona mista, o clima era de total convicção.

Mais do que celebrar a vaga, os torcedores e jornalistas equatorianos deixavam claro que o teto dessa seleção sumiu. O respeito à Alemanha ficou para trás, e agora a mentalidade é de que o Equador pode bater de frente com qualquer gigante. Venha quem vier — México, Inglaterra ou quem estiver pelo caminho —, a torcida está firme, respaldada pelo grito que virou mantra e realidade: o Equador pode.

A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.

 

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