Infantino vem sendo alvo de duras críticas desde que lançou, e depois retirou em poucos dias, um plano para trazer investimento privado para competições da FIFA, incluindo as Copas do Mundo.
A FIFA rebateu no sábado "um esforço coordenado e contínuo de alguns para minar" a entidade máxima do futebol e Infantino.
No entanto, a carta desta segunda-feira das entidades que comandam o futebol europeu (UEFA), da América do Norte e Central (CONCACAF) e da Ásia (AFC) mostrou que seus críticos não recuaram.
"A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de manter — ou exigir — poder para si," escreveram.
Leia o documento na íntegra
"Prezada família do futebol,
O futebol é a maior paixão compartilhada do mundo. Ele não pertence a um indivíduo ou a uma instituição.
Pertence aos jogadores, aos torcedores, aos clubes, às associações-membro e a todas as instituições encarregadas de proteger seu futuro.
É nesse espírito, como confederações que representam seus membros, que nos manifestamos coletivamente hoje.
O crescimento do futebol na última década foi real. Mas esse progresso nunca foi obra de uma única pessoa. Ele foi resultado do trabalho conjunto da FIFA, das confederações, das associações-membro e de milhares de pessoas que dedicam suas vidas ao esporte.
A expansão dos torneios, a definição das sedes das Copas do Mundo de 2030 e 2034 e a distribuição de recursos às associações foram conquistas coletivas, construídas e colocadas em prática em conjunto.
Isso não é uma questão de dinheiro. As confederações já defenderam a distribuição responsável das enormes reservas atualmente mantidas pela FIFA, com o objetivo de ampliar os investimentos no desenvolvimento das associações-membro.
Também não se trata de retirar de qualquer associação-membro o apoio que conquistou, apesar das tentativas de espalhar esse temor entre nossos membros. Tampouco se trata de rever a expansão das competições, a escolha das sedes das Copas do Mundo ou quaisquer outras decisões tomadas coletivamente. Essas decisões foram tomadas em conjunto e devem ser mantidas.
A questão é mais fundamental: a integridade do jogo e a integridade daqueles que foram eleitos para liderá-lo.
A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de manter — ou exigir — poder para si. Trata-se de uma responsabilidade de servir à família do futebol que confiou essa função a seus líderes.
Quando a confiança é quebrada por meio de uma conduta enganosa, quando alguém se coloca acima do coletivo que lhe concedeu autoridade, essa responsabilidade é abandonada.
A recente carta da FIFA aos seus vice-presidentes e às 211 associações-membro reconhece que houve erros no processo. A entidade trata o episódio como uma falha de comunicação, quando aquilo que o futebol testemunhou foi uma falha de julgamento. Uma proposta apresentada em um prazo reduzido, sem uma consulta significativa e conduzida até um prazo-limite antes que as associações-membro pudessem analisar adequadamente seus termos não é resultado de um descuido — é consequência de um processo desenhado para limitar o escrutínio.
A carta não reconhece que a própria proposta era equivocada. Ainda não há reconhecimento de que a tentativa de vender uma participação na Copa do Mundo da FIFA foi um grave erro de julgamento — não apenas uma falha de procedimento, mas uma quebra fundamental de confiança com as próprias instituições às quais a FIFA deveria servir.
A FIFA também se comprometeu a apresentar um relatório completo sobre os acontecimentos ao Conselho da FIFA, mais uma vez sem reconhecer que, diante de uma falha de julgamento tão grave, uma análise adequada deveria ser conduzida por uma terceira parte totalmente independente, e não pela própria FIFA, por seus funcionários ou por qualquer outro integrante do futebol. A administração da FIFA não deveria ter qualquer participação na condução dessa investigação.
Conforme já havia sido solicitado em correspondência anterior, todos os documentos e registros relevantes devem ser preservados de acordo com a comunicação da UEFA sobre a preservação de documentos.
A própria carta da FIFA também confirma que apenas um dirigente eleito esteve presente na reunião de liderança realizada no Marrocos. Nenhum integrante do Conselho da FIFA ou das associações-membro foi convidado a participar. Apenas o comitê de gestão, formado por altos funcionários da própria FIFA, esteve presente.
Essa reunião recente, na qual apenas alguns integrantes do Comitê de Gestão da FIFA — e não todo o comitê — foram convocados para o exterior, em vez de a liderança da entidade ir a Zurique para tratar das questões relacionadas ao núcleo da FIFA e de seus funcionários, apenas reforça essas preocupações e representa a continuidade do mesmo padrão de conduta que nos trouxe até este momento.
Essa não é a postura de quem deveria ser o guardião do jogo, mas de alguém que acredita que o jogo deve responder a ele."
