O que ninguém, absolutamente ninguém, poderia ter previsto, é a nova e maluca tendência desta Copa do Mundo: pegar jogadores quase totalmente desconhecidos do grande público e transformá-los, da noite para o dia, em verdadeiras estrelas globais.
Confira a tabela da Copa do Mundo
Houve um tempo em que os palcos consagravam os craques dentro de campo, hoje, bastam um algoritmo, uma comunidade fiel e uma pitada de ironia para mudar uma vida para sempre.
O "caso zero": a fábula argentina de Tim Payne
Tudo começou com Tim Payne. Zagueiro da Nova Zelândia, nascido em 1994, com uma carreira honestíssima até poucos dias atrás, construída nas fileiras do Wellington Phoenix. A sua sorte? Ter sido identificado pelo Youtuber argentino Valen Scarsini, mais conhecido como "Elscarso", como o jogador menos conhecido de todo a Copa de 2026.
A partir daí, veio a provocação aos seguidores: "Vamos segui-lo em massa, vamos torná-lo uma estrela".
Dito e feito. O poder da web caiu sobre o perfil do Instagram de Payne com uma força impressionante: antes do alvoroço midiático, ele contava com apenas 4 mil seguidores; em menos de dois dias, superou a marca de um milhão e meio e hoje, na 3ª rodada do torneio, quase atingiu a cifra estratosférica de 6 milhões.
Um crescimento insano que mudou literalmente a vida do lateral neozelandês, a quem os torcedores da Albiceleste até dedicaram um cântico personalizado. E o mercado da bola não ficou parado: justamente nestes dias de delírio social, Payne oficializou sua transferência do Wellington para o Olimpia-PAR.
Vozinha: o paredão de Cabo Verde, com 15 milhões de seguidores
Se Payne foi o pioneiro, Vozinha definitivamente quebrou a internet. O goleiro de Cabo Verde, com 40 anos nas costas e atualmente no Chaves, da 2ª divisão portuguesa, viveu sua noite mágica contra a Espanha, após uma vida dedicada a defender as redes longe dos grandes holofotes.
Um empate histórico garantido por oito defesas milagrosas que lhe valeram o prêmio de MVP da partida. O povo das redes sociais, que não esperava por outra coisa, surfou na onda: sua conta no Instagram saltou de 50 mil seguidores para 3 milhões antes da meia-noite, para então atingir a marca inacreditável de 15 milhões de seguidores nas horas seguintes.
Hoje, Vozinha é o líder indiscutível deste movimento espontâneo, um ídolo transversal que une atuações em campo e popularidade digital.
Eloy Room e a "febre" de Curaçao
O último efeito dominó desta tendência chama-se Eloy Room. Goleiro de Curaçao e atualmente no Miami FC (na 2ª divisão dos EUA), Room apresentou-se para o duelo contra o Equador com 96 mil seguidores. Bastou o apito final para ver os números do seu perfil subirem, após ultrapassar rapidamente a marca de um milhão de seguidores.
O perfil oficial da seleção de Curaçao conta com "apenas" 342 mil seguidores. Na prática, Room sozinho é três vezes maior que a sua própria federação.
Três histórias, três contextos diferentes, mas um único denominador comum: o de que a Copa de 2026 está provando que o futebol moderno não se joga mais apenas nos noventa minutos no gramado.
A popularidade é fluida, repentina e imprevisível. Resta apenas saber quem será o próximo jogador "normal" a acordar com o smartphone entupido de notificações e uma nova vida como estrela global.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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