Fábio escreveu uma linda história de 17 anos no Cruzeiro. Quando foi contratado pelo Fluminense, em 2022, aos 41 anos, embora chegasse para ser titular, muitos acreditavam que seriam os momentos finais de sua carreira. Ledo engano.
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O goleiro iniciava uma nova história de idolatria em um novo clube — trajetória que já conta com Libertadores, Recopa, dois Cariocas e ainda não chegou no ponto final.
Depois de se tornar o jogador com mais partidas na história da Raposa no século XXI — e também na história do clube —, quem diria que Fábio poderia figurar no top 10 de outro time?
No domingo, quando entrar em campo, ele ultrapassará Dario Conca e se isolará como o sétimo jogador com mais jogos pelo Fluminense no século, com 273 partidas.

Recordista de jogos
Independentemente disso, ele já escreveu seu nome na história do futebol em 2025, quando entrou em campo contra o América de Cali-COL pela Copa Sul-Americana e se tornou o jogador com o maior número de partidas na história do futebol, ultrapassando Peter Shilton, ex-goleiro e lenda do futebol inglês.
Na ocasião, atingiu a marca de 1.391 jogos. Hoje, já soma 1.428 partidas e segue ampliando o recorde.
E o impacto do goleiro segue sendo sentido em campo. Desde que chegou ao Fluminense, em 2022, Fábio é o segundo goleiro com mais defesas no Brasileirão (458), ficando atrás apenas de Walter (461).

O impacto de Fábio
No Fluminense, desfalcou pouco o clube. Disputou 272 jogos e ficou fora de apenas 30. O aproveitamento do Tricolor cai de 52,6% com ele para 43,3% sem ele.
Com uma presença tão impactante, torna-se ainda mais valorizado o fato de Fábio, aos 45 anos, ter jogado todos os minutos possíveis no último Brasileirão, sendo o atleta com maior minutagem no campeonato (3420).
Se alguém pensa que, com essa idade, ele já está perdendo o gás, se engana. Além de bater marcas de jogos no Brasileirão, Fábio atuou em um total de 74 partidas em 2025, a maior marca de sua carreira.

Marcas na Libertadores
Em abril, quando o Fluminense iniciar sua trajetória na Libertadores, o goleiro começará sua 13ª participação na competição. Ele já é o brasileiro com mais jogos no torneio, com 110, e, se entrar em campo em quatro partidas na fase de grupos, se tornará o atleta com mais jogos no geral — marca que hoje pertence ao uruguaio Éver Almeida, que entrou em campo em 113 oportunidades.
No Fluminense, Fábio tem sido sinônimo de segurança. Suas poucas falhas são compensadas por defesas que muitas vezes garantem os três pontos. Dos 272 jogos disputados, o goleiro não foi vazado em 111 deles, o que já é suficiente para colocá-lo como o quarto goleiro com mais partidas desse tipo pelo clube, atrás apenas de lendas como Carlos Castilho, Paulo Victor e Félix.

Que o goleiro é muito querido pelos companheiros não é novidade, mas Paulo Henrique Ganso, autor do gol da classificação, fez questão de exaltá-lo após a partida de domingo:
"Ele é sensacional. Fábio é um fenômeno. Não tem explicação o que ele faz. Só agradecer pela oportunidade de poder estar no dia a dia com ele, vivenciando tudo isso. Espero que a gente possa ir em busca do título", disse o camisa 10.
Até onde ele vai?
Ganso não está errado. Os números mostram como Fábio é um fenômeno. É difícil até acreditar que, aos 45 anos, um atleta possa atuar em nível tão alto. Até quando ele conseguirá manter esse desempenho? É difícil afirmar. O normal é vermos atletas de alto nível experimentarem uma grande queda de rendimento nessa idade.

Um dos exemplos disso é Tom Brady, histórico quarterback do New England Patriots e do Tampa Bay Buccaneers, considerado um dos melhores de todos os tempos. Ele jogou até os 45 anos — a mesma idade de Fábio — e viu seus números caírem drasticamente na última temporada, em 2023.
O Fluminense mostrou que ainda acredita que o goleiro tenha lenha para queimar. No início deste ano, anunciou a renovação de seu contrato até o fim de 2027, quando ele terá 47 anos. Tudo o que fez pelo clube até hoje justifica essa extensão.
Se vai jogar até lá, talvez nem ele saiba afirmar. Mas algo é difícil de negar: depois de se transformar em um dos maiores da história do Cruzeiro, Fábio já cravou seu nome na galeria de ídolos do Fluminense.
