Com o inédito acesso à Série C do Brasileiro garantido e a possibilidade real de um título catarinense, o presidente e ex-jogador Bene Sobrinho detalhou, em entrevista exclusiva ao Flashscore, como a gestão "tupiniquim-germânica" transformou o clube em uma potência precoce.
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Neste domingo (8), o Pescador pode dar outro passo gigante em sua história. Após vencer a Chapecoense por 3 a 1 em Itajaí, no jogo de ida da decisão, o Barra pode perder por até um gol de diferença na Arena Condá que, ainda assim, garantirá o título estadual inédito.
Um feito que consolidará a força do projeto e deixará os adversários locais ainda mais em estado de alerta. O Barra não quer ser apenas um mero coadjuvante.
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A ascensão à Série C: planejamento sem "Queima de Processos"
O título da Série D e o consequente acesso à terceira divisão nacional colocaram o Barra em um seleto grupo de precocidade no Brasil. Fundado em 2013, o clube demorou apenas 12 anos para conquistar a quarta divisão. Para Bene Sobrinho, o sucesso é fruto de uma estrutura que permite ao atleta focar apenas no desempenho, com orçamentos conscientes e 'erro quase zero'.
"Nós entramos em cada competição para ganhar, mas sempre com os pés no chão. O título nacional trouxe uma alegria imensa e a certeza de que o caminho traçado como instituição está correto. Não houve queima de processos, houve investimento em pessoas e estrutura para competir de igual para igual", pontuou o presidente.

"De fora, pode parecer que os investimentos são gigantescos. Eles são, sim, expressivos em estrutura, mas, no contexto geral, trabalhamos com orçamentos bem planejados e conscientes de que não temos margem para erros. A chance de erro precisa ser quase zero; construímos o futebol dessa forma ao longo dos anos", acrescentou Bene.

O "intruso" que incomoda: final estadual e a reação dos tradicionais
Ao chegar à final do Catarinense desbancando potências locais e tendo em vista o sucesso recente, o Barra vem despertando sentimentos mistos no estado. Bene reconhece o papel de "intruso", mas vê o crescimento do clube como uma consequência natural da competência interna e, por vezes, da instabilidade dos adversários.
"O fato de sermos um clube jovem conquistando resultados gera esse rótulo de 'intruso'. O Barra cresce com o sucesso de sua gestão, mas também ocupa espaços deixados pelo fracasso de outros. No ranking dos últimos cinco anos, certamente estamos entre os cinco principais clubes de Santa Catarina. Isso incomoda? Sem dúvida, mas é uma consequência do nosso trabalho", afirma Bene.

"Se os outros não se planejam bem e nós seguimos nosso 'passinho', acabamos ocupando espaços que eram deles", completou o dirigente.
Mas o favoritismo na final do próximo domingo segue do lado da Chapecoense, como fez questão de ressaltar Bene. O rival está de volta à Série A do Brasileirão e é uma das grandes forças do estado. Ainda assim, não custa nada seguir sonhando e trabalhando passo a passo para sustentar a vantagem conquistada no primeiro confronto.
"O favoritismo é todo da Chapecoense, e não digo isso por ausência de responsabilidade nossa. Sabemos que temos plenas condições de vencer e ser campeões, mas entendemos o peso do histórico da Chape e o fato de decidirem em casa. É uma situação similar ao que vivemos contra o Santa Cruz no título brasileiro da Série D: o favoritismo era deles, mas fomos competentes para trazer a taça", recordou o presidente.

DNA Híbrido: a conexão com Hoffenheim e Académico de Viseu
O diferencial estratégico do Barra é sua rede internacional. A parceria com o futebol alemão e com o grupo que gere o TSG Hoffenheim e o Académico Viseu, de Portugal, traz uma metodologia europeia rigorosa, adaptada ao talento brasileiro.
"Buscamos manter a essência e o improviso do atleta brasileiro, mas com uma gestão e organização germânicas. Temos uma relação de amizade e negócios com esses grupos europeus que facilita o intercâmbio. O Barra é a plataforma para desenvolver jovens talentos e colocá-los na vitrine do mercado mundial", explica Bene Sobrinho.

Por trás do crescimento meteórico do Barra FC está a visão estratégica de Dietmar Hopp, bilionário alemão e cofundador da gigante tecnológica SAP. Hopp, que transformou o Hoffenheim em uma potência na Bundesliga, replica em Itajaí o mesmo modelo de gestão baseado em dados e excelência organizacional que consolidou sua fortuna no mundo do software.
No Pescador, a influência da SAP vai além do aporte financeiro: reflete-se em uma estrutura de clube-empresa que prioriza a tecnologia e o planejamento de longo prazo, tratando o futebol com a precisão técnica de uma multinacional para garantir que o sucesso em campo seja uma consequência direta de processos administrativos impecáveis.
"O grande investidor é um apaixonado por esporte que entende que o legado dele passa por criar oportunidades de trabalho e desenvolvimento para jovens", conta o presidente do Barra.

"Não existe uma pressão externa desmedida, porque nós mesmos nos autorregulamos. Queremos entregar o sucesso e o retorno financeiro o mais rápido possível para esses parceiros, pois sabemos que o futebol, além de paixão, é um negócio de alta performance", reforça o gestor, destacando o DNA formador da equipe desde sua origem.
Além do glamour: o crescimento orgânico da torcida
Em uma cidade cosmopolita como Balneário Camboriú, o Barra conseguiu criar uma identidade própria, simbolizada pelo bairro da Barra e pela figura do pescador. Com mais de 250 mil seguidores orgânicos no Instagram e um número crescente de sócios, o clube começa a "furar a bolha" regional.
"O Barra já furou a bolha há muito tempo. Hoje temos mais de 1.600 sócios pagantes, o que para um clube sem o histórico dos tradicionais é fantástico. Os filhos e netos dos torcedores mais antigos do estado já estão torcendo para o Barra. Daqui a dez ou quinze anos, teremos uma base de torcedores jovens muito consolidada pelo sucesso que estamos construindo agora", projeta o dirigente, que também destaca a importância da cidade de Balneário Camboriú para o sucesso do projeto.

"Escolhemos Balneário Camboriú estrategicamente. É uma cidade com o metro quadrado mais caro do país e uma visibilidade global. O Barra cresce junto com a pujança da cidade. Hoje, temos 250 mil seguidores orgânicos porque as pessoas que vêm veranear aqui, seja de Curitiba, São Paulo ou Porto Alegre, acabam simpatizando e adotando o Barra como seu segundo clube", destaca.
Pensando no futuro: o Barra como potência consolidada
Questionado sobre o futuro, Bene Sobrinho não esconde a ambição, embora mantenha a cautela para não soar arrogante. O plano é transformar o Barra em uma presença constante na elite do futebol brasileiro e, quem sabe, sul-americano.
"Temos sonhos grandes, como chegar à Série A e quem sabe uma Libertadores. O Barra vai se tornar uma potência de clube organizado e bem gerido. Daqui a alguns anos, seremos um case de sucesso para novos clubes que queiram apostar nesse método de equilíbrio entre formação de atletas e competitividade profissional", vislumbra Sobrinho.

Outro projeto que está no radar da administração é a ampliação do estádio do clube, a Arena Barra, localizada na cidade de Itajaí, que fica a 11km de distância de Balneário Camboriú. O local tem capacidade para cerca de 5,5 mil torcedores, mas ficou pequeno para comportar os fanáticos da nova força do futebol catarinense.
"O planejamento físico do estádio vai acontecer. Hoje já atingimos a capacidade máxima muito rapidamente; o jogo contra o Camboriú (pela semifinal do Campeonato Catarinense) teve quatro mil pessoas e a estrutura já ficou apertada. Temos uma área de 40 mil metros quadrados para explorar e, conforme subirmos de divisão ou avançarmos em competições como a Copa do Brasil, faremos os investimentos necessários para dobrar a capacidade das arquibancadas", projeta o presidente.
