Quando anunciou sua aposentadoria em 31 de agosto, Messi deixou claro que a atual Data FIFA promoveria a sua última aparição com a camisa da Argentina, em um amistoso de despedida contra o Benim.
Desde sua estreia na seleção principal, em 17 de agosto de 2005, o camisa 10 construiu uma marca de 125 gols em 207 jogos, e se consolidou como o maior artilheiro e maior ídolo da história do futebol argentino. Uma história que merece ser contada desde o início.

O talento da base argentina
A primeira partida de Messi vestindo a camisa da Seleção Argentina aconteceu em 29 de junho de 2004 — cinco dias depois de ter completado 17 anos, pela equipe Sub-20. Naquela ocasião, o jovem craque entrou em campo no segundo tempo usando a camisa 17. Ele balançou as redes uma vez e distribuiu duas assistências para Federico Almerares, selando a goleada da Argentina sobre o Paraguai por 8 a 0.
Quase um ano depois, Messi voltou a vestir a camisa de base da Seleção Argentina durante o Mundial Sub-20, disputando sete partidas. Após o tropeço na estreia contra os Estados Unidos, a Albiceleste superou Egito, Alemanha, Colômbia, Espanha, Brasil e Nigéria.
Com exceção do confronto diante dos alemães e da estreia, o camisa 18 balançou as redes contra todos os outros adversários, liderando a Argentina rumo ao título mundial e terminando como artilheiro do torneio.

O início na seleção principal
Messi estreou na seleção principal da Argentina no dia 17 de agosto de 2005, aos 18 anos, em um amistoso contra a Hungria. Apesar da vitória da Albiceleste, o pontapé inicial do craque não poderia ter sido mais dramático: ele foi expulso poucos segundos após entrar em campo.
O contratempo não impediu que Messi ganhasse novas oportunidades. Nas Eliminatórias daquele ano, ele atuou contra Paraguai, Peru e Uruguai, mas passou em branco. Foi no amistoso diante do Catar que o atacante deixou a timidez de lado e deu uma assistência precisa para Riquelme balançar as redes.
O primeiro gol de Messi com a camisa da Argentina saiu em março de 2006, em um amistoso contra a Croácia. Naquela partida, ele deu início a uma marca registrada de sua carreira: o chute colocado de perna esquerda da entrada da área. Apesar da derrota por 3 a 2, o gol e a assistência para Tevez carimbaram de vez o passaporte do camisa 19 para a Copa do Mundo da Alemanha.

O homem das Copas
Na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, Messi ainda era um jovem coadjuvante diante de nomes consagrados como Riquelme, Crespo, Tevez e Mascherano. Na estreia da Seleção Argentina contra a Costa do Marfim, o camisa 19 sequer saiu do banco de reservas. Sua primeira atuação em um Mundial só aconteceu na segunda rodada, durante a goleada por 6 a 0 sobre a Sérvia e Montenegro. Ao entrar no segundo tempo, Messi deu um passe para Crespo marcar e anotou o seu primeiro gol no torneio.
Desde então, Messi esteve presente em todas as edições seguintes de mundiais — 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026 —, somando 34 partidas, 21 gols marcados e 12 assistências. A trajetória em Copas conta ainda com três decisões disputadas e o memorável título conquistado no Catar, em 2022.

As maiores vítimas de Messi
Dos 125 gols marcados por Messi na Seleção Argentina, 110 foram com o pé esquerdo, 13 foram com o pé direito e dois foram de cabeça. Com apenas 1,70m de altura, o jogo aéreo nunca foi o forte do camisa 10, que balançou as redes pelo alto contra o Uruguai nas Eliminatórias de 2008 e no amistoso diante da Bolívia, em 2015.
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A Seleção Boliviana, aliás, é a maior vítima de Messi vestindo a camisa da Albiceleste. Em 12 confrontos diante da Bolívia, o craque argentino balançou as redes 11 vezes. Logo em seguida no ranking de vítimas aparecem Equador e Venezuela, ambos com 7 gols sofridos, além do Uruguai, que levou 6. Já a Seleção Brasileira sofreu 5 gols do camisa 10 ao longo da história.
Do adeus aos títulos
A relação entre Messi e a Seleção Argentina nem sempre foi marcada pelo sucesso. Após perder a final da Copa América Centenário para o Chile, em 2016, a frustração do atacante foi tamanha que ele anunciou sua aposentadoria da Albiceleste. Aquele era o quarto vice-campeonato de Messi pelo país, somando-se às derrotas nas Copas América de 2007 e 2015, além da final da Copa do Mundo de 2014.
Poucos meses depois, Messi voltou atrás na decisão e seguiu firme na liderança da equipe. Em campo, novas frustrações ainda surgiriam, mas a grande glória finalmente veio. Em 2021, o primeiro título do camisa 10 pela seleção principal carregou um sabor único: além de erguer a taça da Copa América na casa do maior rival (o Brasil, em pleno Maracanã), a conquista colocou fim a um jejum de 28 anos da Argentina sem títulos.
A partir dali, a relação entre Messi e a Seleção Argentina transformou a incerteza em uma era de ouro. Antes de erguer o troféu da Copa do Mundo de 2022 contra a França, a Albiceleste conquistou a Finalíssima sobre a Itália naquele mesmo ano, além de levantar mais uma taça da Copa América em 2024 ao vencer a Colômbia por 2 a 1 na decisão.
Em 2026, aos 39 anos, Messi liderou novamente a Argentina até a final do Mundial, consolidando-se como o maior artilheiro da história das Copas e exibindo um espírito de liderança incomparável.
Não à toa, os torcedores esgotaram em poucas horas os ingressos para ver Lionel Messi em ação pela última vez com a camisa da seleção nesta Data FIFA derradeira do craque. A festa comandada pela apaixonada torcida argentina será o ato final da coroação de um gênio que, amparado por números impressionantes, selou de vez seu nome no seleto grupo dos maiores heróis da história do país.
