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Remo busca vitória inédita contra Santos e vaga que não vem há 35 anos

Neymar viajará a Belém e deve jogar pela Copa do Brasil
Neymar viajará a Belém e deve jogar pela Copa do BrasilJOTA ERRE/AGIF VIA AFP

Uma vitória sobre o Santos em Belém colocará este confronto entre os jogos mais importantes da história do Clube do Remo, fundado há mais de 120 anos. O termo “histórico”, neste caso, está longe de ser apenas retórico.

Em 11 encontros entre os dois clubes, incluindo amistosos, o Remo jamais venceu. São nove vitórias do Santos e dois empates. Um desses jogos ficou marcado para sempre na memória dos torcedores azulinos. Em 1965, Pelé entrou no Baenão vestindo a camisa do Remo.

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O último empate da lista aconteceu no último duelo entre as equipes, na semana passada, na Vila Belmiro. O jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil terminou sem gols e deu ao Remo seu primeiro ponto como visitante diante do Santos em toda a história. Além do direito de sonhar. 

Remo nunca venceu Santos na história do confronto
Remo nunca venceu Santos na história do confrontoFlashscore

O primeiro empate do confronto havia ocorrido em novembro de 1972, também em Belém. Foi a estreia do duelo entre os clubes pelo Campeonato Brasileiro. O placar terminou em 1 a 1, com gols de Alcino para o Remo e Alcindo para o Santos.

Neymar também fez história

Das nove vitórias do Santos no confronto, sete ocorreram em partidas oficiais. Seis foram pelo Campeonato Brasileiro e uma pela Copa do Brasil, em 2010.

Naquela partida, disputada em Belém, o então jovem Neymar teve participação direta nos quatro gols da goleada por 4 a 0. O então camisa 11 abriu o placar, deu as assistências para os dois gols de André e fechou a conta cobrando pênalti.

Em 2010, Neymar se firmou como grande destaque do Santos e jogava com a 11
Em 2010, Neymar se firmou como grande destaque do Santos e jogava com a 11MAURICIO LIMA/AFP

O Santos era comandado por Dorival Júnior e tinha no elenco jogadores que se tornariam protagonistas do futebol brasileiro nos anos seguintes, entre eles o paraense Paulo Henrique Ganso. Uma parte levantou a Libertadores em 2011, já com o técnico Muricy Ramalho, que assumiu o time ao longo da competição.  

Pelé deixou os remistas boquiabertos

Se o retrospecto pesa contra o Remo, existe uma derrota que muitos torcedores azulinos provavelmente não gostariam de apagar da memória. Ou até nem se lembram do placar daquele dia 29 de abril de 1965, no estádio Baenão. 

Naquela época, era comum o Santos excursionar pelo Brasil e pelo exterior. Antes da partida, Pelé recebeu homenagens dos remistas, entre elas uma camisa do clube. Quando o Santos entrou em campo, veio a surpresa. O Rei vestia a camisa do Remo.

O placar, depois, acabou ficando em segundo plano. O Remo chegou a abrir 2 a 1, mas o Santos virou e venceu por 9 a 4, com cinco gols de Pelé. A cada vez que o maior jogador da história do futebol tocava na bola, era a torcida remista que o aplaudia.

Pelé com a camisa do Santos em 1961; nos Santos seguintes, seria bicampeão do mundo com o time da Vila
Pelé com a camisa do Santos em 1961; nos Santos seguintes, seria bicampeão do mundo com o time da VilaAFP

O Santos que enfrentou o Remo naquela noite também tinha uma particularidade. Enquanto os principais jogadores do time da casa estavam em outra excursão pelo Norte do país, a equipe paulista escalada para o amistoso contra os reservas do Leão contava com nomes que ainda construíam suas histórias no clube.

Foi nessa partida que Carlos Alberto Torres fez sua estreia pelo Santos. Cinco anos depois, ele seria o capitão da Seleção Brasileira no tricampeonato mundial de 1970, ao lado de Pelé. No Baenão, marcou um dos nove gols santistas.

Remo tenta voltar às quartas

A classificação agora em 2026 em Belém, mesmo que venha apenas nos pênaltis, também teria um peso especial para o Remo. O clube voltaria às quartas de final da Copa do Brasil pela terceira vez na história e encerraria um jejum de 35 anos.

As duas campanhas anteriores ocorreram justamente nas primeiras participações do Remo no torneio, disputado desde 1989. Em 1990, o time paraense chegou às quartas de final, mas foi eliminado pelo Náutico.

As dez melhores campanhas do Remo na Copa do Brasil
As dez melhores campanhas do Remo na Copa do BrasilStats Perform/Opta

No ano seguinte, veio a campanha mais marcante do clube na competição. O Remo avançou até a semifinal, eliminando adversários como o Vasco de Bebeto.

A caminhada terminou diante do Criciúma, dirigido por Luiz Felipe Scolari. O time catarinense venceu por 1 a 0 no Baenão e confirmou a classificação com uma vitória por 2 a 0 em casa. O Tigre acabaria campeão daquela edição, derrotando o Grêmio na decisão.

Depois daquela campanha, o Remo ainda chegaria às oitavas da Copa do Brasil mais sete vezes entre 1992 e 2003, não conseguindo passar de fase.

Agora, diante do Santos, tem a chance de quebrar dois tabus de uma vez: conquistar a primeira vitória da história sobre o Peixe e retornar, 35 anos depois, ao grupo dos oito melhores da competição. 

Depois, inclusive, de ter quebrado outro jejum. A volta à Série A do Brasileirão no ano passado, divisão que não jogava há 31 anos. Na Copa do Brasil, o Leão Azul só ficou de fora três vezes. Mas em todas as outras edições caiu na primeira ou na segunda fase do mata-mata.