Foi uma noite de muita emoção em Rabat, onde o Senegal venceu uma decisão dramática por 1x0 depois que Brahim Diaz desperdiçou um pênalti nos últimos segundos do 2º tempo e Papa Gueye marcou um golaço na prorrogação.
Mas o jogo será lembrado por muito tempo pelos acontecimentos dentro e fora de campo, e não pelo futebol eletrizante que, em alguns momentos, foi disputado entre as duas melhores seleções do torneio.
O jejum de 50 anos do Marrocos desde a última vez que levantou o troféu continua, enquanto os senegaleses conquistaram um título inédito.
Confira a linha do tempo das polêmicas da final:
Gol contestado
Tudo estava relativamente tranquilo, até que Ismaila Sarr abriu o placar para Senegal aos 48 minutos do 2º tempo. O árbitro Jean-Jacques Ndala, da RD Congo, no entanto, anulou rapidamente o lance por uma falta duvidosa de Seck em Achraf Hakimi. Houve contato suficiente? Hakimi caiu fácil demais? Com a percepção que Ndala estava favorecendo os donos da casa, a revolta senegalesa começou.
Pênalti para Marrocos
Três minutos depois, Diaz caiu na área após ser tocado pelo zagueiro senegalês El Hadji Malick Diouf. O árbitro inicialmente não marcou nada, mas ao ser chamado pelo VAR, assinalou o pênalti. Diaz valorizou o contato, mas aparentemente foi seguro e, considerando o contexto, a marcação foi provavelmente correta. Aí a confusão começou.
Tumulto nas arquibancadas
O gol anulado, seguido rapidamente pelo pênalti para Marrocos, enfureceu os torcedores senegaleses, que tentaram invadir o campo, brigaram com seguranças e jogaram cadeiras dos fotógrafos que estavam à frente deles.
O abandono de campo
O técnico do Senegal, Pape Thiaw, perdeu a paciência e chamou seus jogadores para o vestiário. O ídolo senegalês Sadio Mané agiu com sensatez e chamou os jogadores de volta, depois de conversar com o técnico Claude Leroy, que estava à beira do campo comentando o jogo para uma televisão.
Diaz desperdiça cavadinha
Com isso, o pênalti que Diaz deveria cobrar só aconteceu aos 69 minutos do 2º tempo, cerca de 16 minutos depois da marcação do penal. O Marrocos tem vários bons cobradores de pênalti; por que Diaz foi escolhido para bater? Ele buscava seu sexto gol no torneio, o que garantiria a Chuteira de Ouro – que acabou conquistando de qualquer forma. O que levou Diaz a cobrar com uma cavadinha no meio do gol, ninguém sabe.
Rumores circularam na tribuna de imprensa do estádio de que ele teria perdido o pênalti de propósito como parte de um acordo para trazer os jogadores senegaleses de volta ao campo, mas isso parece improvável. O curioso é que nenhum jogador do Senegal comemorou a defesa do goleiro. Eles apenas se viraram e seguiram o jogo.
Briga com gandulas
No tumulto antes do pênalti, os jogadores de Marrocos e os gandulas fizeram de tudo para pegar a toalha do goleiro senegalês Edouard Mendy, que claramente tinha informações sobre os possíveis cobradores de pênalti.
O goleiro reserva do Senegal Yehvann Diouf ficou encarregado de proteger a toalha e, em certo momento, foi arrastado pelo chão pelos gandulas tentando tirar o objeto dele. Ver um goleiro do Nice sendo puxado por gandulas foi uma cena surreal.
Golaço no final
Tanto Marrocos quanto Senegal desperdiçaram chances claríssimas durante a partida. O gol que decidiu a parada saiu logo aos 3 minutos da prorrogação, após Gueye finalizar um contragolpe puxado por ele mesmo.
Os donos da casa acertaram a trave na 2ª etapa, mas os visitantes seguraram o placar.
Drama após o jogo
Era esperado que, depois da partida, a tensão continuasse. Quando o técnico do Senegal, Thiaw, chegou para a coletiva de imprensa, foi vaiado pelos jornalistas marroquinos e saiu sem falar nada. Houve também brigas na tribuna de imprensa.
Final mais longa da história
No total, a final teve 151 minutos, pouco mais de duas horas e meia – recorde no torneio. As consequências para o Senegal podem ser pesadas, pois a CAF promete punir os "culpados" pelo abandono de campo.
Na verdade, o clima tenso já vinha dos dias anteriores à final, quando a Federação Senegalesa de Futebol tomou a atitude incomum de divulgar uma nota criticando a organização do evento e apontando vários problemas, como segurança, hospedagem, locais de treino e a pequena quantidade de ingressos para seus torcedores. O ambiente já estava carregado antes do duelo dramático no Estádio Príncipe Moulay Abdellah.

