Carlos Queiroz assume Gana e sobe na lista de técnicos com mais Copas da história

Carlos Queiroz parte para mais uma Copa do Mundo
Carlos Queiroz parte para mais uma Copa do MundoNoushad Thekkayil/NurPhoto / Shutterstock Editorial / Profimedia

A nova missão no comando da seleção de Gana reforça o status de Carlos Queiroz como um dos técnicos mais experientes da história das Copas do Mundo — em um grupo reservado a verdadeiras lendas.

A nomeação de Carlos Queiroz como técnico de Gana destaca um percurso construído com consistência competitiva, longevidade rara e presença constante nos grandes palcos do futebol mundial.

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Com esta nova etapa, Queiroz volta a se posicionar entre os treinadores com mais experiência em Mundiais, distinguindo-se pela capacidade de adaptar equipes a contextos muito diferentes e de as transformar em times altamente competitivos, mesmo perante adversários de maior expressão.

Ao longo da carreira, passou por seleções como a de Portugal, do Irã e da Colômbia, deixando sempre uma identidade bem definida: equipes organizadas, disciplinadas taticamente, compactas e extremamente difíceis de bater, mesmo contra seleções teoricamente superiores.

Agora, no comando de Gana, Queiroz tem mais uma oportunidade de reforçar um legado apoiado em rigor tático absoluto, capacidade de adaptação constante e na possibilidade real de se tornar um dos treinadores com maior número de participações na história das Copas, consolidando definitivamente seu lugar entre os nomes mais respeitados do futebol. 

Abaixo, os treinadores que mais vezes comandaram seleções no maior palco do planeta:

Carlos Alberto Parreira (6 Mundiais)

Participações: 1982, 1990, 1994, 1998, 2006, 2010

Carlos Alberto Parreira é o nome que encabeça qualquer enciclopédia sobre o torneio. Parreira não era apenas um treinador; era um gestor de talentos e de culturas. Comandou cinco nações diferentes (Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Brasil, Arábia Saudita e África do Sul), um feito de camaleão tático. O seu nome ficou gravado a ouro em 1994, quando provou que o Brasil podia ser pragmático sem perder a alma, conquistando o Tetra nos Estados Unidos.

Bora Milutinović (5 Mundiais)

Participações: 1986, 1990, 1994, 1998, 2002

Bora Milutinović é a personificação da mística da Copa. Comandou equipes em cinco edições consecutivas (México, Costa Rica, EUA, Nigéria e China). O seu segredo era a simplicidade: chegava a países sem tradição e, em poucos meses, implementava uma disciplina que derrubava gigantes. Foi o primeiro a provar que, num Mundial, a organização mental vale tanto ou mais do que o talento individual.

Carlos Queiroz (5 Mundiais)

Participações: 2010, 2014, 2018, 2022, 2026

Carlos Queiroz é o exemplo da longevidade moderna e o arquiteto que constrói de baixo para cima. Das suas cinco participações (Portugal, Irã em três ocasiões e agora Gana), destaca-se a capacidade de transformar seleções tecnicamente limitadas em autênticas fortalezas. Em 2026, ele se reafirma como o mestre da preparação científica, provando que o rigor é o melhor antídoto para a incerteza do futebol.

Helmut Schön (4 Mundiais)

Participações: 1966, 1970, 1974, 1978

Helmut Schön é o homem dos recordes em campo. Em quatro Copas, comandou a Alemanha Ocidental em 25 jogos — um número impressionante que reflete a sua capacidade de chegar sempre às instâncias finais. Foi o estrategista do título de 1974, gerindo personalidades como Beckenbauer e Gerd Müller com uma mão de ferro que vestia uma luva de veludo.

Sepp Herberger (4 Mundiais)

Participações: 1938, 1954, 1958, 1962

Sepp Herberger é o arquiteto da ressurreição do futebol alemão. Comandou a seleção em quatro décadas distintas, atravessando o período mais turbulento da história do país. O seu nome tornou-se eterno em 1954, no chamado "Milagre de Berna", onde a sua astúcia tática permitiu à Alemanha Ocidental derrotar a invencível Hungria. Foi ele quem inseriu no DNA alemão a crença de que "o jogo só acaba quando o árbitro apita".

Walter Winterbottom (4 Mundiais)

Participações: 1950, 1954, 1958, 1962

Walter Winterbottom foi o primeiro técnico oficial da Inglaterra e o homem que modernizou o futebol na terra onde nasceu. Durante 16 anos e quatro Copas consecutivas, lutou para que a seleção inglesa abandonasse o isolacionismo e abraçasse as novas tendências. Embora nunca tenha erguido o troféu, a sua visão estrutural e o foco na preparação física foram os alicerces sobre os quais a Inglaterra construiria o seu triunfo em 1966.

Lajos Baróti (4 Mundiais)

Participações: 1958, 1962, 1966, 1978

Lajos Baróti foi o guardião do legado húngaro após o fim da era de ouro de Puskás. Com uma elegância rara e uma disciplina inabalável, Baróti conseguiu manter a Hungria como uma potência respeitada durante duas décadas. Em quatro participações, provou ser um mestre da transição geracional, levando a sua equipe às quartas de final em 1962 e 1966 e voltando doze anos depois para uma última dança no Mundial da Argentina.

Henri Michel (4 Mundiais)

Participações: 1986, 1994, 1998, 2006

Henri Michel foi o grande embaixador do estilo francês pelo mundo, especialmente no continente africano. Depois de levar a França de Platini ao pódio em 1986, Michel tornou-se um mestre da adaptação, classificando Camarões, Marrocos e Costa de Marfim para a Copa. A sua capacidade de integrar o rigor tático europeu com a criatividade africana fez dele uma figura respeitada em três continentes diferentes.

Óscar Tabárez (4 Mundiais)

Participações: 1990, 2010, 2014, 2018

Conhecido como "El Maestro", Tabárez é um caso único de fidelidade e reconstrução. Ao contrário dos nômades desta lista, as suas quatro presenças foram todas à frente do seu Uruguai. Ele não se limitou a treinar; reformulou todo o sistema de formação de uma nação através do "Processo". Sob o seu comando, a Celeste recuperou a dignidade e a garra, voltando a ser temida em qualquer parte do globo, culminando com a histórica semifinal de 2010.

Didier Deschamps (4 Mundiais)

Participações: 2014, 2018, 2022, 2026

Didier Deschamps é o símbolo máximo da eficácia e do pragmatismo no século XXI. Depois de vencer o Mundial como capitão, assumiu o banco da França para construir uma máquina de vencer. Com um título (2018) e uma final (2022) no currículo, prepara-se para a sua quarta participação em 2026. Deschamps não procura o espetáculo vazio; ele domina a arte de gerir egos de elite e transformar talento puro em resultados históricos.

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