“A América está longe, do outro lado da lua”. Era 1976 quando o cantor italiano Lucio Dalla contou a história de Anna e Marco: uma história simples, sem enfeites, com um sonho enorme e inalcançável: justamente chegar aos Estados Unidos.
Depois da derrota nos pênaltis na repescagem das Eliminatórias contra a Bósnia, nesta terça-feira (31), essa frase soa como uma sentença para a Itália e para seus torcedores. A América continua do outro lado da lua. Já a Copa do Mundo parece ter sido enviada para Marte. E nós ficamos parados.

Parados em 2006. Na última noite em que realmente fomos grandes. Na ilusão de que a história era o bastante para continuar vencendo.
Nesse meio tempo, o mundo seguiu em frente. As outras seleções caíram e se reergueram. Mudaram, investiram, reconstruíram. Quem fracassou se levantou. Quem não era protagonista evoluiu. E nós? Nós ficamos imóveis. E no futebol, ficar parado significa desaparecer.

A Itália não é mais o país do futebol. E não é só culpa das instituições esportivas. Seria fácil demais. Também é culpa nossa, dos italianos, da torcida. Preferimos o padel ao futebol society. Aceitamos estádios velhos, sem exigir mudanças.
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A gente se indigna por um dia, depois volta aos velhos hábitos. Fazemos de tudo para mudar, só para tudo continuar igual. E vai ser assim de novo desta vez.
Em um país normal, depois de mais um fracasso, as demissões seriam imediatas. Seriam inevitáveis. Aqui, no entanto, se espera. Se ganha tempo. Fala-se em reflexões, reuniões, conselhos federais. Constrói-se mais uma transição que vai levar exatamente ao mesmo lugar.

Já vivemos 12 anos sem Copa do Mundo. Agora vão ser 16. Impensável em 1976, na época de Lucio Dalla. Inimaginável em 2006, ano do tetracampeonato mundial.
O que aconteceu na terça-feira não é um desastre. Isso já tinha acontecido contra a Suécia oito anos atrás. Também não é o fundo do poço, já tínhamos chegado lá em Palermo quatro anos atrás. É algo pior. É o costume com o fracasso.
A lua continua lá. Mas o problema não é a distância, não é a América que está longe, fomos nós que nos afastamos do futebol. E hoje não sabemos mais o caminho.

