Raio-X dos gols do Japão: velocidade, lado direito e infiltrações pelo meio

Hajime Moriyasu, técnico japonês desde 2018, está na sua segunda Copa
Hajime Moriyasu, técnico japonês desde 2018, está na sua segunda CopaMOLLY DARLINGTON/GETTY IMAGES VIA AFP

O Japão chega às oitavas da Copa de 2026 com um repertório ofensivo bastante definido. A equipe de Hajime Moriyasu, no comando da seleção desde 2018 e já com mais de 100 partidas à frente dos Samurai Blue, marcou sete gols na fase de grupos. A maioria nasceu de uma combinação que se repete: saída rápida pela direita, poucos toques e infiltrações pelo corredor central.

Depois da campanha histórica no Catar, quando eliminou Alemanha e Espanha na primeira fase, os japoneses fizeram um caminho mais discreto desta vez. Buscaram o empate duas vezes com os Países Baixos na estreia, golearam a Tunísia por 4 a 0 e fecharam a fase de grupos com um empate por 1 a 1 diante da Suécia — resultado que só foi possível graças às defesas decisivas do goleiro Zion Suzuki.

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A força do elenco aparece na origem dos jogadores. Os 11 titulares contra os suecos atuavam em clubes europeus, entre eles Daichi Kamada, do Crystal Palace, e Hiroki Ito, do Bayern de Munique. O projeto da federação japonesa segue mirando o título mundial até 2050, mas a evolução da equipe já coloca o Brasil diante de um adversário organizado e com um modelo de jogo muito claro.

O raio-X dos gols mostra que o lado direito é o principal ponto de partida das jogadas. A bola circula rapidamente, quase sempre sem condução longa, até chegar aos arredores da área. A partir daí, o ataque afunila pelo meio ou inverte para a esquerda, explorando a movimentação dos atacantes. Para o Brasil, isso significa testar a proteção do setor central, especialmente a cobertura feita pelos volantes sobre a entrada da área.

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Contra os Países Baixos, Keito Nakamura abriu o placar com um chute da meia-lua. Já Kamada marcou de cabeça após cobrança de escanteio nos minutos finais.

Da direita para o meio, e gol: Japão usa toques rápidos pelos lados
Da direita para o meio, e gol: Japão usa toques rápidos pelos ladosStats Perform/Opta

Um aspecto chama atenção: o Japão costuma crescer depois do intervalo. Cinco dos sete gols marcados (71%) saíram no segundo tempo. A única exceção foi a goleada sobre a Tunísia, quando a equipe entrou em campo com intensidade desde o início.

O primeiro gol saiu aos quatro minutos em uma jogada típica dos japoneses. A bola deixou a defesa pelo lado direito e, em apenas três passes, chegou à entrada da área. Houve inversão para a esquerda, cruzamento fechado e conclusão para as redes. O segundo gol, marcado por Ayase Ueda, também nasceu pela direita, com finalização da entrada da área. Depois do intervalo, os outros dois gols seguiram praticamente o mesmo roteiro: transições rápidas e poucos toques. O quarto foi mais um cabeceio de Ueda — dois dos sete gols japoneses na Copa foram marcados pelo alto.

Nakamura costuma vir da esquerda e, no meio, finalizar
Nakamura costuma vir da esquerda e, no meio, finalizarStats Perform/Opta

Camisa 18 da seleção — número herdado do pai, que homenageava o ídolo Jürgen Klinsmann —, Ueda é um centroavante de excelente leitura de jogo. Movimenta-se constantemente em diagonais e abre espaços para os companheiros. Foi exatamente isso que aconteceu diante da Suécia, quando sua movimentação permitiu que Maeda recebesse dele livre para marcar de fora da área após o passe de Doan. Foi o único gol japonês anotado de fora da grande área neste Mundial.

Embora a construção comece preferencialmente pela direita, o lado esquerdo também é uma arma importante. Muitas inversões procuram Keito Nakamura, atacante do Reims, capaz de acelerar no um contra um e desequilibrar quando recebe em velocidade.

No gol, Suzuki, do Parma, tem mostrado segurança
No gol, Suzuki, do Parma, tem mostrado segurançaARIC BECKER/AFP

As brechas para o Brasil

Defensivamente, o Japão também apresenta padrões. Os três gols sofridos na fase de grupos aconteceram no segundo tempo.

Contra os Países Baixos, o cruzamento de Ryan Gravenberch, pela direita, encontrou Virgil van Dijk completamente livre para marcar de cabeça. Já o segundo gol holandês e o empate da Suécia nasceram praticamente do mesmo setor: o lado direito da entrada da área japonesa. No caso da Holanda, a finalização saiu já dentro da área. Contra os suecos, Anthony Elanga bateu pouco antes da linha.

Países Baixos e Suécia marcaram pelo lado direito, do bico da área
Países Baixos e Suécia marcaram pelo lado direito, do bico da áreaStats Perform/Opta

Os dois lances indicam um espaço que Carlo Ancelotti pode explorar. Pela característica de atacar esse corredor e finalizar em velocidade, Rayan surge como um dos jogadores brasileiros com potencial para aproveitar justamente a região em que o Japão mais sofreu na fase de grupos.

A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.

 

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