A trajetória começa no desembarque no Aeroporto John F. Kennedy. A gigantesca estrutura, que recebe mais de 60 milhões de passageiros por ano, não registrava nenhum sinal visual nítido de que o viajante estava chegando ao país da Copa do Mundo.
Confira a tabela da Copa do Mundo no Flashscore
Do desembarque à imigração, dos corredores com obras evidentes de modernização ao AirTrain, o fluxo seguia o ritmo habitual. Mesmo em pontos saturados, como a movimentada saída que se encontra com a estação Jamaica, no Queens, a rotina era marcada pelo vai e vem constante entre as escadas rolantes.

O caminhar pelas estações de metrô de Nova York sempre reserva ao turista ou morador da cidade mútiplas indicações visuais de shows da Broadway, programas televisivos, filmes, anúncios. E tudo permanece assim. Sem um sinal evidente de Copa do Mundo. O que era habitual, manteve-se habitual.

Knicks dominam os holofotes em Manhattan
O assunto vem à tona pelos esforços visíveis dos últimos países-sede em transformar visualmente as cidades para o maior evento do planeta, especialmente em locais de grande circulação, como as estações de metrô.

A caminhada sem referências visuais só foi quebrada ao avistar bandeiras de diversas nações em um restaurante próximo ao Madison Square Garden. Ali perto, os gigantescos painéis de LED do ginásio exibiam propagandas de marcas parceiras do Mundial da FIFA, como uma voltada para smartphones.

Mas a referência logo se confundia com o New York Knicks, a grande sensação do momento. Afinal, a histórica franquia da NBA está de volta às finais da liga depois de 27 anos, e a cidade vive um verdadeiro frenesi com a possibilidade de o time conquistar um título que não vem desde 1973.

Logo abaixo do Madison, a Penn Station, uma das principais estações de Nova York, seguia com a Copa escondida. Uma situação bastante peculiar, já que muitos dos trens que deixam a cidade rumo a Secaucus — município de Nova Jersey que será o polo de integração para o MetLife Stadium — saem exatamente de lá.

Alerta nos trilhos e os preços do Mundial
E bem no dia da chegada do Flashscore a Nova York, um acidente durante uma manutenção no local fechou por completo o acesso a Nova Jersey. O episódio impactou milhões de usuários que se deslocam pelas múltiplas linhas da região e ligou o sinal de alerta para o Mundial, mostrando como falhas desse tipo podem paralisar o sistema de transporte.

O trajeto prosseguiu até o World Trade Center, onde a imponente estação Oculus — que se tornou um ponto turístico — também reservava zero referência ao Mundial. A caminhada "sem Copa" só foi interrompida no acesso aos trens para Nova Jersey.
Ali, placas sinalizavam o serviço especial montado pelo departamento de trânsito local para os dias de jogos, incluindo a estreia da Seleção Brasileira, alertando os usuários sobre o aumento no fluxo de passageiros.

A sinalização também apontava para o reajuste das tarifas cotidianas, que passaram para US$ 3,25, e informava que o bilhete especial para os torcedores durante a Copa do Mundo custará US$ 150. Dentro dos trens rumo a Nova Jersey, os avisos reforçavam as mudanças operacionais que aguardam os passageiros devido ao impacto do torneio.

Com a operação totalmente impactada pelo acidente na Penn Station, a viagem rumo ao destino final da reportagem, em Cedar Grove, Nova Jersey, incluiu uma parada em Hoboken — onde sinais exibiam com orgulho que a cidade abriga o comitê organizador da Copa em Nova York e Nova Jersey.

Onde a engrenagem do Mundial pulsa
No fim das contas, faz sentido que o Mundial esteja visualmente mais presente em solo de Jersey. Apesar das críticas veladas à administração estadual pelo aumento no custo das passagens entre Nova York e o MetLife Stadium, o torneio, de fato, acontecerá ali, já que o estádio fica em East Rutherford.
O Flashscore seguiu até o estádio para o credenciamento de imprensa. A poucos dias do primeiro jogo no local, o gigante metálico estava às voltas com o vai e vem de funcionários, voluntários e oficiais da FIFA ajustando os últimos detalhes da monstruosa operação que envolve uma Copa do Mundo. Na futura sala de imprensa, por exemplo, os armários para os profissionais ainda estavam sendo montados. Já o credenciamento mostrou grande eficiência, sendo concluído em cerca de cinco minutos.

Do lado de fora, além do trabalho intenso, chamavam a atenção as sinalizações da FIFA cobrindo a marca MetLife, detentora dos naming rights do estádio. No lugar, a placa oficial exibe "New York / New Jersey" — uma identidade visual que traz consigo uma das múltiplas polêmicas que rondam este Mundial.
A vaidade dos nomes esconde a realidade que o torcedor vai encontrar. Nova York pode ter a fama, o turismo e o glamour da grande decisão, mas é Nova Jersey que pulsa no ritmo dos preparativos, das tarifas salgadas e dos imprevistos nos trilhos. No fim, a caminho do MetLife, o fã de futebol vai descobrir que a verdadeira atmosfera de Copa não está no painéis de LED em Manhattan; ela se constrói no vaivém da imigração, na pressa dos voluntários e na jornada — por vezes caótica, mas histórica — de cruzar o Rio Hudson rumo ao apito inicial.

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