Entre os palestrantes do evento Refereeing & Innovation realizado em Washington, enquanto se aguarda o sorteio da Copa do Mundo 2026, Pierluigi Collina foi o destaque do painel ao lado de Johannes Holzmuller.
"Estamos cercados pela tecnologia, usamos a tecnologia muito mais do que estávamos acostumados. Eu nunca tinha usado microfone quando era árbitro, então, pela primeira vez, ouvi as conversas entre os assistentes de arbitragem e o árbitro. Fiquei chocado ao escutá-las", revela.
O árbitro era o da final da Copa do Mundo, Nestor Pitana. Um episódio que surpreendeu, pois não imaginava que os assistentes conversassem tanto com o árbitro.
"O árbitro tinha uma personalidade muito forte, mas mesmo assim, durante a partida, ele se comunicava o tempo todo com os dois assistentes, recebendo conselhos sobre o que fazer. E o fato de os dois jovens falarem com ele o tempo todo (dizendo para esperar, como se posicionar, para onde ir e tudo mais), me surpreendeu", admite.
Aprendendo a conviver com a tecnologia
O italiano falou sobre como a tecnologia está presente hoje, obrigando os árbitros a conviver com as novas ferramentas e tirar proveito delas. "Os árbitros precisam se acostumar com isso. E isso nem sempre é simples, principalmente quando te ensinam a fazer coisas diferentes das que são exigidas hoje. Mesmo em detalhes pequenos", cita.
"Quando você é um árbitro jovem, até hoje, sem tecnologia, te dizem que deve defender sua decisão contra tudo e todos. A decisão que você tomou é definitiva e você precisa mantê-la. E aí, com a tecnologia, é preciso mudar totalmente a abordagem. Porque não se trata mais de defender uma decisão, mas de ir até o monitor com a mente aberta. Porque se você tenta defender sua decisão, ao olhar para o monitor, vai acabar encontrando um jeito de confirmar o que decidiu antes. Então, não é fácil", pondera.

Arbitrar há 30 anos e hoje
Collina foi perguntado sobre as diferenças de hoje para o período quando estava no auge, tendo como exemplo sua participação na Olimpíada de Atlanta, em 1996. "O óbvio é que estou velho porque me lembro de 30 anos atrás, você me lembra que sou um homem mais velho, mas obrigado porque, para mim, foi a primeira final (Olimpíada de Atlanta em 1996 entre Nigéria e Argentina), foi uma grande conquista para mim. Tudo mudou radicalmente", conta.
"Se eu voltar àquela época, a base dos árbitros era na Flórida, já que as Olimpíadas foram em Atlanta, e lembro dos treinos matinais e do preparador físico da época, alguém que treinava algum clube ou faculdade nos Estados Unidos. Era assim que os atletas treinavam e não importava que tipo de atleta fôssemos, se árbitros ou jogadores de futebol americano, ele fazia a mesma coisa", recorda.
"Viemos desse tipo de experiência. Hoje tudo é extremamente profissional, tudo é feito com muita precisão, cuidando de cada detalhe e usando a tecnologia de forma ampla, não só no campo para a tomada de decisões, mas também na preparação", diz.
"Mudou a forma como buscamos desenvolver a arbitragem porque não podemos esquecer que o evento mais importante para nós é a Copa do Mundo, claro que precisamos estar prontos, mas haverá outras Copas do Mundo no futuro", lembra.
"Nosso compromisso é desenvolver a arbitragem e, eu diria, formar os novos Simon Marciniak e Tori Penso, que são os dois árbitros que apitaram as últimas duas finais de Copa do Mundo, do futuro. Por isso, trabalhamos junto com a confederação e as associações filiadas, buscando dar todo o suporte necessário para desenvolver a arbitragem desde a base até o topo, que é a Copa do Mundo", reforça.
Tempo técnico é considerado
Por fim, uma observação sobre as simulações de lesão e a perda de tempo, com a FIFA determinada a reduzir ao máximo essas situações. Entre os casos mais recentes, está o ocorrido após a paralisação para atendimento a Donnarumma durante Manchester City x Leeds: o técnico dos visitantes, Farke, acusou o goleiro italiano de simular uma lesão para que seu treinador pudesse passar instruções ao time.
Um tempo técnico criado de propósito, segundo os adversários do City. E sobre esse tema, Collina não se esquivou, deixando clara sua opinião: “Pessoalmente, não vejo problema na introdução dos timeouts se isso for uma questão para os treinadores e ajudar a reduzir a perda de tempo”, completa.
