Este será o 10º capítulo dessa rivalidade mundial que começou a ser construída em 1958. Com uma lista recheada de atacantes para estes últimos testes antes da Copa do Mundo, Ancelotti planeja uma estratégia ofensiva para quebrar a recente invencibilidade da França diante dos Sul-Americanos.
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O Reencontro de Madrid: Os números de Ancelotti contra o seu "núcleo francês"

No duelo entre Brasil e França, Carlo Ancelotti reencontra três pilares de sua confiança nos tempos de Real Madrid. Sob o comando de "Carletto", a versatilidade foi a marca registrada dessa relação: Camavinga é o recordista de minutagem do trio, somando 10.187 minutos em campo e atuando em diversas funções táticas. Logo atrás, Tchouaméni consolidou sua importância com 9.974 minutos jogados sob as ordens do italiano.
Entretanto, o capítulo mais intrigante envolve Kylian Mbappé. O astro viveu uma temporada de ouro em 24/25, registrando 48 gols participações diretas em gols em 56 partidas sob o comando de Ancelotti. Mas a relação entre os dois nem sempre foi de parceria: antes da união em Madrid, Mbappé enfrentou o técnico em cinco ocasiões pelo PSG, levando a melhor em duas oportunidades e balançando as redes duas vezes contra as equipes do atual comandante da Seleção Brasileira.
O Fator Mbappé: Por que Ancelotti tem motivos para se preocupar
Os 4.612 minutos em que Kylian Mbappé esteve sob as ordens de Carlo Ancelotti no Real Madrid foram suficientes para o técnico mapear cada movimento do craque. O comandante brasileiro sabe, por experiência própria, que o centroavante é a peça mais letal da França para o duelo desta quinta-feira.
Os números de Mbappé pelos Bleus são, de fato, intimidadores: em 94 partidas, o atacante soma impressionantes 89 participações diretas em gols (55 gols e 34 assistências). Com uma média de quase uma participação decisiva por jogo, ele chega para este confronto como o principal desafio tático de Ancelotti, que precisará desenhar uma estratégia específica para neutralizar um jogador que ele mesmo ajudou a lapidar em solo espanhol.
Brasil x França: O abismo entre a reconstrução e a estabilidade

Os momentos vividos pelas duas potências não poderiam ser mais distintos. Embora o Brasil tenha carimbado o passaporte para o Mundial de forma antecipada, o trajeto foi muito mais turbulento do que em ciclos anteriores. As sucessivas trocas no comando técnico escancararam uma crise administrativa que refletiu diretamente no campo.
Pela primeira vez na história, a Amarelinha somou um recorde negativo de seis derrotas em uma única edição de Eliminatórias. O ano passado, já sob a era de Carlo Ancelotti, reservou um capítulo amargo e inédito: o primeiro revés da história contra o Japão, encerrando uma invencibilidade histórica e evidenciando a fragilidade de um ciclo que ainda busca sua identidade diante de uma França que respira continuidade.
Do lado europeu, o cenário é de absoluta continuidade. No próximo mês de julho, Didier Deschamps completa 14 anos ininterruptos à frente da França, um feito raríssimo no futebol moderno. A convocação para este amistoso deixa claro o seu plano: testar a profundidade de um elenco vasto já visando a Copa do Mundo.
Com uma classificação impecável, os Bleus beiraram a perfeição nas Eliminatórias. A seleção francesa desperdiçou apenas dois pontos dos 18 que disputou, consolidando-se como uma equipe que não apenas vence, mas domina o cenário europeu com uma consistência que o Brasil ainda luta para reencontrar sob o comando de Ancelotti.
O Peso da História: Deschamps vs. Ancelotti em um duelo de gigantes

Embora Aimé Jacquet ostente um aproveitamento percentual ligeiramente superior, ele comandou os Bleus em apenas 53 partidas. Manter a marca de 71% de aproveitamento ao longo de mais de 160 jogos, como faz Didier Deschamps, é um feito raríssimo no futebol de seleções e atesta a magnitude do seu trabalho à frente da França.
Único técnico da história francesa a alcançar três finais de grandes torneios (Euro 2016, Copa 2018 e Copa 2022), Deschamps agora se prepara para o quarto capítulo de um duelo tático particular. Do outro lado, Carlo Ancelotti entra em campo com a vantagem no retrospecto direto: o italiano venceu dois dos três confrontos anteriores contra o técnico francês, tornando este quarto encontro um duelo de luxo entre dois dos maiores estrategistas do século.

O "Fantasma Europeu": A hegemonia francesa contra a América do Sul
O grito de “Allez les Bleus” tem ecoado com um peso histórico diante dos sul-americanos. A última vez que a França foi derrotada por uma seleção da América do Sul nos 90 minutos de jogo foi em 23 de março de 2018, em um amistoso contra a Colômbia. Na prática, isso significa que os comandados de Deschamps ostentam uma invencibilidade de exatos 8 anos contra o nosso continente no tempo regulamentar.
Nesse hiato, Brasil e França sequer cruzaram caminhos. Nem mesmo a histórica final da Copa de 2022 quebra essa escrita: embora a Argentina tenha ficado com a taça, o jogo terminou empatado no tempo normal, mantendo a invencibilidade dos Bleus. Em Mundiais, o tabu é ainda mais profundo: a França não perde para um sul-americano nos 90 minutos desde a fase de grupos de 1978, quando caiu por 2 a 1 para a própria Argentina.

DNA Ofensivo: A estratégia de Ancelotti para derrubar o tabu francês
Se a França ostenta invencibilidade, o Brasil responde com um ataque implacável. Desde o retorno do futebol após a pandemia, a Seleção Brasileira balançou as redes em todos os seus 15 amistosos disputados, acumulando nove vitórias, três empates e três derrotas. Para o duelo desta quinta-feira, Carlo Ancelotti deixou claro que a ofensividade será o pilar de sua estratégia para buscar o triunfo.
Em entrevista coletiva oficial, o técnico italiano revelou o desenho tático que pretende trazer nesta quinta:
“Nestes meses, tenho refletido sobre o melhor modelo de jogo para a equipe, levando em conta as características dos nossos atletas. O plano que queremos implementar é um modelo com quatro jogadores na frente”, afirmou o treinador.
