Pote 1: a elite
O pote 1, dos cabeças de chave, concentra a maioria dos brasileiros. O atual campeão, Flamengo, fica automaticamente no Grupo A. Palmeiras e Fluminense são os outros brasileiros com melhor ranqueamento. Os três não podem cair em grupos com outros brasileiros.
Como de costume, é o pote mais pesado da competição. O Boca Juniors, quarto colocado no ranking da Conmebol e seis vezes campeão do torneio, é a camisa mais pesada entre os estrangeiros do pote. O time volta a disputar a fase de grupos após três anos e ocupa atualmente o sétimo lugar em seu grupo no Torneio Apertura. A equipe é treinada por Claudio Ubeda, auxiliar promovido antes da temporada, e tem Merentiel como principal destaque e artilheiro. Além disso, trouxe Romero, do Corinthians, e Bareiro, do Fortaleza.
Entre os cabeças de chave, também estão as duas forças uruguaias, Peñarol e Nacional. Os aurinegros vivem momento melhor: ocupam o terceiro lugar na liga uruguaia e têm bom aproveitamento de 66% no ano. Contam com Diego Aguirre como técnico há quatro temporadas e foram campeões da última Copa Uruguaia.
Já o Nacional, atual campeão uruguaio, aparece em oitavo na liga e tem aproveitamento de 52% no ano. A equipe é treinada por Jadson Vieira, brasileiro com dupla nacionalidade uruguaia, nascido em Santana do Livramento, na fronteira entre os dois países.
O principal pote do sorteio é completado pelos equatorianos LDU e Independiente del Valle. As duas equipes jogam em Quito, que fica a 2.850 metros acima do nível do mar. A LDU, que ocupa o sexto lugar na liga nacional, é treinada pelo brasileiro Tiago Nunes e trouxe o também brasileiro Deyverson e o paraguaio Luis Segovia, que ficou conhecido pela música feita pela torcida do Botafogo durante sua passagem pelo clube em 2023.
Já o Independiente del Valle é o atual líder do campeonato equatoriano e está invicto nos quatro jogos que disputou no ano (3V/1E). Os “Matagigantes” são treinados por Joaquin Papa, uruguaio contratado para a temporada, e contam com um ataque extremamente perigoso, que marca, em média, 2,25 gols por jogo. Pelo desempenho neste início de ano, somado ao fator altitude e ao longo deslocamento, desponta como um dos adversários mais perigosos do pote.

Pote 2: grandes forças do continente
O segundo pote do sorteio é um dos mais intrigantes, pois reúne equipes que, no papel, podem representar a principal ameaça aos cabeças de chave. Cruzeiro e Corinthians são os brasileiros presentes nessas bolinhas. O pote também conta com duas forças argentinas: o Lanús, atual campeão da Sul-Americana e da Recopa, e o Estudiantes de La Plata, que chegou às quartas de final da última Libertadores e foi eliminado nos pênaltis pelo Flamengo.
Os Granates apostaram na manutenção do elenco campeão em 2025, mas sofreram recentemente uma baixa importante. O centroavante Rodrigo Castillo, autor de dois gols na Recopa, foi vendido por 10 milhões de euros ao Fluminense. O time é treinado por Mauricio Pellegrino, ocupa a quinta colocação de seu grupo no Apertura e deu demonstração de força ao golear o Newell’s por 5 a 0 na última terça-feira (17).
Antes, havia vencido o próprio companheiro de pote, Estudiantes, que também faz um bom início de ano. É vice-líder do grupo e tem aproveitamento de 64% na temporada. O time começou o ano com oito jogos de invencibilidade, até ser derrotado pelo líder Vélez Sarsfield e pelo Lanús. O Pincha é treinado por Alexander Medina, que veio do Talleres e teve passagem pelo Inter em 2022, e conta com Mancuso no elenco, emprestado pelo Fortaleza.
O pote 2 também reúne os paraguaios Cerro Porteño e Libertad. O Cerro vive excelente fase: é vice-líder do Apertura paraguaio e vinha de quatro vitórias seguidas até ser derrotado pelo Rubio Ñú na última quarta (18). A equipe é treinada pelo uruguaio Jorge Bava, campeão do Clausura com o clube em 2025. O time contratou Pablo Vegetti, artilheiro do Vasco nas últimas temporadas, além de Fabrizio Peralta, do Cruzeiro, e Fabricio Domínguez, do Sport. O “Pirata”, porém, não tem repetido o desempenho dos últimos anos no cruz-maltino e soma apenas um gol em 10 jogos.
O Libertad é o quarto colocado do campeonato nacional, 10 pontos atrás do líder Olimpia. Venceu apenas um jogo nas primeiras sete rodadas, mas vem de quatro vitórias seguidas. Tem 51,5% de aproveitamento no ano e foi campeão do Apertura em 2025. A equipe é comandada por Francisco Arce, campeão da Libertadores de 1999 pelo Palmeiras.

Um dos grandes temores dos brasileiros são os times bolivianos que atuam na altitude, e o Bolívar representa essa ameaça no pote 2. A liga boliviana ainda não começou, mas a equipe foi recentemente campeã do torneio amistoso de verão disputado no país. O time manda seus jogos no estádio Hernando Siles, em La Paz, a 3.650 metros acima do nível do mar.
Esteve no grupo do Palmeiras em 2025 e perdeu tanto em casa quanto em São Paulo. Desde 2023, disputou sete partidas como mandante contra brasileiros: venceu quatro, empatou uma e perdeu duas.
Para fechar, o pote conta com outro integrante do grupo do Palmeiras em 2025: o Universitario, do Peru. O time de Lima é o terceiro colocado na liga nacional e tem 66% de aproveitamento na temporada. Alex Valera é o principal destaque, com cinco dos 11 gols da equipe no ano. O time é treinado pelo espanhol Javier Rabanal, campeão equatoriano com o Independiente del Valle em 2025.
Pote 3: o pote das altitudes
O terceiro pote do sorteio não conta com brasileiros, mas reúne muitos times tradicionais do continente. Chama a atenção o Rosario Central, que deve ser uma das atrações desta primeira fase pela presença de Ángel Di María, repatriado no ano passado e atual artilheiro da equipe na temporada, com quatro gols, além de duas assistências.

O time ocupa o terceiro lugar do Grupo 2 do Apertura e tem 64% de aproveitamento em 2026. O técnico é Jorge Almirón, vice-campeão da Libertadores de 2023 com o Boca Juniors.
Os colombianos Junior e Santa Fé também estão no pote 3. O Junior, dos artilheiros Teo Gutiérrez e Luis Muriel (cinco gols cada), joga em Barranquilla, ao nível do mar, e ocupa a quinta colocação na liga colombiana. A equipe tem 51% de aproveitamento no ano e uma defesa bastante vazada, com média de 1,54 gols sofridos por jogo.
Já o Santa Fé é da capital Bogotá, a 2.640 metros acima do nível do mar. Mas a altitude é o único fator que talvez assuste os adversários, já que a equipe é apenas a 14ª colocada da liga colombiana e tem aproveitamento de 41%, com três vitórias em 13 jogos no ano. É a primeira participação do clube na fase de grupos da Libertadores em cinco anos.

Falando em altitude, o Always Ready, da Bolívia, talvez seja o principal time a ser evitado no sorteio. Campeão nacional em 2025, o clube manda seus jogos em El Alto, a 4.090 metros acima do nível do mar. A equipe, treinada por Julio César Baldivieso, foi vice-campeã do torneio amistoso de verão da Bolívia.
Outro time que assusta pela altitude é o Cusco, do Peru. Vice-campeã nacional em 2025, a equipe ocupa apenas a 13ª colocação na liga peruana, mas manda seus jogos a 3.400 metros acima do nível do mar. Em sete partidas no ano, o time treinado pelo argentino Miguel Rondelli venceu apenas duas, empatou uma e perdeu quatro. Facundo Callejo, que marcou 25 gols em 33 jogos em 2025, é o artilheiro da equipe na temporada, com três gols.

O maior desafio logístico para os brasileiros pode ser a viagem até a Venezuela. O Deportivo La Guaira, de Caracas, é o representante do país no pote 3. A equipe, treinada pelo argentino Héctor Bidoglio — que veio do futebol malaio —, ocupa a segunda colocação no campeonato venezuelano. É a terceira participação do clube na Libertadores: as anteriores foram em 2019 e 2021.
Para completar, o pote ainda conta com os dois chilenos desta Libertadores: Coquimbo Unido e Universidad Católica. O time de Coquimbo participa apenas pela segunda vez da competição — a primeira desde 1992 — e se classificou após um inédito título chileno em 2025. Atualmente ocupa a 11ª colocação na liga e tem 48% de aproveitamento no ano. A equipe também conquistou a Supercopa ao vencer justamente a Católica, vice-campeã nacional em 2025.
A Universidad Católica chega ao sorteio na quarta posição do campeonato chileno e com um ataque forte, que marca 1,89 gol por jogo. O time é treinado por Daniel Garnero, argentino multicampeão no Paraguai, e tem em Fernando Zampedri seu grande destaque: uma verdadeira máquina de gols, com 11 em nove partidas no ano e 150 em 234 jogos desde que chegou ao clube, em 2020.

Pote 4: o mais traiçoeiro
O pote 4 é um dos mais perigosos do sorteio. Metade é composta pelos times com pior colocação no ranking da Conmebol, enquanto a outra metade reúne os quatro classificados da pré-Libertadores, que podem inclusive cair em grupos com clubes do mesmo país. Botafogo e Bahia, representantes brasileiros na fase prévia, ficaram pelo caminho. O Mirassol, estreante na competição e ainda sem posição no ranking da entidade, também está no pote, mas não pode cair em uma chave com outros brasileiros.
Além do Mirassol, outros dois estreantes — ambos argentinos — estão no pote 4: Platense, campeão do Apertura de 2025, e Independiente Rivadavia, vencedor da Copa Argentina no ano passado. O Platense viu o bom desempenho desmoronar ao longo da última temporada. No Clausura, sequer avançou às oitavas e fechou o ano com 10 jogos sem vitória. Atualmente, ocupa a oitava colocação em seu grupo e tem 51,5% de aproveitamento em 2026. Além disso, conta com Walter Zunino no comando técnico, ex-lateral que vive sua primeira experiência como treinador principal.
Para o Rivadavia, de Mendoza, o conto de Cinderela segue sendo escrito. Depois do título inédito, o time treinado por Alfredo Berti, em sua quarta temporada no clube, mantém a boa fase em 2026 e lidera seu grupo no Apertura, com 70% de aproveitamento. No momento, está atrás apenas do Vélez na classificação geral do campeonato argentino.
A Universidad Central, da Venezuela, não é estreante na Libertadores, mas disputará a fase de grupos pela primeira vez. O time participou do torneio em 2025 e foi eliminado na segunda fase preliminar pelo Corinthians. Desta vez, a vaga direta veio com o título venezuelano — o segundo de sua história e o primeiro desde 1957.
A equipe segue dominante no cenário nacional e lidera o campeonato local. Começou a temporada com seis vitórias seguidas e tropeçou pela primeira vez na última terça (17), contra a Academia Puerto Cabello.
Dentre os times que vieram da pré, aquele que todos querem evitar é o Barcelona, 28º no ranking da Conmebol e que estaria no pote 2 caso tivesse conquistado vaga direta. O algoz recente do Botafogo também passou pelo Argentinos Juniors para chegar à fase de grupos e tem sido uma pedra no sapato de muitos brasileiros — eliminou, por exemplo, o Corinthians na fase prévia de 2025.
A equipe, treinada pelo venezuelano César Farías, tem Darío Benedetto como artilheiro e principal contratação para a temporada e ocupa o quinto lugar na liga equatoriana. Apesar disso, não chega ao mata-mata da Libertadores desde 2021.
Também vieram da pré-Libertadores dois times colombianos. O Tolima, que estava na chave do Bahia, passou por O’Higgins, do Chile, e Deportivo Táchira, da Venezuela. A equipe ocupa a nona colocação do campeonato colombiano e tem 52% de aproveitamento na temporada. O time conta com o goleiro Neto Volpi, revelado pelo Figueirense e primo de Tiago Volpi. Ele é o único estrangeiro do elenco.
O outro colombiano é o Independiente Medellín, que passou pelos uruguaios Liverpool e Juventud de Las Piedras na fase prévia. O time vive mau momento no campeonato colombiano, ocupando apenas a 15ª colocação. É treinado há três temporadas por Alejandro Restrepo e conta com Yony González no elenco, conhecido dos brasileiros, mas que passa a maior parte do tempo no banco.
Os dois colombianos estariam no pote 3 caso tivessem obtido a vaga direta, assim como o peruano Sporting Cristal, treinado pelo brasileiro Paulo Autuori. O time ocupa a sexta colocação na liga peruana e tem como principal força o ataque, que marca, em média, 1,55 gol por jogo na temporada.
O elenco conta com três brasileiros — Cris Silva, que bateu o pênalti com cavadinha pra classificar o time para a terceira fase da pré Libertadores, Gabriel e Felipe Vizeu. O artilheiro é Yotún, ex-Vasco, com três gols; Vizeu tem dois. Para chegar à fase de grupos, a equipe deixou 2 de Mayo e Carabobo pelo caminho na fase preliminar.
A sorte está lançada. O sorteio acontece nesta quinta-feira (19), na sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai. A cerimônia começa às 20h (de Brasília), com o sorteio da Sul-Americana, seguido pela definição dos grupos da Libertadores.
