Mais de 3.900 metros acima do nível do mar. É assustador, e esse é o desafio do Botafogo na fase 2 da Pré-Libertadores, nesta quarta (17), às 21h30 (de Brasília). O Alvinegro viaja até Potosí para encarar o Nacional Potosí, no Estádio Víctor Agustín Ugarte, o terceiro mais alto do mundo.
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Historicamente, atuar em um local onde o ar é rarefeito e a bola corre mais representa uma vantagem para os mandantes, mas o cenário costuma mudar quando o jogo acontece no nível do mar.
A “La Banda Roja”, como é conhecida a equipe boliviana, perdeu apenas cinco vezes em 14 jogos internacionais em casa — duas dessas derrotas para equipes que também atuam na altitude e outra para o Guabirá, da cidade de Montero, no nível do mar, mas acostumado a enfrentar adversários do país na altitude.
Em contrapartida, fora de casa o desempenho é o oposto: em 16 partidas, são apenas quatro vitórias. Em duas delas, o confronto eliminatório foi decidido nos pênaltis, e o Nacional Potosí acabou eliminado.
Histórico dos brasileiros em Potosí
Os bolivianos já enfrentaram adversários brasileiros em duas ocasiões. Em 2018, o Fluminense encarou o desafio dos quase 4.000 metros de altitude na primeira fase da competição. Na ida, no Maracanã, venceu por 3 a 0. Na volta, em Potosí, por muito pouco a história não mudou: vitória por 2 a 0 do time da casa.
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Em 2024, foi a vez de o Fortaleza jogar no Estádio Víctor Agustín Ugarte. Depois de golear por 5 a 1 no Castelão, outro susto na altitude: derrota por 4 a 1 para o Nacional Potosí.
Times brasileiros estiveram na cidade outras seis vezes para enfrentar o Real Potosí, maior rival do Nacional. Apenas o Palmeiras, em 2009, saiu da altitude com vitória. Já o Flamengo, em 2007, e o Cruzeiro, em 2010, voltaram da Bolívia com um empate.
Como é sentir a altitude de perto?
O Flashscore conversou com o jornalista Felipe Siqueira, do Jornal O Globo, que esteve em Potosí em 2018 para cobrir o duelo do Fluminense contra os bolivianos.
— É tão desafiante e desgastante um jogo em Potosí, que, meses depois eu cobri um jogo em Quito, e os 2.850m de altitude da capital equatoriana pareceram até tranquilos perto dos mais de 4.000m da cidade boliviana. Se caminhar mais rápido ou subir um lance de escadas na altitude já cansa, imagina praticar um esporte de alto rendimento.
Naquela ocasião, o Fluminense precisou alterar a logística por causa de manifestações com bloqueios de estradas em defesa das reservas de gás. Com isso, o time, então treinado por Abel Braga, não conseguiu realizar a planejada aclimatação em Sucre, a 2.790 metros de altitude.

Esse costuma ser o planejamento da maioria das equipes que jogam em Potosí — e é o que faz o Botafogo. Um primeiro grupo de jovens está na cidade desde sexta-feira, enquanto o elenco principal, que enfrentou o Flamengo no sábado, viajou na última segunda para Sucre e segue para Potosí horas antes da partida.
Felipe Siqueira acredita que isso possa fazer a diferença para o time de Martin Anselmi.
— Por ter um elenco muito qualificado tecnicamente e pela preparação prévia, acredito que o Botafogo tenha condições de conquistar um bom resultado contra o Nacional Potosí nesta quarta-feira, mesmo com as adversidades — afirmou o jornalista.
Retrospecto ruim dos bolivianos
A boa notícia é que o Nacional Potosí, em oito confrontos eliminatórios por competições continentais, avançou apenas duas vezes. O Sport Huancayo foi o único adversário de fora da Bolívia eliminado pela “La Banda Roja”. Além disso, os bolivianos ficaram pelo caminho nas duas participações que tiveram na fase de grupos da Copa Sul-Americana.
O clube boliviano, fundado em 1942, disputa apenas sua segunda Copa Libertadores e já garante a melhor campanha de sua história na competição. A outra participação foi em 2023, quando entrou na fase 1 e acabou eliminado pelo El Nacional, de Quito, com placar agregado de 9 a 2.

Como chega o Potosí?
O Nacional Potosí chega a esta edição credenciado pelo título da Copa da Bolívia, após derrotar o Bolívar na decisão. A equipe é treinada pelo jovem Leonardo Egüez, de apenas 35 anos. Esta é apenas sua terceira experiência como treinador principal.
A primeira foi em 2024, no San Antonio Bulo Bulo, onde ficou por apenas 14 jogos e conquistou três vitórias. No ano passado, antes de assumir o adversário do Botafogo desta quarta-feira, comandou o Independiente Petrolero por oito partidas, somando cinco vitórias.

O ritmo de jogo pode ser um desafio para os bolivianos. Enquanto o Botafogo estreou na temporada em 15 de janeiro, o Nacional Potosí disputou apenas dois amistosos em 2026, ambos contra o Real Potosí, em um torneio de verão — e perdeu os dois. O último compromisso oficial foi em 22 de dezembro, contra o Bolívar, na final da Copa.
O Alvirrubro passou por uma grande reformulação no elenco para a temporada: foram nove saídas e 11 contratações. Todas as posições ganharam ao menos uma cara nova. Com poucos jogos disputados, o entrosamento também pode ser um problema.
O Nacional Potosí está longe de ser um bicho-papão. Como dito na abertura, a altitude assusta, mas a história mostra que a equipe brasileira tem grandes chances de classificação, mesmo em caso de derrota fora de casa. Com a preparação adequada, o Botafogo tem tudo para trazer o confronto em aberto para o Nilton Santos, onde o time de Martín Anselmi deve entrar com amplo favoritismo podendo repetir o que fizeram Fluminense e Fortaleza, vencendo com autoridade.
