Em 2026, nenhum país terá tantos técnicos quanto a Argentina à beira do campo na Libertadores e na Sul-Americana, em 2026. São 26 treinadores do país empregados nas 64 equipes que compõem os dois principais torneios do continente: 9 na Libertadores e impressionantes 17 na Sul-Americana. Isso representa 40,6% dos times envolvidos nas duas competições.
Veja como foi o sorteio da Libertadores
Se na Libertadores os técnicos e os times argentinos não têm encontrado sucesso, na Copa Sul-Americana o cenário é outro. Os dois últimos campeões e os quatro últimos técnicos vencedores são de lá.

No ano passado, Mauricio Pellegrino levantou a taça com o Lanús. Em 2024, foi a vez do Racing, de Gustavo Costas. No ano anterior, o argentino Luis Zubeldía conquistou o título com a LDU e, em 2022, Martín Anselmi deu início à sequência com o Independiente del Valle.
E o Brasil?
O Brasil possui nove técnicos distribuídos entre os 64 times da Libertadores e da Sul-Americana, apenas 14,1% do total. Desses, somente um terço atua fora do país: Paulo Autuori, no Sporting Cristal (PER), Tiago Nunes, na LDU (EQU), e Jadson Vieira, no Nacional (URU).
No caso de Jadson, vale observar que ele nasceu em Santana do Livramento (RS), na fronteira com o Uruguai, e consolidou a carreira no país vizinho.
Enquanto o Brasil está representado em quatro dos 10 países, a Argentina possui profissionais em nove deles. A exceção é a Venezuela, único país onde todos os treinadores são locais.
O mercado tem sido muito mais restrito para técnicos brasileiros, que hoje tentam recuperar o prejuízo histórico de terem, no passado, negligenciado uma qualificação mais aprofundada.
Dos 12 times argentinos envolvidos nas competições da Conmebol, 11 contam com treinadores locais. Já o Brasil importa muito mais profissionais de fora: mais da metade dos 13 times têm técnicos estrangeiros (7).
Nas seleções a história se repete
Os clubes refletem algo que já vinha sendo observado no futebol de seleções. Atualmente, metade dos países que compõem a Conmebol contam com técnicos argentinos. Até pouco tempo, esse número era ainda maior, já que Ricardo Gareca (Chile), Gustavo Costas (Bolívia) e Fernando Batista (Venezuela) deixaram seus cargos recentemente.
Se na Libertadores os clubes do país não vêm conseguindo competir com os brasileiros, na formação de profissionais — liderada pelos atuais campeões do mundo — também não há disputa.

Atualmente, apenas Mano Menezes, recém-contratado pela seleção peruana, está empregado no continente. Muito pouco para um país tão grande e pentacampeão mundial. No quesito formação de treinadores, o Brasil ficou para trás.
O futebol brasileiro já percebeu a força dos treinadores porteños. Atualmente, três profissionais argentinos trabalham na elite do futebol brasileiro: Luis Zubeldía, Eduardo Domínguez e Martín Anselmi — quadro que, até pouco tempo, ainda contava com Hernán Crespo e Juan Pablo Vojvoda.
Potência financeira
Financeiramente, o Brasil ainda é a grande potência do continente, o que explica a hegemonia dos clubes na Libertadores. O país consegue atrair os principais atletas e também profissionais de ponta. Tanto que, além dos argentinos, tornou-se o grande polo de treinadores europeus na América do Sul.
São cinco profissionais do Velho Continente empregados entre os 64 times das competições sul-americanas — e quatro deles estão em território brasileiro.

Desde 2019, vivemos um protagonismo de treinadores portugueses. Das sete Libertadores consecutivas conquistadas por clubes brasileiros, quatro foram sob o comando de técnicos lusitanos. Hoje, não há profissionais portugueses de destaque trabalhando em outros países da América do Sul além do Brasil.
Saiba mais sobre os times da Libertadores 2026
Mais uma vez, é um cenário parecido com o observado nas seleções. Enquanto os argentinos dominam o continente, o Brasil rompe uma tradição de anos e vai disputar a Copa de 2026 com o italiano Carlo Ancelotti no comando.

Ao fim das Eliminatórias da Copa do Mundo, Ancelotti era, aliás, o único técnico não argentino entre as seis equipes classificadas para o Mundial.
Os números mostram que o Brasil aprendeu a vencer, mas ainda precisa reaprender a formar. Enquanto os clubes brasileiros, com seu poder financeiro, dominam a Libertadores, a Argentina segue ocupando espaços e exportando profissionais, garantindo protagonismo mesmo quando seus times não levantam troféus. Na última Copa, a seleção argentina já colheu esses frutos.
