Mais finalizações, menos gols: o contraste do Botafogo entre torneios

Matheus Martins perdeu oportunidades claras de gol na Libertadores
Matheus Martins perdeu oportunidades claras de gol na LibertadoresCelso Pupo/Fotoarena

Virar a chave. Essa é a expressão do momento para o torcedor do Botafogo. Já se passaram 30 dias desde a última vez que o Glorioso entrou em campo pelo Brasileirão, em razão da disputa das fases prévias da Libertadores. O último jogo do time de Martín Anselmi pela Série A foi em 12 de fevereiro, às vésperas do Carnaval, contra o Fluminense.

Desde então, a equipe de General Severiano entrou em campo oito vezes: venceu três jogos, empatou dois e perdeu três. Foi superada pelo Flamengo nas quartas de final do Carioca, teve que se contentar com a Taça Rio e sofreu um duro golpe ao ser eliminada pelo Barcelona de Guayaquil na terceira fase da Libertadores.

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Neste sábado (14), o Botafogo enfrenta mais um clássico pelo Brasileiro. O time de Anselmi entra pressionado pelos resultados para encarar o Flamengo. Além de tentar espantar a má fase, o Glorioso também precisa superar um retrospecto muito ruim diante do rival no Nilton Santos. O Rubro-Negro venceu nove dos últimos 10 jogos disputados na casa alvinegra. A exceção foi no Brasileirão de 2024, quando o Botafogo venceu o clássico por 4 a 1.

Comparação entre competições

Curiosamente, o aproveitamento do Glorioso no Brasileirão (33%) é idêntico ao obtido nos quatro jogos da Libertadores. Quando subiu a montanha para enfrentar o Nacional Potosí, na Bolívia, o time já chegava pressionado pela oscilação nas três primeiras rodadas do Brasileiro e pela eliminação no Estadual.

A criação do time cresceu nesse período. Nos quatro jogos pelo torneio continental, a equipe finalizou 14 vezes por partida — quase o dobro em relação aos oito chutes por jogo nas primeiras rodadas da Série A. O problema é que, com o aumento da produção ofensiva, a efetividade despencou. Enquanto no Brasileirão foram sete gols marcados (2,33 por jogo), na Libertadores foram apenas três (0,75 por partida).

Essa diferença fica ainda mais clara ao observar o número de chutes necessários para marcar em cada competição. Enquanto no torneio nacional o Botafogo precisou de apenas 3,43 finalizações para balançar as redes, no torneio continental esse número foi de 15,7 — quase cinco vezes maior.

Comparação entre o Botafogo na Libertadores e no Brasileirão
Comparação entre o Botafogo na Libertadores e no BrasileirãoOpta by Stats Perform

Eficiência no Brasileirão

Se há uma palavra que pode definir o início de Brasileirão do Botafogo, ela é eficiência. O número de chutes no alvo por jogo é bem semelhante entre as competições (4 no Brasileirão e 4,25 na Libertadores) mas, no torneio continental, apenas 18% dessas finalizações viraram gols. No Brasileirão, o índice sobe para 58% — o mais alto entre os 20 times da competição.

Isso levou o Botafogo a ter a segunda melhor média de gols por jogo do Brasileirão, com 2,33, atrás apenas do Palmeiras, com 2,6. Chama ainda mais a atenção o fato de o time de Anselmi ter alcançado esse desempenho mesmo com a terceira pior média de gols esperados do campeonato (1 xG por jogo) e a pior média de finalizações da competição (8 por partida, como citado anteriormente).

Líderes em gols por jogo no Brasileirão
Líderes em gols por jogo no BrasileirãoOpta by Stats Perform/Vitor Silva/Botafogo FR

Com essa alta produtividade ofensiva, principalmente nos dois primeiros jogos (vitória por 4 a 0 diante do Cruzeiro e derrota por 5 a 3 para o Grêmio), o grande problema foi o desempenho defensivo. A partida contra o time gaúcho é o retrato disso: os três gols marcados pelo ataque não valeram de nada, já que a equipe sofreu cinco. O Alvinegro tem a segunda pior média de gols sofridos por jogo (2).

Gols perdidos na Libertadores

Nas três primeiras rodadas do Brasileirão, o Botafogo criou, em média, apenas uma grande chance por jogo. É mais um contraste com o desempenho na Libertadores, quando a equipe criou duas grandes chances por partida, mas teve rendimento ofensivo inferior. A campanha do Botafogo na eliminatória continental ficou marcada por oportunidades claras desperdiçadas, principalmente por Matheus Martins e Álvaro Montoro.

Mapa de xG do Matheus Martins nos quatro jogos da Libertadores
Mapa de xG do Matheus Martins nos quatro jogos da LibertadoresOpta by Stats Perform

Um dos maiores problemas do time vem desde o início do ano e já gerou impactos em todas as competições: a posição de goleiro. Neto e Léo Linck já cometeram múltiplas falhas, que resultaram em derrotas no Brasileirão e nas eliminações na Libertadores e no Carioca. Não à toa, o Botafogo corre contra o tempo para encontrar um novo arqueiro no mercado, e o nome de Tadeu, do Goiás, surge como forte candidato.

A grande novidade alvinegra para a sequência do Brasileiro são os reforços Medina, Júnior Santos e Ferraresi. Os três chegaram após o período de inscrições para a Libertadores e, portanto, ainda não estrearam. Huguinho, que voltou de empréstimo, ainda não deve ser relacionado.

Nahuel Ferraresi foi apresentado no Botafogo
Nahuel Ferraresi foi apresentado no BotafogoVitor Silva/Botafogo FR

O clássico contra o Flamengo pode ser uma excelente oportunidade para recolocar a temporada nos trilhos e estancar o sangramento da eliminação na Libertadores. O dano é irreversível, sobretudo no aspecto financeiro, mas o passado já foi escrito e não pode ser alterado. O futuro, porém, está em jogo. Se o Alvinegro conseguir recuperar a eficiência que vinha apresentando no início do campeonato, com uma defesa mais consistente (agora com Ferraresi), pode navegar por mares mais calmos na sequência do ano.

O Flashscore estará no Nilton Santos e transmite o clássico neste sábado (14) com narração de Fábio Azevedo, a partir das 20h25, no nosso site e app.