O palco da estreia traz boas recordações: o Estádio Inca Garcilaso de la Vega, que está localizado a 3.350 metros acima do nível do mar, o oitavo entre os estádios de futebol de maior altitude do mundo. Foi lá que, em 2008, o clube conquistou sua maior vitória na altitude ao bater o Cienciano por 3 a 0.
O time carioca chega embalado para o confronto desta noite. Após vencer o Santos e garantir seu lugar no G-4 do Brasileirão, o clima na Gávea é de confiança.

Sob o comando de Léo Jardim, que soma quatro vitórias à frente do time, o rubro-negro agora vira a chave para a competição continental. O técnico terá seu "batismo de fogo" no torneio, estreando no comando de uma equipe na Libertadores pela primeira vez na carreira.
Esta será a 22ª participação do Flamengo na Libertadores. Ao levantar o troféu na temporada passada, o rubro-negro garantiu o 25º título para o Brasil, fazendo o país finalmente alcançar a Argentina no topo do ranking histórico de conquistas. Esse empate em 25 a 25 transforma a edição de 2026 em uma verdadeira busca pelo desempate para garantir a hegemonia do continente.

Cusco FC: Adversário inédito sob o fantasma da altitude
Fundado em 2009, o Cusco FC ganhou projeção continental ainda como Real Garcilaso. Sob o antigo nome, a equipe surpreendeu ao chegar às quartas de final em 2013 e retornou ao torneio em 2014. Esta edição, porém, marca a estreia da nova identidade do clube na competição e o primeiro confronto da sua história contra o Flamengo.
Atualmente, o desempenho dos peruanos é marcado pelo equilíbrio, somando quatro vitórias, quatro derrotas e um empate na temporada. Para o rubro-negro, o desafio vai além do adversário: é preciso lutar contra o próprio retrospecto. Em 18 partidas realizadas acima dos 2.500 metros, o time da Gávea venceu apenas quatro vezes, sofrendo derrotas em metade desses confrontos.

O Cusco FC garantiu sua vaga na Libertadores após o vice-campeonato do Clausura Peruano em 2025. Curiosamente, a equipe vive um momento de transição similar ao do Flamengo: trocou de comando técnico durante a última Data FIFA. O uruguaio Alejandro Orfila assumiu o posto de Miguel Rondinelli, que se transferiu para o Melgar. A estreia de Orfila não poderia ter sido melhor; no último sábado, ele comandou a vitória por 3 a 1 exatamente sobre o Melgar, clube de seu antecessor.
Orfila terá o desafio de implementar uma filosofia de jogo reativa no Cusco FC. Conhecido por priorizar transições diretas e a velocidade dos pontas — marcas de seus trabalhos no Temperley e Barracas Central —, o técnico uruguaio propõe uma ruptura com a identidade da última temporada, pautada pelo controle e valorização da posse de bola.
No campo individual, o grande perigo atende pelo nome de Facundo Callejo. O atacante argentino vive fase iluminada na Liga 1, com seis gols em nove jogos, destacando-se pela mobilidade e precisão nas finalizações com ambas as pernas. Ao seu lado, o conhecido Gabriel Carabajal (ex-Santos e Vasco) é o responsável por ditar o ritmo e trazer experiência ao setor criativo dos peruanos.

Independiente Medellín: Tradição colombiana e a força da base
O Independiente carimbou seu passaporte para a fase de grupos pela 11ª vez na história. Após superar os uruguaios Liverpool e Juventud nas fases preliminares, o clube de Medellín não apenas assegurou sua vaga, mas também consolidou um marco para o país: o retorno de um quarteto colombiano a esta etapa da Libertadores após cinco anos.
Além do Independiente, a Colômbia será representada por Junior Barranquilla, Tolima e Santa Fé. Esta será a primeira vez que a equipe colombiana encara o Flamengo na história, e sua melhor campanha foi na edição de 2003, quando ficou em 3º lugar na classificação geral do torneio.

O time é comandado por Alejandro Restrepo, que é um dos nomes mais promissores da nova geração de treinadores colombianos, além de ser um entusiasta da linha com três defensores. No comando da equipe desde 2024, Restrepo tem passagens por Atlético Nacional, Deportivo Pereira e Alianza Lima-PER.

O Estádio Atanásio Girardot é um dos palcos mais emblemáticos das competições sul-americanas. Tradicional casa do Atlético Nacional, o estádio está situado a 1.495 metros acima do nível do mar. Essa marca é considerada de altitude moderada, uma vez que, nessa faixa, o ar raramente provoca efeitos físicos significativos no rendimento dos atletas.
Francisco Fydriszewski é o grande nome do Independiente nesta temporada. Presente em 14 dos 18 compromissos da equipe, o atacante argentino já mostrou sua importância na fase prévia da Libertadores, onde marcou dois gols e serviu uma assistência. O jogador inclusive chegou a ser sondado pelo Athletico-PR no último ano.

Ao seu lado, a juventude ganha terreno: John Montaño, joia de apenas 19 anos, tornou-se o "homem de confiança" do técnico Alejandro Restrepo. Cria da base, o jovem já acumula 15 partidas no ano e vem conquistando espaço definitivo no time titular. Yony González, ex-Fluminense, também faz parte do elenco colombiano.
Estudiantes de La Plata: O peso argentino no Grupo A
Com quatro taças na estante, o Estudiantes chega à sua 18ª participação na Libertadores reafirmando sua linhagem de campeão. O sorteio colocou frente a frente dois gigantes que ainda têm memórias frescas da última temporada: nas quartas de final de 2025, o Flamengo eliminou a equipe argentina em uma disputa de pênaltis dramática, garantindo a vaga nas semifinais e deixando o "El León" pelo caminho.
O Estudiantes chega para a competição em meio a um processo de reformulação. Com um retrospecto de sete vitórias, três empates e três derrotas em 2026, o clube optou pela troca de comando em fevereiro: o uruguaio Alexander Medina assumiu a vaga de Eduardo Domínguez, que se transferiu para o Atlético-MG.

Desde sua chegada, o "Cacique" ainda busca estabilidade, somando três vitórias e três derrotas (50% de aproveitamento). Fiel à sua filosofia de transições rápidas, Medina prioriza um jogo de pressão alta para forçar o erro adversário, utilizando a velocidade pelos corredores laterais como principal arma ofensiva.

O Estádio Jorge Luis Hirschi traz memórias recentes e intensas para o torcedor rubro-negro. Foi no gramado de La Plata que o Flamengo carimbou sua vaga nas semifinais da última edição, após uma disputa de pênaltis dramática.
Localizado a cerca de 60 quilômetros de Buenos Aires, o estádio é famoso por sua atmosfera de "caldeirão" — uma característica potencializada pela última reforma, que aproximou as arquibancadas do campo e aumentou a pressão sobre os adversários.
O poder de fogo do Estudiantes passa pelos pés — e pela estatura — de Adolfo Gaich. Com 1,90m, o centroavante revelado pelo San Lorenzo já soma três gols e uma assistência em apenas sete jogos, impondo-se como a principal referência na área. Ao seu lado, a mobilidade de Tiago Palácios tem sido o complemento ideal, acumulando cinco participações diretas em gols em nove partidas na temporada.
A espinha dorsal da equipe, porém, é sustentada pela experiência internacional. O goleiro Fernando Muslera, veterano de quatro Copas do Mundo pelo Uruguai, é o pilar de segurança aos 39 anos. O elenco ainda conta com nomes conhecidos do futebol brasileiro, como o centroavante Lucas Alario (ex-Internacional e River Plate) e o volante Gabriel Neves, que traz o ritmo de jogo adquirido em suas três temporadas no São Paulo.
