Na abertura do grupo, a LDU venceu o Always Ready na Bolívia por 1 a 0, com gol nos acréscimos. A estreia do Mirassol é nesta quarta (8), contra o Lanús, em casa, às 19h.
Confira a tabela completa da Libertadores
Em sua primeira participação na história da Libertadores, o Mirassol chega embalado por uma ascensão meteórica nos últimos anos. Com um projeto sólido, gestão eficiente e um futebol ofensivo, o time paulista entra na competição sem o peso da tradição, mas com muita ambição.

A equipe aposta na intensidade, na juventude do elenco e na qualidade técnica para surpreender adversários mais experientes. Além disso, o fator casa pode ser determinante para o Leão Caipira, que deve contar com forte apoio da torcida para fazer frente aos desafios.
A campanha de 2025 no Brasileirão mostrou que o Estádio Municipal José Maria de Campos Maia, o Maião, tem muita força. Foram 19 jogos, com 12 vitórias e 7 empates, números que quebraram uma série invicta que já durava 22 anos (2002-2003).
Equipes de tradição sentiram o peso de ter o Mirassol como mandante. Grêmio, Corinthians, Santos, Vasco, Bahia, Fluminense, Internacional, São Paulo e Palmeiras, por exemplo, foram derrotados no estádio do pequeno/gigante time paulista.
Se conseguir pontuar fora de casa — especialmente nas difíceis visitas à altitude —, o Mirassol tem boas chances de brigar diretamente por uma vaga na próxima fase.
Viagens do estreante
Para o Mirassol, a fase de grupos da Libertadores, no Grupo G, será também um grande desafio logístico. Considerando os jogos fora de casa contra Always Ready, LDU e Lanús, o clube paulista terá longas viagens pela América do Sul.
Mirassol → El Alto (Always Ready): 2.400 km
Mirassol → Quito (LDU): 4.300 km
Mirassol → Buenos Aires (Lanús): 2.200 km

Terror na altitude
O Always Ready, da Bolívia, é conhecido por transformar sua casa em um desafio para qualquer adversário, especialmente por conta da altitude extrema, de mais de 4 mil metros. Jogando em El Alto, o time costuma impor um ritmo intenso e já surpreendeu equipes tradicionais em edições recentes da Libertadores.
Alguns resultados marcantes:
• Internacional (Brasil) – Na Libertadores de 2021, o Always Ready venceu o Inter por 2 a 0, em uma atuação dominante que chamou atenção no continente.
• Olimpia (Paraguai) – Também em 2021, bateu o Olimpia por 2 a 1, mostrando força contra um time tradicional e multicampeão.
• Corinthians (Brasil) – Em 2022, derrotou o Corinthians por 2 a 0 na estreia da fase de grupos, um resultado considerado surpreendente na época.
• Deportivo Cali (Colômbia) – Ainda em 2022, venceu o Deportivo Cali por 2 a 0, reforçando o desempenho forte em casa.
Esses resultados ajudaram a consolidar a reputação do Always Ready como um adversário perigoso em seus domínios. Mesmo sem avançar longe nas competições, o clube boliviano frequentemente complica a vida de equipes mais tradicionais quando joga na altitude.
Brasileiro no comando
A LDU, do Equador, chega como uma das camisas mais pesadas do grupo. Campeã da Libertadores em 2008, a equipe de Quito alia experiência internacional com a vantagem de também atuar na altitude. É, sem dúvida, uma das favoritas à classificação, com elenco acostumado a grandes decisões.
O time é treinado pelo brasileiro Tiago Nunes, conhecido por equipes organizadas taticamente e com boa transição ofensiva. A tendência é uma LDU equilibrada: sólida defensivamente e perigosa em contra-ataques, aproveitando também a altitude de Quito (2.850m acima do nível do mar) como arma.

A defesa mistura juventude com jogadores rodados:
• Alexander Domínguez – ídolo histórico, ainda presente no elenco
• Ricardo Adé – zagueiro experiente e físico
• Luis Segovia – peça importante na zaga
• Leonel Quiñónez – lateral com apoio ofensivo

Na frente, o time equatoriano tem opções variadas e até conhecidas do futebol brasileiro:
• Deyverson – centroavante experiente, forte fisicamente e decisivo
• Michael Estrada – referência ofensiva da seleção equatoriana
• Jeison Medina – presença de área
• Rodney Redes – velocidade pelos lados
A equipe perdeu recentemente o ponta Bryan Ramírez, negociado para a MLS, o que reduz um pouco a criatividade pelos lados.

Argentino copeiro
O Lanús, da Argentina, traz a competitividade típica do futebol argentino. Campeão da Copa Sul-Americana e da Recopa, vencendo o Flamengo no Maracanã, o time vem marcando presença em torneios continentais. O Granate aposta na organização tática e na força coletiva para buscar a vaga nas oitavas de final.
O treinador Mauricio Pellegrino costuma montar equipes bem organizadas defensivamente, com linhas compactas e transições rápidas. O Lanús não é um time de posse longa — prefere ser reativo e eficiente, algo típico do futebol argentino em competições continentais.
Um dos pilares do time é a defesa, com nomes rodados, como Carlos Izquierdoz, líder experiente, com passagem por Boca Juniors; José Canale, zagueiro físico e forte no jogo aéreo; além dos laterais Morgantini e Marcich, que equilibram marcação e apoio.
O Lanús não tem o elenco mais badalado do grupo, mas compensa com organização tática, experiência internacional recente e jogadores decisivos. É aquele time que talvez não encante tanto, mas sabe exatamente como jogar a Libertadores — e isso faz muita diferença.
Assim, o Grupo G se desenha como um confronto de estilos: a altitude de Always Ready e LDU, a tradição do Lanús e a ousadia do estreante Mirassol. Para o torcedor brasileiro, fica a expectativa de ver até onde esse novo protagonista pode chegar no cenário continental.

