Raio-X do grupo do Mirassol na Libertadores: onde o time brasileiro entra na disputa?

Rafael Guanaes, técnico do Mirassol
Rafael Guanaes, técnico do MirassolČTK / AP / Fabio Giannelli

O Grupo G da Copa Libertadores promete ser um dos mais interessantes da fase de grupos, reunindo tradição, altitude, experiência continental e uma pitada de novidade. Com Always Ready, LDU, Lanús e o estreante Mirassol, a chave apresenta equilíbrio e diferentes estilos de jogo — com destaque especial para o representante brasileiro, que vive um momento histórico.

Na abertura do grupo, a LDU venceu o Always Ready na Bolívia por 1 a 0, com gol nos acréscimos. A estreia do Mirassol é nesta quarta (8), contra o Lanús, em casa, às 19h.

Confira a tabela completa da Libertadores

Em sua primeira participação na história da Libertadores, o Mirassol chega embalado por uma ascensão meteórica nos últimos anos. Com um projeto sólido, gestão eficiente e um futebol ofensivo, o time paulista entra na competição sem o peso da tradição, mas com muita ambição.

Mirassol ficou invicto em casa no Brasileirão 2025
Mirassol ficou invicto em casa no Brasileirão 2025Opta by Stats Perform / AGIF / Sipa USA / Profimedia

A equipe aposta na intensidade, na juventude do elenco e na qualidade técnica para surpreender adversários mais experientes. Além disso, o fator casa pode ser determinante para o Leão Caipira, que deve contar com forte apoio da torcida para fazer frente aos desafios. 

A campanha de 2025 no Brasileirão mostrou que o Estádio Municipal José Maria de Campos Maia, o Maião, tem muita força. Foram 19 jogos, com 12 vitórias e 7 empates, números que quebraram uma série invicta que já durava 22 anos (2002-2003).

Equipes de tradição sentiram o peso de ter o Mirassol como mandante. Grêmio, Corinthians, Santos, Vasco, Bahia, Fluminense, Internacional, São Paulo e Palmeiras, por exemplo, foram derrotados no estádio do pequeno/gigante time paulista.

Se conseguir pontuar fora de casa — especialmente nas difíceis visitas à altitude —, o Mirassol tem boas chances de brigar diretamente por uma vaga na próxima fase.

Viagens do estreante

Para o Mirassol, a fase de grupos da Libertadores, no Grupo G, será também um grande desafio logístico. Considerando os jogos fora de casa contra Always Ready, LDU e Lanús, o clube paulista terá longas viagens pela América do Sul.

Mirassol → El Alto (Always Ready): 2.400 km

Mirassol → Quito (LDU): 4.300 km

Mirassol → Buenos Aires (Lanús): 2.200 km

Altitudes da Libertadores 2026
Altitudes da Libertadores 2026Opta by Stats Perform/IA

Terror na altitude

O Always Ready, da Bolívia, é conhecido por transformar sua casa em um desafio para qualquer adversário, especialmente por conta da altitude extrema, de mais de 4 mil metros. Jogando em El Alto, o time costuma impor um ritmo intenso e já surpreendeu equipes tradicionais em edições recentes da Libertadores. 

Alguns resultados marcantes:

• Internacional (Brasil) – Na Libertadores de 2021, o Always Ready venceu o Inter por 2 a 0, em uma atuação dominante que chamou atenção no continente. 

• Olimpia (Paraguai) – Também em 2021, bateu o Olimpia por 2 a 1, mostrando força contra um time tradicional e multicampeão.

• Corinthians (Brasil) – Em 2022, derrotou o Corinthians por 2 a 0 na estreia da fase de grupos, um resultado considerado surpreendente na época. 

• Deportivo Cali (Colômbia) – Ainda em 2022, venceu o Deportivo Cali por 2 a 0, reforçando o desempenho forte em casa. 

Esses resultados ajudaram a consolidar a reputação do Always Ready como um adversário perigoso em seus domínios. Mesmo sem avançar longe nas competições, o clube boliviano frequentemente complica a vida de equipes mais tradicionais quando joga na altitude.

Brasileiro no comando

A LDU, do Equador, chega como uma das camisas mais pesadas do grupo. Campeã da Libertadores em 2008, a equipe de Quito alia experiência internacional com a vantagem de também atuar na altitude. É, sem dúvida, uma das favoritas à classificação, com elenco acostumado a grandes decisões.

O time é treinado pelo brasileiro Tiago Nunes, conhecido por equipes organizadas taticamente e com boa transição ofensiva. A tendência é uma LDU equilibrada: sólida defensivamente e perigosa em contra-ataques, aproveitando também a altitude de Quito (2.850m acima do nível do mar) como arma.

Tiago Nunes é o técnico da LDU
Tiago Nunes é o técnico da LDUDivulgação/LDU

A defesa mistura juventude com jogadores rodados:

• Alexander Domínguez – ídolo histórico, ainda presente no elenco 

• Ricardo Adé – zagueiro experiente e físico 

• Luis Segovia – peça importante na zaga 

• Leonel Quiñónez – lateral com apoio ofensivo

Números de Ricardo Adé, da LDU
Números de Ricardo Adé, da LDUFlashscore

Na frente, o time equatoriano tem opções variadas e até conhecidas do futebol brasileiro:

• Deyverson – centroavante experiente, forte fisicamente e decisivo 

• Michael Estrada – referência ofensiva da seleção equatoriana 

• Jeison Medina – presença de área 

• Rodney Redes – velocidade pelos lados

A equipe perdeu recentemente o ponta Bryan Ramírez, negociado para a MLS, o que reduz um pouco a criatividade pelos lados.

Deyverson em Always Ready x LDU
Deyverson em Always Ready x LDUČTK / AP / Juan Karita

Argentino copeiro

O Lanús, da Argentina, traz a competitividade típica do futebol argentino. Campeão da Copa Sul-Americana e da Recopa, vencendo o Flamengo no Maracanã, o time vem marcando presença em torneios continentais. O Granate aposta na organização tática e na força coletiva para buscar a vaga nas oitavas de final.

O treinador Mauricio Pellegrino costuma montar equipes bem organizadas defensivamente, com linhas compactas e transições rápidas. O Lanús não é um time de posse longa — prefere ser reativo e eficiente, algo típico do futebol argentino em competições continentais.

Um dos pilares do time é a defesa, com nomes rodados, como Carlos Izquierdoz, líder experiente, com passagem por Boca Juniors; José Canale, zagueiro físico e forte no jogo aéreo; além dos laterais Morgantini e Marcich, que equilibram marcação e apoio. 

O Lanús não tem o elenco mais badalado do grupo, mas compensa com organização tática, experiência internacional recente e jogadores decisivos. É aquele time que talvez não encante tanto, mas sabe exatamente como jogar a Libertadores — e isso faz muita diferença. 

Assim, o Grupo G se desenha como um confronto de estilos: a altitude de Always Ready e LDU, a tradição do Lanús e a ousadia do estreante Mirassol. Para o torcedor brasileiro, fica a expectativa de ver até onde esse novo protagonista pode chegar no cenário continental.

Os números de Carlos Izquierdoz, do Lanús
Os números de Carlos Izquierdoz, do LanúsFlashscore